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Pesadelo na Rua Z / “A Bruxa de Blair” (1999)

[tempo de leitura: 3 minutos]

Em 1999 e com um orçamento de US$60 mil, Daniel Myrick e Eduardo Sánchez, ambos diretores e roteiristas, tiveram uma sacada genial – alinhada a um marketing bem estratégico – e produziram um filme de terror de uma forma tão mirabolante que não são as cenas em si que dão medo, mas o contexto. A Bruxa de Blair foi lançado sob o selo de um filme ficcional gravado e divulgado como um documentário real, de modo que até mesmo as experiências e reações dos atores eram verdadeiras.

Na trama, três estudantes de cinema, Heather Donahue, Michael C. Williams e Joshua Leonard – cujos atores se interpretaram e possuem os mesmos nomes dos “personagens” –, decidem fazer um documentário sobre a lenda da Bruxa de Blair, e viajam até a cidade de Burkittsville, antes chamada de Blair, para entrevistar os moradores e investigar a floresta da cidade, local onde a bruxa teria atuado.

Logo que começam a perambular pela floresta, o grupo passa por situações bem complicadas. Eles se perdem (mesmo tendo um mapa) ouvem sons estranhos à noite e brigam muito entre si. Tudo isso foi documentado, pois os estudantes estavam filmando todo o percurso. Obviamente, não demora muito para que eles se arrependam da ideia.

Pelo orçamento curto, todo o terror do filme é feito pela sensação de vertigem da filmagem feita pelos próprios atores, num estilo chamado found footage, e no pânico do próprio elenco. Para tornar tudo mais realista, o grupo ficou oito dias na floresta, com pouquíssima comida, sem informações do que estava acontecendo e sendo assustado pela produção quando anoitecia. Não tem assombração aparecendo, efeitos visuais bem produzidos ou trilha sonora marcante. O que dá medo é ver a experiência e angústia deles. Tem que ter coragem para participar de um filme assim.

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Quando o longa foi lançado, a internet estava começando a se popularizar e poucos filmes usavam o meio online para divulgar o trabalho. Como a apresentação da película foi feita como um documentário, muitas pessoas acreditavam que tudo era real, e até chegaram a mandar mensagens de condolências para a mãe de Heather. Para você ver que as fake news na internet não são tão recentes assim.

Toda a simplicidade da filmagem e do roteiro (que tinha apenas algumas instruções sobre a história), alinhada às reações reais dos atores, tornam A Bruxa de Blair um grande marco na história dos filmes de terror. Ainda que as cenas mais assustadoras não deem tanto calafrio quanto em outras produções mais elaboradas, a angústia ao assistir é enorme. Esse é um excelente exemplo de como as películas de horror são se garantem apenas com efeitos visuais, o que importa mesmo é uma ideia extraordinária e um roteiro bem feito.

Além de assustar e gerar muita repercussão, A Bruxa de Blair também gerou muito lucro, arrecadando US$ 248,6 milhões e estando entre os 100 filmes americanos com maior faturamento. Em 2000 e 2016 foram lançadas as continuações, mas nenhuma fez tanto sucesso quanto o longa original.

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DOCUMENTÁRIO
Para quem tiver interesse, o site de divulgação ainda está no ar como um documentário e complementa a experiência de assistir ao filme.

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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