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Sucesso e divulgação de clipes músicas recheados de críticas sociais tem causado discussões na internet, tanto sobre a linguagem quanto das temáticas usadas

Sucesso e divulgação de clipes músicas impactantes e recheados de críticas sociais causam discussões interessantes na internet, tanto a respeito da linguagem quanto sobre as temáticas trabalhadas. 


OO clipe de A Música da Mãe, do rapper Djonga, deu o que falar o último mês. O principal alvo da polêmica foi a voadora que atinge um garoto branco logo no começo do vídeo. Alguns internautas (brancos, em sua maioria) acusaram Djonga do famigerado racismo reverso. Em seguida, diversos fãs do rapper rebateram as críticas apontando como muitas pessoas questionaram o ato demonstrado no clipe, mas não percebem as diversas atrocidades contra minorias que não só também são representadas no vídeo, mas que se repetem todos os dias na sociedade.

A produção como um todo, repleta de referências, aborda temas urgentes, como racismo, machismo e violência policial. “Mesmo assim querem me colocar na cela lá. Se me vêm passando no Focus de teto solar é batida e porrada, Eu acho que é sempre assim que terminam os contos de fada”, diz parte da letra. A recente discussão dominou os fóruns e paginas da internet no últimos mês, reacendendo o fogo de uma constante e corriqueira onda de clipes músicas que confirmam a potência sócio-política desta forma de expressão musical.

O vídeo de Djonga foi comparado ao fenômeno estado-unidense This is America, de Childish Gambino (a.k.a. Donald Glover), lançado também 2018, que escancara o racismo presente na sociedade norte-americana, com referências ao massacre de Charleston (em que um branco invadiu uma igreja afro-americana e matou nove pessoas negras) e à morte de Stephon Clark pela polícia. O vídeo propõe diversas análises e faz referências e correlações entre citações bíblicas, ações do movimento negro nos EUA, à repressão policial e as ações causadas por racismo institucionalizado, dentre outras temáticas em diversas cenas.

É impossível falar de clipes políticos sem mencionar a diva pop Beyoncé. Com Formation, em 2016, a cantora denunciou a violência policial e reforçou a importância de se valorizar a beleza de pessoas negras: “Eu gosto do cabelo do meu bebê, com cabelo de bebê e afro / Eu gosto do meu nariz negro com as narinas do Jackson 5”. Com a repercussão do clipe, o programa Saturday Night Live fez uma paródia hilária sobre a reação dos norte-americanos à Formation, intitulada O dia em que Beyoncé virou negra“. Dois anos depois, Queen B lançou a música Apeshit, com um vídeo também repleto de simbologia. Para começar, o cenário da produção foi, nada mais nada menos, do que o Museu do Louvre (ambiente majoritariamente frequentado por brancos e pessoas de classe alta).

No clipe da artista, são corpos negros que ocupam esse espaço. A coreografia em frente à pintura The Consecration of the Emperor Napoleon and the Coronation of Empress Joséphine, de Jacques-Louis David, representa uma inversão da história: dessa vez, não é o colonialismo francês que está sendo coroado, e sim Beyoncé. A cantora aparece também em frente à Vênus de Milo, conhecida como a deusa da beleza. Os padrões do que é normativamente considerado belo são, portanto, expandidos.

Se muitos clipes são elogiados por representarem bens as causas sociais, outros podem ser criticados por reafirmar o preconceito. O vídeo de Me Solta, de autoria do Nego do Borel, não agradou boa parte da comunidade LGBTQIAP+. No clipe, o cantor, que é hétero, se fantasia de mulher e beija outro homem. Tudo acontece de maneira bem caricata. Boa parte da polêmica se deu pelo fato de que o artista tem uma foto com o candidato à presidência Jair Bolsonaro, reconhecidamente homofóbico. Vai Malandra, de Anitta (a empoderadora que não se posiciona contra esse mesmo candidato homofóbico, racista e misógino) também dividiu opiniões: alguns afirmaram que o clipe só reafirma a objetificação do corpo feminino, enquanto outros disseram que, no vídeo, a mulher é representada como dona do próprio corpo. Você Não Presta, de Mallu Magalhães, colocou a repercussão da cantora em xeque – o clipe foi acusado de objetificar os corpos negros.

Não, não existe fórmula mágica para a boa aceitação de um clipe, mas as produções corajosas, simbólicas e realmente críticas ganham cada vez mais destaque (e claro, viralizam).


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