The Good Place e a cultura do cancelamento

The Good Place E A Cultura Do Cancelamento
[tempo de leitura: 3 minutos]

Lançada em 2016, a sitcom teve uma temporada final memorável e com um recado muito pertinente para os dias atuais.


JJá se foi o tempo em que as séries de comédia tinham como único foco promover entretenimento e humor ao público com situações do cotidiano, como foi visto em produções aclamadas como Friends e Seinfeld. Mas com o passar do tempo foi necessário mudar a forma de se fazer comédia. Logo, o que era engraçado há alguns anos talvez não tenha mais validade nos dias atuais.

Assim, algumas sitcoms mais recentes surgiram adaptadas à essa mudança, trazendo um humor mais saudável e utilizando o cômico não só para entretenimento mas também para promover reflexões diante de várias causas sociais. Entre elas há alguns nomes popularmente conhecidos como Brooklyn Nine-Nine e One Day At a Time. E é claro que The Good Place não poderia fugir aos novos padrões.

Criada por Michael Schur, a série tem como temática principal um dos maiores dilemas da humanidade: o de para onde vamos depois que morremos. A trama tem como foco um grupo de pessoas, que inclui Kristen Bell (Eleanor), Jameela Jamil (Tahani), Manny Jacinto (Jason) e William Jackson Harper (Chidi), que aparentemente são enviadas para o “lugar bom” (good place) por engano, por não terem feito ações durante a vida para que fossem merecedoras de estarem ali. De início, a motivação das personagens é encontrar uma maneira de não serem enviadas para o “lugar ruim” (bad place), mas os planos acabam tomando outro rumo.

Ao decorrer das temporadas, em função de The Good Place ser uma produção de acontecimentos inesperados e das aulas de filosofia ministradas por Chidi, eles passam a questionar se o sistema de julgamento utilizado é coerente para a atualidade em que vivem. E a quarta temporada se inicia com a premissa deles alterarem a maneira que as pessoas são sentenciadas para qualquer um dos dois lugares.

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Apesar da grande quantidade de reviravoltas a cada episódio, ao longo de seus quatro anos The Good Place conseguiu conectar todos os pontos levantados durante seu desenvolvimento, além de causar uma quebra total de expectativas. Ainda, a evolução das personagens é feita de forma tão minuciosa que faz com que essa despedida se tornasse um pouco mais difícil para os fãs do programa. Com o último capítulo, um especial de duas horas, a série soube trabalhar com essas narrativas e fez com que o destino de cada um fosse merecidamente emocionante.

Com o teor cômico e caricato da sitcoms, é fácil concluir que a produção é capaz de disfarçar seu teor completamente filosófico com ensinamentos leves e certeiros, como a mensagem primária de redenção e a ideia de que todos merecem uma segunda chance. Esta é, inclusive, uma questão que se torna ainda mais importante nos dias atuais, em que a “cultura do cancelamento” tem se consolidado através das redes sociais, com diversas figuras públicas tendo sua reputação destruída pelo mínimo erro que tenham cometido no presente ou no passado.

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Da esquerda pra direita, os personagens Tahani, Jason, Eleanor, Janet, Chidi e Michael

The Good Place inova desde sua temática até o seu elenco diversificado e extremamente carismático, que se completa com Ted Danson (o demônio Michael), D’Arcy Carden (a assistente onipresente Janet), Maya Rudolph (a Juíza Gen) e Marc Evan Jackson (o chefe dos demônios Shawn). A questão pós-morte abordada na série foge às definições bíblicas que já conhecemos de forma totalmente inusitada e inteligente, deixando para o legado de Schur uma das comédias mais extraordinárias dos últimos tempos. O Esquadrão da Alma com certeza vai nos deixar muitas saudades – mas sabemos que tudo vai ficar bem!

Vitória Silva

vitória silva

18 anos. Jornalista em formação. carinha de tímida mas se começar a falar não para mais. amante da Sétima Arte e com um gosto musical que varia entre Beyoncé e AC/DC.

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