Madame X: a surpresa mais aguardada pelos fãs de Madonna há anos

Madame X: A Surpresa Mais Aguardada Pelos Fãs De Madonna Há Anos
[tempo de leitura: 3 minutos]

“Madame X” coloca a carreira de Madonna em um novo patamar com um álbum político e meio brasileiro, convergindo diferentes ritmos musicais.


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Imagem completa da capa da do disco, que faz referência a Frida Khalo

Depois de muita ansiedade e espera por parte dos fãs, singles questionáveis, parcerias controversas e clipes extremamente bem feitos, claro, Madonna finalmente trouxe ao mundo, no dia 14, o Madame X. E surpreendendo positivamente, como há algum tempo não fazia, a Rainha do Pop brinca com ritmos e revisita, ainda que brevemente, alguns hits de sua carreira.

God Control, que facilmente é uma das melhores faixas do álbum, é um exemplo. A canção inédita é elegante, pontual, saudosista e grandiosa. Com vocais levemente distorcidos durante a gravação, Madonna começa a canção em um tom que flerta com o dark. No entanto, logo em seguida, um coral entoa um cântico pra complementar, deixando os fãs de Like a Prayer em povorosos.

Teríamos um novo hino gospel? Não desta vez. Após sons de disparos, do que seria uma arma de fogo, uma batida de dance/disco music nos transporta a um novo patamar. Ponto positivo de Mirwais e Mike Dean, que assina a produção da música e promove a união perfeita quando associada à letra que faz um trocadilho com Gun Control, termo que diz respeito ao controle de armas nos Estados Unidos.

Seguindo os destaques de Madame X, Batuka é outra faixa que dá um tempero ao compilado, em uma música próxima aos sons típicos de regiões africanas. Provavelmente funcionará bem nos palcos da turnê, já que conta com frases ditas por Madonna e repetidas pelas Batukeiras, algo facilmente reproduzível pela plateia.

Na faixa mais experimental do álbum, Dark Ballet, a cantora expõe uma balada sombria que surpreende ao dar espaço para a Dança das Flautas, de Tchaikovsky. Tudo isso é arrematado com um clipe impecável que cria uma narrativa para Joana D’Arc, dirigido por Emmanuel Adjei e estrelado por Mykki Blanco – este último, um ativista negro que se define como transgênero e multigênero.

Killers Who are Partying mescla o Fado aos beats eletrônicos que permitem uma crescente bem intrigante na melodia. Além disso, enquanto reflete sobre a humanidade, Madonna canta com bastante sotaque o refrão em português.

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Capa da versão deluxe

Se no repertorio há diversos acertos, as parcerias são no mínimo questionáveis. Os feats com Maluma em duas musicas são completamente descartáveis. Medellin, escolhida como a primeira faixa de trabalho do Madame X, é de longe a pior do canção do disco. Já o raggeaton Bitch I’m Loca, embora não seja tão ruim, é extremamente previsível e descartável.

Em Future, é a hora em que a Rainha do Pop flertar com o raggae. A gravação é parceria com o rapper Quavo e parece preencher uma lacuna na conclusão do álbum ou, até mesmo, a reciclagem de alguma faixa do seu último disco, Rebel Heart. lançado em 2015.

Quem também marca presença em Madame X é a brasileira Anitta. Com uma releitura do hit português Faz Gostoso, da artista Blaya, as duas cantam em português brasileiro e inglês. Colaboração bem sucedida e divertida, Faz Gostoso, da Madame X, provavelmente vai ser sucesso – pelo menos no Brasil.

Crave é o segundo single do álbum e traz Madonna se jogando no R&B ao lado de Swae Lee. Uma tentativa de dialogar com as rádios e plataformas digitais que soa interessante.

De modo geral, Madame X é um belo compilado pop que merece atenção dos fãs do ritmo e se consagra como um dos melhores trabalhos recentes da cantora. E a Rainha do Pop já tem o #1 da Billboard 200 pra provar – e aclamação dos críticos.

jader theóphilo

Jornalista e produtor de conteúdo. Escreve, principalmente, sobre assuntos culturais.

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