DE VOLTA A ESCOLA

DE VOLTA A ESCOLA
[tempo de leitura: 2 minutos]

“Ela Disse, Ele Disse” cumpre o objetivo como um produto de entretenimento, mas perde a oportunidade de ir além – considerando seu público-alvo.


DDepois de Fala Sério, Mãe!, outro livro de Thalita Rebouças ganha uma adaptação para o cinema: Ela Disse, Ele Disse estreia e mantém, assim como o anteriormente citado, as narrativas no mundo infanto-juvenil. E, apresentando, a perspectiva dos jovens Rosa (Duda Matte) e Leo (Marcus Bessa), o filme aborda a experiência de viver um ano escolar, em uma nova escola.

Ela Disse, Ele Disse deixa de inserir a troca de pensamentos entre os personagens principais para mostrar um convívio mais amplo entre os adolescentes do colégio, sem perder a fidelidade ao livro. Ali, no ambiente escolar, existem as panelinhas clássicas: a turma do Confusão, os nerds, e a garota popular, Júlia, interpretada por Maisa Silva. No corpo docente, o clichê passe pela durona diretora Madalena (Maria Clara Gueiros), a professora Fátima (interpretada pela blogueira Bianca Andrade), considerada a mais fofa do colégio, e o zelador Zuza (Aramis Marques), amigo dos alunos. O elenco é reforçado com Fernanda Gentil, no papel da mãe da protagonista Rosa, e Ângelo Paes Leme, como pai do Leo.

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A dupla protagonista, Marcus Bessa e Duda Matte

A equipe cinematográfica, majoritariamente feminina, com a direção de Cláudia Castro, roteiro de Tati Ingrid Adão e Thalita Rebouças, e produção de Paula Barreto, reflete na protagonista ideais feministas e um discurso contra a masculinidade tóxica. Em contra partida, Ela Disse, Ele Disse ainda tem uma visão estadunidense sobre as escolas, com bailes de formatura e o ambiente escolar hollywoodiano – bem diferente da realidade brasileira.

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Capa do livro que deu origem ao filme

O ponto mais alto do longa fica por conta dos alunos do nono ano do ensino fundamental, que se juntam para fazer um vídeo contra a expulsão de Rosa e Leo – mas sem spoiler do porquê. O filme se mostra muito consciente do uso de estereótipos para montar a narrativa, mas tenta mostrar cenas de representatividade e hashtags incentivando o amor, como #quembeijaémaisfeliz.

Ao final, Ela Disse, Ele Disse cumpre o objetivo de entreter, porém deixa a desejar no aprofundamento dos temas citados a cima. Era uma boa oportunidade de mostrar aos jovens que os estereótipos existem para serem quebrados, que o bonito é ser do seu jeito ou para gerar uma discussão sobre bullying e até abordar temas da comunidade LGBTQIAP+. Infelizmente, fica pra próxima…

clarice pinheiro cunha

tem 20 anos, aluna de jornalismo que não toma café. libriana, mãe de um gato. nunca vai recusar uma batata frita, uma caneca de chá e uma boa conversa.

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