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Reinvenção e surpresas

[tempo de leitura: 4 minutos]

“Cursed: A Lenda do Lago” aproxima o público teen da lenda do Rei Arthur, surpreendendo com o protagonismo feminino e o universo de fantasia.


TTodos conhecem a famosa história do rei Arthur, o único capaz de retirar da pedra a espada mágica Excalibur e se tornar o merecedor do trono. E se antes de Arthur, a espada tivesse escolhido uma rainha? Essa é a proposta de Cursed – A Lenda do Lago, nova produção da Netflix. Em 10 episódios, a primeira temporada apresenta a jornada da jovem féerica (pessoa ligada à magia) Nimue (Katherine Langford) após o assassinato da mãe e a destruição da aldeia em que vivia pelos Paladinos Vermelhos, cruéis soldados associados à Igreja.

Nimue embarca em uma missão com o mercenário Arthur (Devon Terrell), com o objetivo de levar a lendária espada até o mago Merlin (Gustaf Skarsgård) cumprindo o último desejo de sua mãe. Cursed é baseado em um livro homônimo, escrito por Tom Wheeler e com ilustrações do quadrinista Frank Miller.

A produção chama atenção imediatamente pela caracterização inovadora de nomes já conhecidos. Na série, Arthur é um homem negro, mercenário e que defende os menos favorecidos, ao contrário da versão branca e honrosa que predomina nas diversas adaptações da história. Já Nimue, coadjuvante na lenda arturiana, se torna a protagonista. Na história original, a personagem era uma feiticeira, também conhecida como Dama do Lago.

No início de Cursed – A Lenda do Lago, a jovem era vista como uma aberração na aldeia em que vivia por ter poderes sobrenaturais. Motivada pela raiva, Nimue pode ferir seus inimigos, habilidade que a torna extremamente poderosa. Ela passa a ser conhecida como bruxa e perseguida pelo Paladinos Vermelhos, liderados pelo padre Carden.

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Katherine Langford como Nimue

Logo, um romance entre Nimue e Arthur se inicia, enquanto os dois seguem a missão de levar a espada a Merlin, que merece destaque especial. Bem diferente do mago sábio da lenda, o personagem apresenta mais energia, profundidade e ironia, com uma leve semelhança ao icônico Jack Sparrow de Johnny Depp. Acompanhamos o mago enquanto ele tenta recuperar seus poderes e trazer chuva ao reino, à pedido do Rei Uther (Sebastian Armesto). Por incrível que pareça, um Merlin sem magia pode ser ainda mais interessante do que sua versão poderosa.

Cursed – A Lenda do Lago tenta aproximar o público adolescente da lenda do Rei Arthur, aspecto nítido na escolha da protagonista. Langford acumula fãs de 13 Reasons Why e entrega uma boa performance como Nimue. A Netflix aposta na mesma linha medieval que consagrou The Witcher, mas de forma mais singela e próxima ao universo teen. É preciso destacar a personagem Pym (Lily Newmark), melhor amiga de Nimue, que foi o alívio cômico da atração. Arthur ainda não apresentou profundidade ou desenvolvimentos mais elaborados, mas Terrell é bem sucedido na interpretação e tem carisma. A química entre Nimue e Arthur, no entanto, parece precipitada e deixa um pouco a desejar.

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Gustaf Skarsgård como Merlin

O Monge Choroso (Daniel Sharman) é outro personagem que promete se destacar na segunda temporada. Ele é retratado como um cruel e impiedoso guerreiro, que ajuda o padre Carden na destruição do povo féerico, conhecido por ser praticamente imbatível. A escolha de Sharman também é excelente para alcançar o público adolescente, uma vez que já é conhecido por participações em Teen Wolf e The Originals.

Um ponto forte do seriado é a adaptação de personagens já conhecidos, como Morgana, Percival e Lancelot. Muitos são apresentados com outros nomes, e têm suas reais identidades reveladas posteriormente. O elemento surpresa deixa Cursed – A Lenda do Lago ainda mais instigante. O final da primeira temporada deixa muitas questões em aberto e provoca curiosidade para descobrir como será o desenvolvimento das novas versões desses personagens. Seguirão o mesmo caminho de suas versões originais? Seus passados serão contados? É um dos grandes mistérios de Cursed.

A construção do cenário, caracterização e a identidade visual também são muito bem feitos, criando ao mesmo tempo o caráter mágico e fantasioso do mundo féerico e a escuridão e crueldade nas cenas dos Paladinos Vermelhos. A passagem de uma cena para outra é feita por meio de animações, cujo desenho é assinado pelo consagrado Frank Miller.

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Arthur (Devon Terrell) e Nimue

Por fim, o seriado acerta ao falar de perseguição às minorias, intolerância religiosa, preconceito e destruição da natureza. A representatividade é bem colocada, com mulheres, negros e pessoas LGBTQIAP+ em papéis de destaque. Cursed – A Lenda do Lago sabe investir no público jovem que busca por narrativas mais adaptadas ao que pensam e próximas às suas realidades, mesmo se passando na Idade Média.

Sylvia Amorim

sylvia amorim

estudante de Jornalismo, ariana e apaixonada por Séries. ama escrever e é viciada em Rock e histórias de amor.

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