Entre máscaras e blasters

Entre Máscaras E Blasters
[tempo de leitura: 4 minutos]

Com espírito de faroeste e filmes de samurai, “O Mandaloriano” é um ótimo (re)começo para Star Wars na televisão.


HHoje, ainda mais do que antes, é bem fácil olhar para algo e afirmar: isto é muito Star Wars. Isso porque, desde a aquisição da franquia pela Disney, em 2012, somos constantemente impactados por uma quantidade de produtos, conteúdo e marketing cada vez maior sobre a galáxia muito, muito distante e temos, em nossos imaginários, uma noção cada vez mais palpável a respeito do que é Star Wars. Desde a reintrodução da franquia aos cinemas, em 2015, com O Despertar da Força, era uma questão de tempo até que a Lucasfilm anunciasse a primeira produção em live-action para televisão. E, neste sentido, tudo começou quando Jon Favreau (Homem de Ferro e Mogli: O Menino Lobo) submeteu suas ideias para Kathleen Kennedy, a então presidente da Lucasfilm, que embarcou na ideia e o projeto de O Mandaloriano passou a tomar forma.

Anunciado como parte do lançamento do Disney+, serviço de streaming da empresa, O Mandaloriano é uma criação de Favreau e conta com produção executiva, dentre outros, de Dave Filoni, pupilo de George Lucas, responsável pelas séries televisivas em animação (Clone Wars e Rebels) que a Lucasfilm produziu nos últimos anos. Com o propósito de explorar alguns aspectos da mitologia criada por Lucas, o seriado conta a história de um caçador de recompensas que pertence à tribo dos mandalorianos e que ganha a vida entre um trabalho e outro.

A abordagem dos três primeiros episódios da série (serão oito) evoca bastante os filmes de samurai e western em seus tons, temas e fotografia, além de também puxar muitas referências visuais do Star Wars original, de 1977. Esse remix funciona naturalmente e o resultado é muito mais do que apenas uma auto-homenagem nostálgica ao universo da franquia.

O Mandaloriano, apesar de trazer um protagonista cujo rosto está sempre por trás de uma máscara, é uma produção que explora e demonstra como a movimentação corporal e interação física entre dois personagens, aliada ao design de produção e ao figurino, podem dialogar transversalmente com algumas emoções. Na verdade, há uma interação constante entre dois personagens e que acaba servindo como uma tela em branco.

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Pedro Pascal é O Mandaloriano

Um, como já mencionei, não vemos o rosto, o outro, não fala. Esse relacionamento, fio condutor da trama durante o primeiro arco da série, permite que o espectador projete uma gama de emoções e sentimentos que contribuem bastante para que ambos os personagens funcionem bem. Acredito, no entanto, que ainda há espaço considerável para explorarem melhor esta enigmática figura central de O Mandaloriano, além da ação a sangue frio e do pragmatismo da profissão.

Responsável por encarnar o ainda não nomeado mandaloriano, Pedro Pascal é um ator que ficou conhecido por sua atuação física e expressividade ao representar Oberyn Martell, em Game of Thrones. Aqui, por mais que ainda não tenhamos visto o rosto de seu personagem, ele consegue entregar uma performance bem comunicativa e com expressões sutis, porém acertadas.

Enquanto o piloto da série apresenta o caçador de recompensa entregando mais um trabalho, observamos contornos e traços característicos do submundo nas periferias da galáxia. Isso tudo em um cenário pós fim do Império Galáctico – a série se passa cinco anos após os eventos de O Retorno de Jedi, sexto episódio da Saga dos Skywalker.

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O Mandaloriano e os Trandoshans

Ainda que esteja muito inserida no contexto deste universo, O Mandaloriano não requer nenhum background do espectador além de conhecer os três primeiros filmes originais da saga. Isso porque a narrativa não é continuação direta de alguma trama já apresentada antes, mas sim uma nova história.

Dentre os demais personagens apresentados, destaco a participação do consagrado diretor, roteirista e ator alemão Werner Herzog, que interpreta o cliente responsável por entregar um trabalho ao personagem de Pascal. Apesar de alguns diálogos expositivos, Herzog traz muita naturalidade ao personagem e parece habitar aquele universo de maneira orgânica.

Outra grande surpresa fica por conta do compositor sueco Ludwig Göransson. Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original pelo trabalho em Pantera Negra, Göransson ficou responsável por orquestrar a produção de Favreau. O compositor sueco concebeu uma trilha sonora extremamente autêntica e que se encaixa perfeitamente na história de O Mandaloriano. Sem sequer soar muito nostálgica às trilhas clássicas de John Williams, as composições de Göransson têm um ar futurista e misterioso, mas que evocam com facilidade o clima de samurai/velho oeste da série.

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Banner de “O Mandaloriano”

Após um momento conturbado no fandom em função dos últimos lançamentos, acredito que a série inaugural do Disney+ vem para agradar gregos e troianos, pois explora um aspecto de Star Wars que não estamos tão familiarizados ainda. O modo como Favreau, Filoni e o resto da equipe têm abordado esta história acerta nas referências, faz justiça aos filmes e permite que O Mandaloriano expanda com autenticidade um universo que sempre estará em expansão.

Rafael Bonanno

rafael bonanno

com 25, é um Jornalista em formação, com o Cinema como grande paixão. seus interesses também se estendem por produção de conteúdo relevante, storytelling, experiências interativas, narrativas transmídia, Fotografia e produção audiovisual.

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