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A alma da Pixar

[tempo de leitura: 4 minutos]

Em “Soul”, Pete Docter resgata a essência da Pixar em uma animação que retrata os anseios, a beleza e o sentido da vida.


EEm meio a todos live actions que a Disney vem lançando – releitura dos seus clássicos que marcaram gerações –, encontrar um filme original da Pixar acaba sendo um grande refresco de criatividade. E como o próprio nome de Soul adianta, essa película é a alma da Pixar.

Dirigido por Peter Docter e Kemp Powers, Soul conta a história de Joe Gardner (Jaime Foxx), um professor de música completamente apaixonado pelo jazz e que sonha em trabalhar na área como um músico de sucesso e reconhecido. Depois de anos tentando conseguir uma oportunidade, Joe recebe o convite para participar de um ensaio com Dorothea Williams (Angela Bassett), uma famosa musicista de jazz, para, quem sabe, participar de um show dela.

Contudo, ao conseguir a chance que tanto estava esperando, a vida de Joe sofre uma reviravolta quando ele sofre um acidente. A alma do protagonista embarca para outra dimensão, numa espécie de “mundo das almas”, e a partir daí ele começa uma longa jornada para retornar à Terra, continuar sua vida e conseguir se apresentar junto de Dorothea Williams.

No meio de toda essa andança, Joe acaba indo parar em um seminário que ajuda a preparar as novas almas para a vida na terra para que elas possam arrumar sua verdadeira vocação e paixão. Assim, ele é designado a mentorar 22 (Tina Fey), uma alma rebelde que não quer ir para o plano físico de jeito nenhum. Mesmo se tratando de um engano, o aspirante a músico decide tentar ajudar a jovem-velha alma – tudo, com a expectativa de aproveitar da situação para tentar retornar à vida.

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Encontrar uma vocação para 22 acaba sendo mais difícil do que Joe poderia imaginar, logo sendo explícito o contraste entre os dois personagens: enquanto Joe está louco querendo voltar para a vida terrena, 22 não consegue ver objetivos de uma vida lá e acha que a existência física seria terrível.

 

 

jornada das almas

Uma marca dos filmes das Pixar são as mensagens reflexivas a respeito da vida, capazes de conversar tanto com as crianças quanto com os adultos – uma característica não poderia ser diferente em Soul.

Constantemente, a película traz a mensagem sobre encontrar a paixão da sua vida, assim como aquilo que te guia e seus objetivos. E sendo impossível não se emocionar com a trajetória e a transformação que Joe e 22 passam ao longo da trama, algo que chama atenção ao longo do filme é a ambientação e a construção do mundo das almas.

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Para poder desenvolver a nova dimensão, a equipe de Soul se inspira no aerogel (também conhecido por ser o sólido mais leve do mundo) para criar a aparência das almas. O time por trás da animação não queria que as almas tivessem uma aparência fantasmagórica e, ao mesmo tempo, elas não deveriam se parecer com pessoas vivas. Inclusive, é interessante destacar a diferenciação no design que as almas têm no longa: as almas que já morreram, como é o caso de Joe, e as almas que vão nascer, igual a 22 – além dos gestores desse mundo.

Também, é necessário pontuar a representatividade em Soul. Esse é o primeiro filme da Pixar que tem um personagem negro como protagonista, além de contar com a presença de personagens secundários não-brancos que são importância para o desenvolvimento da trama. Foram mais de 20 anos para que a Pixar fizesse esse tipo de inclusão, de forma que é de se esperar que os estúdios continuem investindo em histórias que tragam esse tipo de representatividade e inclusão em universos ricos e culturais.

Além do filme discutir bastante sobre o sentido da vida, paixões e o que nos guia, Soul também fala bastante sobre arte ao abordar o jazz. Muito presente na película, esse braço tão importante da história da cultura negra permeia todo o longa, através da marcante trilha sonora, de relatos emocionais de Joe sobre o gênero musical, e de como essa manifestação artística está presente na vida do protagonista e daqueles que o rodeiam.

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Por mais que Soul tenha alguns elementos já conhecido dos filmes da Pixar, com algumas pessoas chegando a traçar paralelos com Divertida Mente (2015), o longa consegue trazer uma mensagem única, importante e reflexiva sobre a vida. Da mesma forma que ocorre com Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica (2018), nesta nova animação a jornada é mais importante do que o destino final, de forma que o filme também reforça a importância dos pequenos prazeres do dia-a-dia. Sem sombra de dúvidas esse é um longa que tem o potencial de emocionar pessoas de diferentes idades, em uma obra que reúne toda alma das produções Pixar.

bruna curi

tem 20 anos, é estudante de Jornalismo, mineira, capricorniana e blogueira nas horas vagas. apaixonada por Livros, Filmes e Séries. gosta de escrever, é uma de suas maiores paixões.

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