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“Boca a Boca”: psicodelia, música energizante e questões sociais

[tempo de leitura: 3 minutos]

“Boca a Boca”, série brasileira da Netflix, surpreende com uma estética psicodélica e uma trilha sonora impecável que dão folego a história.


VVamos apoiar as produções nacionais? Neste mês de julho, a Netflix lançou mais uma série brasileira, com um timing perfeito para tempos de pandemia. Boca a Boca tem como temática uma doença misteriosa, que passa através do beijo e contamina diversos jovens.

A história acontece em Progresso, uma cidade do interior bem tradicional e conservadora, que tem sua economia baseada na atividade pecuária. Após uma rave, Isabel (Luana Nastas), a filha do prefeito, acorda com uma mancha preta na boca e tendo alucinações. Ela é imediatamente levada ao hospital e ninguém sabe dizer o que aconteceu com ela.

Logo em seguida, Fran (Iza Moreira), Alex (Caio Horowicz) e Chico (Michel Joelsas), amigos de Isabel, começavam a tentar entender o que aconteceu e como ela ficou doente. A explicação mais óbvia para o trio foi que Bel possivelmente foi contaminada ao beijar alguém na rave. Para tentar entender a transmissão, eles fazem um mapa do beijo, marcando quem beijou quem na festa, logo percebendo dois problemas. O primeiro deles é mais óbvio: será quase impossível descobrir quem transmitiu. E o segundo é que, possivelmente, boa parte da escola está contaminada.

Por ser uma cidade pequena, a notícia logo se espalha e os adolescentes se dividem em dois grupos: o que têm medo de beijar e os que querem desafiar a doença. Nem é preciso dizer que isso faz com que o vírus se espalhe ainda mais rapidamente, levando vários adolescentes a ficarem hospitalizados com os mesmos sintomas bizarros e sem uma cura.

Com imagens bem psicodélicas em tons de neon e uma trilha sonora impecável (com direito a Baco Exu do Blues, Letrux e The Knife), a série é extremamente atual, não só por se tratar de uma doença. Boca a Boca mostra os jovens modernos que se comunicam e se expressam através das redes sociais. Nós bem sabemos que, com os celulares, as informações se espalham mais rápido, sendo isso bom ou ruim, influenciando diretamente as dinâmicas sociais.

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Apesar de ser focada na doença, o seriado dá leves pinceladas em outras questões, como luto, homofobia, início da vida sexual, preconceito com o diferente e desigualdade social, dando um show de exemplo de como o modelo Casa Grande e Senzala ainda perpetua atualmente. Esse tipo de discussão é extremamente relevante ao mostrar que, mesmo no entretenimento, é possível e necessário adicionar críticas sociais.

Mesmo com uma estética impressionante e que faz arrepiar, Boca a Boca deixa um pouco a desejar. Com seis episódios com cerca de 40 minutos cada, a história segue um fluxo um pouco arrastado pelo tamanho e só se desenvolve mesmo bem no final. O vírus em si não é tão bem explicado e a possível fonte de contaminação parece ter sido escrita às pressas.

Claro que, mesmo com algumas falhas de roteiro, a produção nacional é boa de assistir e traz uma história bem criativa. Esmir Filho e Juliana Rojas, os diretores, conseguem mesclar bem a frieza da ficção científica com a sensibilidade das questões sociais e aflições dos adolescentes. E não posso deixar de falar que as cenas de beijo deram um banho nos beijos gringos. Muita língua, toque e calor humano filmados em plano detalhe. Sem aqueles beijos secos que Hollywood mostra como se fossem cheios de paixão.

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Ainda não foi confirmada uma segunda temporada para Boca a Boca, mas uma cena pós-créditos entrega que há mais história pela frente.

Deborah Almeida

deborah almeida

mineira, jornalista e feminista. viciada em filmes adolescentes e de terror, amante de seriados e enaltecedora das divas pop. tanto 8 quanto 80, apaixonada por palavras, colecionadora de cartão postal e louca dos tsurus de origami.

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