Poder, tradição e representatividade

Poder, Tradição E Representatividade
[tempo de leitura: 4 minutos]

“Podres de Ricos” investe pesado em um elenco asiático para contar uma história de amor, mostrando, sem esteriótipos, o lado cultural da Singapura.


Existem três palavras que podem definir o filme Podres de Ricos, lançado no dia 25 de outubro: poder, tradição e representatividade. Baseado no livro Asiáticos Podres de Ricos, escrito por Kevin Kwan, o longa vai levar o público a uma viagem cultural por Singapura, mostrando a forte tradição que existe entre os orientais.

A trama da película é focada em Rachel Chu (Constance Wu), uma professora de economia bem sucedida que viaja junto de seu namorado Nick Young (Henry Golding) para Singapura, com o objetivo de conhecer os Young e participar do casamento do melhor amigo de Nick. Conhecer a família de seu namorado é uma pressão e tanto, mas fica ainda pior quando Rachel descobre que eles são podres de rico e uma espécie de realeza em Singapura, com a matriarca da casa sendo extremamente tradicional à cultura. Rachel, por outro lado, não tem nenhum parente importante ou conhecido, tendo sido criada por sua mãe, que há anos emigrou da China para os Estados Unidos, fazendo dela sino-americana.

O que era para ser uma viagem tranquila e relaxante para o casal, acaba se transformando em uma série de problemas. Rachel é atacada por Eleanor Young (Michelle Yeoh), a mãe de seu namorado, uma mulher que acredita que seu filho pode encontrar alguém melhor e de seu próprio nível, e pela ex-namorada de Nick, que tenta amedrontar Rachel de todas as formas. Além do dinheiro, que é um fator importante na relação, também há questão das tradições. Por mais que Rachel seja filha de uma chinesa, a sua forma de agir e pensar é bem diferente das mulheres orientais: ela é independente e segue suas paixões, se distanciando das mulheres orientais, que criam os seus filhos para seguirem um caminho já trilhado e não por um sentimento. O tradicionalismo dos orientais, muito presente na família Young, é tão forte que chega-se a afirmar durante a trama: “Se as tradições não forem passadas para frente, elas morrerão”.

O dinheiro, a cultura e as tradições vão se tornar um grande obstáculo a ser superado por Rachel e Nick. E, talvez, o amor entre os dois não seja forte o bastante para superar essas diferenças tão gritantes. Os dois são colocados diante de um grande dilema: amor ou família. Caso Nick escolha ficar com Rachel, isso vai significar uma ruptura com sua família; e se ele abrir mão de seu amor por conta de sua família, é provável que ele fique amargurado por tal decisão pelo resto de sua vida.

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Rachel conhece Eleanor Young, a mãe de seu namorado, Nick

Inclusive, essas barreiras não afetam somente Rachel e Nick. Astrid (Gemma Chan), prima de Nick, sofre com os mesmos problemas com o seu marido, Michael (Pierre Png). Os Young não o consideram bom o suficiente para Astrid, e acreditam que ela poderia ter conseguido alguém melhor, de forma que o casal discute constantemente por esse motivo.

 

Representatividade

É possível perceber que cada vez mais a representatividade está se tornando um fator importante nos filmes, como se pode observar em Pantera Negra (2018). O mesmo acontece com Podres de Ricos, uma vez que seu elenco é composto apenas por atores asiáticos ou sino-americano. A última produção desse porte aconteceu em 1993, em O Clube da Felicidade e da Sorte, de Wayne Wang. Em 2012, de acordo com os dados da pesquisa divulgados pelos Centro de Pesquisa Pew, a população asiática atingiu um recorde de 18,2 milhões de habitantes nos Estados Unidos. Dessa forma, é importante que as produções culturais abordam essa parcela da população, porém não de forma estereotipada.

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Em uma entrevista publicada na revista Galileu, a atriz Constance Wu falou sobre a importância dessa representatividade presente no filme:

“Acho que o que é tão especial nesse filme é que as pessoas que viveram essas histórias são as que irão contá-las. Jon Chu (o diretor) teve a experiência de ser um homem asiático-americano, Adele Lim (roteirista) é asiática-americana… Acho que é mais do que uma simples conversinha, porque nós não estamos só falando de diversidade para ser politicamente correto, nós estamos falando de representatividade. E isso não tem nada a ver com diversidade, tem mais a ver com contar a história de uma cultura que é diferente daquela dominante.”

Tudo em Podres de Ricos é construído para aproximar o espectador da cultura Oriental, inclusive demonstrando a diferença de pensamento e comportamento em relação ao mundo Ocidental. O filme emerge na cultura local de Singapura mostrando um pouco da culinária local. Apesar da cidade ser reconhecida por seu modernismo, Singapura é famosa por seus centros de comida, os Hawker Centers e alguns pontos turísticos importante. Além disso, a trilha sonora do filme adaptou músicas conhecidas para versões em chinês, uma forma de estabelecer uma conexão mais profunda com a audiência.

A película foi dirigida por Jon M. Chu, que conseguiu transformar uma história clichê em uma comédia romântica irresistível, uma das melhores lançadas neste ano. Contribuiu muito para esse sucesso o ótimo roteiro, que desenvolveu muito bem os personagens, inclusive os secundários. Constance Wu brilhou ao interpretar Rachel, uma personagem super inteligente, independente e que enfrenta todas as situações de cabeça erguida. Outro grande destaque é Awkwafina, que interpreta Peik Lin Go, sendo a grande responsável pelos momentos de humor e descontração.

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No geral, Podres de Ricos é uma comédia romântica gostosa que foge do convencional ao aprofundar na cultura asiática e em suas tradições. Pode ser facilmente considerado como uma das melhores comédias românticas lançadas até então, além de apresentar uma grande representatividade.


bruna curi

tem 20 anos, é estudante de Jornalismo, mineira, capricorniana e blogueira nas horas vagas. apaixonada por Livros, Filmes e Séries. gosta de escrever, é uma de suas maiores paixões.

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