Navegando pela internet

Navegando Pela Internet

“WiFi Ralph: Quebrando a Internet” trata de assuntos importantes e traz uma solução visual bastante criativa para a nova aventura de Ralph e Venellope.


Quando o excelente Detona Ralph estreou em 2012, iniciou-se uma leva de animações Disney que desconstruíam clichês e padrões do estúdio de antigamente, seguido por filmes como Frozen: Uma Aventura Congelante (2014) e Moana: Um Mar de Aventuras (2016). Em WiFi Ralph: Quebrando a Internet, o estúdio brinca consigo mesmo, se referencia e desconstrói personagens antigos, sem se esquecer de contar uma boa história e envolvente.

No novo longa, Ralph (John C. Reilly) e Vanellope (Sarah Silverman) precisam deixar o fliperama e adentrar o mundo da Internet para buscarem uma peça fundamental para que o jogo Corrida Doce não seja desligado e continue funcionando. Assim, o que podia ser uma simples aventura de caça a um artefato, se torna uma jornada interna para cada um dos dois protagonistas e, consequentemente, par a relação dos dois. Ralph vê na menina sua melhor amiga e acaba desenvolvendo um comportamento protecionista que não é saudável,  já que ela está passando por um processo de autodescobrimento e crescimento interno. É nesse ponto que o filme toca em um ponto tão delicado e tão atual: o relacionamento tóxico entre duas pessoas, que não precisa ser necessariamente entre um casal romântico. Os dois protagonizam um arco dramático que passa uma importante mensagem.

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Mais deslumbrante que a história e a discussão trazida pelo filme,  é o seu visual. A Internet é pensada e apresentada de um jeito criativo, revelando soluções visuais coloridas e cheias de textura para simples coisas do mundo virtual. Os pop-ups, as propagandas inconvenientes, o buscador (genial!) e os likes são apenas alguns dos divertidíssimos elementos do filme. Nesse ponto, WiFi Ralph soa muito como um filme Pixar, que em todos os seus filmes faz a pergunta: “e se ____ tivesse vida?”. Pois bem: os estúdios Disney souberam muito bem dar vida à Internet que está tão presente no nosso dia a dia.

Em meio a tanta criatividade, o longa apresenta milhares de referencias aos próprios filmes e produtos Disney. Sendo direto: sim, as princesas protagonizam os melhores momentos do filme. Um já fora mostrado em demasia nos trailer (e acaba perdendo o impacto), mas o outro é sensacional, surpreendente e um verdadeiro pedido de desculpas da Disney à essas personagens tão incríveis. Os boatos de uma série para esse time de princesas juntas no futuro serviço de streaming da empresa está tomando força – e se acontecer, o sucesso é certo. Além delas, é claro, o filme referencia todo o resto do império: Star Wars, Marvel, as outras animações… É tudo muito rápido, mas enche os olhos.

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Sem muitas novidades na trama, há apenas uma nova personagem que se destaca e ganha um peso maior que as rápidas participações de todos os outros coadjuvantes: a Shank (Gal Gadot), do jogo Corrida do Caos. Isso é um dos pontos em que a sequência perde para o primeiro filme. Além disso, o vilão em questão e todo o desenvolvimento do terceiro ato é bem aquém se comparado com o seu antecessor, soando quase genérico. Contudo, a forma como Ralph encontra a solução para o problema, fechando com o tema tomado em discussão no filme, salvam o desfecho que passa uma mensagem, no fim das contas.

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WiFi Ralph: Quebrando a Internet felizmente não só se apoia em referências e um visual bacana. Apesar de não conseguir ser tão inventivo em sua história quanto o primeiro foi, o filme traz uma discussão importante, desenvolve um arco novo para seus personagens e é repleto de momentos divertidos. Ralph destrói a Internet, mas mostra como construir melhor suas amizades.


OSCAR 2019

Indicações: 1.

  • Melhor Animação

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