Enfim, Titãs

Enfim, Titãs
[tempo de leitura: 7 minutos]

“Titãs” estreia a segunda temporada com grande potencial e atuações fortes, mas volta a falhar com alguns aspectos de sua narrativa.


AA verdade seja dita. A DC não é forte nos cinemas, mas seu catálogo de heróis está em peso na grade televisiva norte-americana há anos. Entre os diversos títulos está Titãs, a primeira produção original do serviço de streaming da DC, DC Universe.

 

Titãs

Os heróis chegaram na plataforma em 2018, quando o público pode assistir uma roupagem mais adulta da equipe então conhecida como Jovens Titãs. Na temporada de estreia, fomos apresentados a Dick Grayson/Robin (Brenton Thwaites), Kory Anders/Koriand’r/Estelar (Anna Diop), Rachel Roth/Ravena (Teagan Croft) e Garfield Gar Logan/Mutano (Ryan Potter), reunidos pelo destino em um quarteto que mostrava portes de super-heróis.

 — Crítica da primeira temporada de “Titãs” 

Além da polêmica do episódio final cortado, o ano foi marcado por altos e baixos, a. Ainda sim, Titãs foi capaz de entreter o seu público e prender a atenção dos curiosos que se aventuraram além dos primeiros episódios, com atuações fortes e um grande peso dramático.

Em 2019, os jovens heróis voltaram para mais.

 

Ano 2

É importante pontuar, logo de cara, que, embora tenhamos até o momento duas temporadas de Titãs, é fácil considerar a história até então como uma única temporada. Principalmente se levar em consideração o tal episódio final cortado, utilizado como season premiere do segundo ano – supostamente picotado.

Se no primeiro ano vemos a série introduzir a história dos nossos protagonistas e mesclar ela com a história da formação anterior de Titãs, o segundo ano vem para desamarrar todas essas pontas e estabelecer melhor essa dinâmica. Assim, temos 25 episódios que mostram o que aconteceu para a equipe original não existir mais e porque Dick Grayson está tão empenhado em fazer uma versão 2.0 dos heróis.

Paralelamente, a equipe precisam lidar não só com seus problemas internos, como também com a crescente problemática do retorno de um vilão do passado.

 — Crítica da primeira temporada de “Titãs” 

 

Prós

É impossível negar que Titãs seja uma série muito bem produzida. Cenas bem dirigidas, uma bela fotografia, lutas bem coreografadas e atuações fortes é o move a série e a faz valer a pena ser acompanhada. Mas, acima de tudo, o grande peso da produção da DC Universe fica com os seus personagens, graças a uma fusão entre um time de roteiristas e elenco talentosos, capazes de entregar complexidade e camadas aos jovens heróis.

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Nasce o Asa Norturna (Brenton Thwaites)

Neste segundo ano, Dick Grayson continua sendo o maior protagonista. Embora tenhamos que acompanhar a excruciante trajetória de culpa do personagem (muitas vezes sem motivo), somos recompensados pelo arco que mostra todo o seu processo de redenção, responsável por levá-lo a finalmente assumir o manto do Asa Noturna. É nessa hora que podemos assistir a uma cena emocionante que mostra o amadurecimento de Grayson, traduzido para a tela através de seu poder de combate e domínio do campo de batalha.

Mas se a estreia do uniforme azul já era esperado pelos fãs, Titãs surpreende ao dar espaço para Jason Todd roubar os holofotes. Curran Walters é responsável por uma carga emocional e dramática que merece ovação, ao interpretar um personagem que está beirando o limite da depressão.

Acompanhamos um Robin emocionalmente sobrecarregado, cujo maior desejo (mesmo que ele não tenha consciência disso) é encontrar alguém que o ajude a navegar sua personalidade controversa e seus problemas enraizados. Ao longo de 13 episódios, somos capazes entender um pouco mais de onde vem o seu perfil estourado e o estilo de vida inconsequente, motivos pelos quais ele é constantemente se coloca em situações onde é apontado como o precursor dos problemas.

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Curran Walters como o Robin, na segunda temporada

Assim como Todd, alguns outros personagens tem a chance de um espacinho para si. Entre eles estão, principalmente, Dawn Grange/Columba (Minka Kelly) e Hank Hall/Rapina (Alan Ritchson), cujo relacionamento amoroso começa a ser problematizado após uma primeira temporada que explica o que os colocou juntos, e Kory Anders, cuja descoberta de seu passado passa a interferir não só para o seu dia-a-dia como também na execução de seus poderes e na dinâmica com o grupo.

 — Crítica da primeira temporada de “Titãs” 

 

Contras

Se por um lado Titãs é claramente movido pelos seus personagens, por outro a forma de narrar essas histórias se apresenta como um dos problemas da produção. Com o primeiro ano, era perfeitamente aceitável a dinâmica de um episódio focado em um determinado personagem, com o seu fio da narrativa principal acontecia nos bastidores (no caso, o mistério sobre o pai de Rachel). Mas para o segundo ano, essa estrutura fica um pouco maçante e parece não chegar a lugar nenhum, com arcos que poderiam ser facilmente reduzidas, dando espaço para outras resoluções mais importantes ou interessantes.

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Da esquerda pra direita, os Titãs originais: Moça-Maravilha, Aqualad, Robin, Rapina e Columba.

Não é difícil perceber que o público da série buscar assistir a tal versão 2.0 dos Titãs entrando em ação. Ainda que o show traga algumas cenas de lutas e combates, boa parte do foco da sua segunda temporada são os dramas que levaram ao fim da formação original, composto por Grayson, Donna Troy/Moça-Maravilha (Conor Leslie), Dawn, Hank e Garth/Aqualad (Drew Van Acker), o que deixa as coisas um arrastadas – já que ninguém estava se perguntando sobre a versão 1.0.

E sem ter aprendido com a primeira temporada, Titãs continua sub-utilizando alguns de seus personagens, como é o caso do Mutano (de novo), que embora ganhe um espaço maior acaba servindo para pouca coisa. Também, Donna Troy parece existir com o único propósito de se sentir traída pelos segredos de Grayson, ao mesmo tempo em que seu arco do episódio final é completamente inaceitável e problemático pela forma como se dá.

Vale lembrar também que chegamos ao final de mais uma temporada sem Kory, Rachel e Gar terem total controle sobre seus poderes, muito menos assumindo seus alter-egos heróicos de Estelar, Ravena e Mutano – apesar de Teagan Croft adotar um visual mais próximo de sua personagem. 25 episódios e o único que chega onde deveria estar é Dick Grayson, que aposenta o Robin e assume o Asa Noturnalembram quando eu falei que Titãs poderia ser facilmente chamado de “Dick Grayson e Seus Amigos? Pois é.

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As mulheres de Titãs: Rachel, Kory, Dawn e Donna

Mas para além de alguns de seus personagens, o problema mais perceptível de Titãs é a forma como eles lidam com seus vilões. Tanto Trigon (Seamus Dever), quanto Dr. Light (Michael Mosley), quanto Mercy Graves (Natalie Gumede) têm uma resolução que beira o ridículo.

Graves pelo menos ganha espaço durante o segundo ano para mostrar seu maquiavelismo, mostrando para o telespectador o motivo do braço-direito de Lex ser apresentada como uma vilã – mas seu final continua sendo cômico. Light, por outro lado, entra e sai sem arrepiar um fio de cabelo do corpo, enquanto Trigon só é temível porque conhecemos a história das HQs.

Apenas Slade Wilson, o Exterminador (Esai Morales), vilão principal da nova temporada, tem uma batalha real para chamar de sua – e que os fãs agradecem. Os roteiristas desenvolvem a história do mercenário fazendo-o letal e extremamente perigoso, em uma ilusão de que tudo que ele faz é justificável por ser pela segurança de sua família – ele é o único que acredita nisso. Mas no fim, o discurso de “somos uma família” é o que parece salvar os Titãs de todos os perrengues.

 

Adições

Se Asa Noturna, Ravena, Estelar, Mutano, Robin, Moça-Maravilha, Columba e Rapina não são motivo suficiente para fazer você assistir ao show, o segundo ano de Titãs traz novas estrelas.

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Dick Grayson e Bruce Wayne (Iain Glen)

No time dos mocinhos temos, por exemplo, Bruce Wayne (Iain Glen), em uma roupagem mais velha, que na série funciona como uma espécie de “poço de sabedoria”. É interessante ver como ele ainda é o que mais atormenta o consciente de Grayson, servindo-lhe como uma voz de contragosto, resultado do peso de culpa que o protagonista coloca no Morcego. É durante uma dessas interações que o público pode assistir uma intensa cena de combate entre o Batman e o Robin, fundamental para o arco do Asa Noturna.

Além de BruceTitãs também introduz os novos membros da família: Conner/Superboy (Joshua Orpin), Krypto/Supercão, Jericho (Chella Man) e Rose (Chelsea Zhang). O trio humano fica a cargo de três jovens promissores, com Joshua estreando como um Superboy inocente e maleável, enquanto Chelsea é responsável por uma Rose de temperamento adulto. Chella, por sua vez, interpreta um doce e carismático Jericho, servindo como mais um elo de representatividade – Jericho perdeu a capacidade de falar, e Man é um jovem homens trans surdo.

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Superboy e Krypto, o Supercão

No time de vilão, temos, como já citado, a breve participação de Trigon, além do Exterminador e Mercy Graves. Lex Luthor, embora não apareça, recebe algumas citações ao longo dos 13 episódios. E, para fechar, a Rainha de Tamaran, Komand’r/Estrela Negra (Damaris Lewis), a irmã e inimiga de Kory – apresentada como a vilã para a terceira temporada do programa.

 

Ano 3

Para o bem ou para o mal, Titãs já está com sua terceira temporada garantida e confirmada. Novamente, resta esperar que o próximo ano foque mais em levar nossos protagonistas para frente, invés de apenas ficar revisitando problemas do passado. E já que o ano terminou em unidade, está mais do que na hora de atender as expectativas dos fãs.

Vics

vics

tem 24 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas, com um MBA em Comunicação e Marketing. é o Diretor de Arte da revista, sendo o responsável pela criação da identidade visual da zine. ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta.

ao todo, já assistiu o correspondente a 13 meses em Séries, três meses em Filmes e em 2017 foram dois meses em reprodução de Música.

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