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“Fringe” E A Ciência De Fronteira

“Fringe” e a ciência de fronteira

“Fringe” completa, em 2018, os 10 anos do seu primeiro episódio, explorando da ficção científica para contar histórias sobre a ciência de fronteira.


A ficção científica é um dos mais interessantes e importantes gêneros da cultura pop. No campo da televisão, séries de grande repercussão e impacto como Além da Imaginação (1959-1964), Jornada nas Estrelas (1966-1969), Doctor Who (1963-1989, na exibição original) e Arquivo X (1993–) marcaram seus nomes na história do gênero. É inspirada em algumas dessas produções que nasce Fringe.

Na série criada por J.J. Abrams, Olivia Dunhan (Anna Torv) é uma agente do FBI que compõe a equipe designada a investigar o mistério em torno de um vôo comercial, vítima de um vírus desconhecido. Para entender melhor a ciência por trás do ataque biológico, Olivia, sob tutela do Agente Phillip Broyles (Lance Reddick) e ajuda de sua assistente Astrid (Jasika Nicole), recruta Peter (Joshua Jackson) e Walter Bishop (John Noble) para o que viria a ser conhecida, logo logo, como Divisão Fringe.

Cientificamente, o nome da série dá título ao que é conhecido como “ciência de fronteira”, uma área de estudo dedicada a pesquisar fenômenos no limite da nossa física/realidade, como mundos paralelos, realidades (e linhas temporais) alternativas, transmutação, telecinese, teletransporte, precognição, inteligência artificial, matéria negra, entre tantas outras coisas. Assuntos estes que, inclusive, aparecem na intro da série, em uma das introduções e música-tema mais memoráveis da televisão.

É ao longo de cinco temporadas e 100 episódios, exibidos entre 2008 e 2013 pela FOX, que Fringe explora de uma rica e densa mitologia. Cada caso investigado pela Divisão se conecta, em grande ou pequena parte, aos eventos que circundam o universo seriado. Também, cada um dos personagens, principalmente Olivia e os Bishop, estão intrinsecamente conectados em um esquema universal maior e mais perigoso, do qual a própria fábrica da existência do nosso universo depende pra sobreviver.

J.J. Abrams e os roteiristas Alex Kurtzman e Roberto Orci, entre outros, tem um cuidado louvável em construir a literatura rica de Fringe, precocemente cancelada em sua quinta temporada. Podemos mergulhar na existência dos testes de Cortexiphan, uma droga capaz de ligar habilidades inativas em crianças, que desenvolvem “poderes” como telecinese, pirotecnia e até mesmo a viagem entre universos.

Da esquerda pra direita: Astrid, Broyles, Walter, Olivia, Peter, Nina Sharp (Blair Brown) e Lincoln Lee (Seth Gabel)

Também, conhecemos de perto quem são os seres conhecidos como Observadores (e até nos apaixonarmos por um deles), homens carecas de um distante futuro. Estes são uma raça humana ultra desenvolvida, que abdicou de suas emoções para dar lugar a uma super mente cognitiva, tornando-os capaz de viajar no tempo-espaço, “ler mentes” e prever todas as possibilidades de futuro (principalmente o imediato). No início, sua ocupação era apenas observar o curso da história, desde o começo dela, garantindo que tudo ocorresse exatamente como escrito (eles não podiam, em capacidade alguma, interferir).

Como uma espécie de bônus, a mitologia da série também trazia os glifos. Nosso alfabeto dá lugar a 26 variações de oito imagens: uma folha, a metade de uma maçã, uma flor, um cavalo marinho, um sapo, uma mão, uma borboleta e uma espécie de fumaça. Em cada uma delas, uma anomalia. Na maçã, por exemplo, cada metade possui uma semente, e cada semente um feto. Na mão, seis dedos. Na borboleta, o raio-x do esqueleto de dedos. A cada episódio, entre comerciais, o público recebia uma letra/imagem do alfabeto de glifos, formando uma palavra ao final, que se encaixava de alguma forma na trama do episódio e/ou na mitologia da série.

O alfabeto glifo de Fringe

A primeira temporada do programa foi recebida de uma forma positiva, mas morna, pelos críticos. A recepção melhorou nos anos seguintes, que elogiava a criação e expansão de conceitos, ao mesmo tempo que a audiência começou a declinar. No entanto, principalmente após seu final, Fringe se tornou uma série cult do gênero e entrou para o hall de famosas séries scifi, como as já citadas Além da Imaginação e Arquivo X, que são influências claras da produção. Também, serviu de inspiração para novas gerações, como Stranger Things.

Na fan arte, o artista reune alguns dos principais personagens da série (no fundo, Leonard Nimoy deu vida à Willian Bell, parceiro de laboratório de Walter Bishop) e alguns dos eventos mais importantes

Após o seu fim na televisão, Fringe deu continuidade a sua mitologia em duas histórias em quadrinhos (Tales From the Fringe, em seis partes, e Beyond the Fringe), um jogo em uma realidade alternativa, uma enciclopédia oficial (supostamente escrita por Setembro, um dos Observadores) e três livros (cada um focado no trio de protagonistas). Em 2012, durante a Comic Con de San Diego, John Noble citou que um filme poderia ser feito no futuro, mas nunca chegou a ter novidades além disso. Por enquanto, Fringe continua apenas como uma série muito bem cultuada, com um público devoto que continua ativo, criando teorias, comentando novos achados ao longo da produção e alimentando as possibilidades alternativas deste rico universo de ficção científica.


vics

tem 22 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas. é o Diretor de Arte da revista, sendo o responsável pela criação da identidade visual da zine. ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta. ao todo, já assistiu o correspondente a 13 meses em Séries, três meses em Filmes e em 2017 foram dois meses em reprodução de Música.

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