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Crise nas Infinitas Terras: o mega crossover do Arrowverse

[tempo de leitura: 13 minutos]

Com o mega crossover, o Arrowverse adaptou um importante arco dos quadrinhos, realizando drásticas mudanças no universo ficcional.


Nota do Colab: este texto contém spoilers.

 

QQuando Arrow estreou no canal norte-americano The CW, em 2012, os produtores do seriado nunca imaginaram criar o que viria a ser conhecido como Arrowverse. No entanto, o sucesso da série acabou abrindo espaço para que outros heróis da DC ganhassem suas próprias produções, constituindo o universo televisivo compartilhando do canal – e, posteriormente, o crossover anual entre todos os programas.

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A Trindade do Arrowverse: Flash, Arqueiro e Supergirl

Com a criação do Arrowverse, a DC conseguiu realizar, facilmente, o que não foi capaz no cinema: unir suas produções de uma forma coesa. Com uma logística muito mais simplificada, as seis séries que formam este universo são entrelaçadas como um todo ou apenas em partes, seja através de citações ou até mesmo aparições – se uma vez ao ano temos um crossover geral (que até já virou metalinguagem pro próprio universo), as vezes alguns personagens de uma série “visitam” outra produção.

E com uma recepção positiva tanto da crítica quanto do público, o Arrowverse não só reafirmou a consagração da DC na televisão, mas também encontrou a flexibilidade necessária para adaptar famosos arcos dos quadrinhos – além de brincar com o Multiverso.

 

Conhecendo o Arrowverse

Traduzido literalmente para “Arqueiro-verso“, o Arrowverse é o nome dado para o universo compartilhado das produções da DC dentro do canal estadunidense The CW. E por ser encabeçado pela série-mãe Arrow, é o Arqueiro quem acaba levando o título de “chefe”, além de funcionar como o “mentor” desses heróis – realizando o papel que normalmente seria atribuído a personagens como o Superman ou o Batman.

Ao todo, seis produções fazer parte do Arqueiro-verso. Assim, se Arrow (Arqueiro, na tradução nacional) veio em 2012, The Flash (Flash) veio em 2014, Supergirl em 2015, DC’s Legends of Tomorrow (Lendas do Amanhã) em 2016, Black Lightning (Raio Negro) em 2018 e Batwoman em 2019. Ainda, o Arrowverse trará as vindouras Green Arrow and the Canaries (2020) e Superman & Lois (em algum momento de 2020 ou 2021).

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Foto promocional do primeiro crossover principal do Arrowverse: “Invasion!”

Juntas, estas séries ainda formam a teoria do Multiverso da DC: a existência de um infinito número de universos paralelos, que abrigam suas próprias versões da Terra e dos nossos conhecidos heróis. Com excessão de Supergirl, que se encontra na Terra-38 por ter nascido na CBS antes de mudar para a The CW, todas as outras séries se passam em um único universo, na Terra conhecida como Terra-1. Outras partes do Multiverso a aparecerem no Arrowverse são a Terra-X, Terra-2, Terra-9, Terra-12, Terra-19, Terra-21Terra-66, Terra-89, Terra-96Terra-167, Terra-203, Terra-666 e uma Terra desconhecida.

Assim, ao longo de cinco anos, quatro grande eventos tomaram o Arrowverse (“Invasion!“, “Crisis on Earth-X“, “Elseworlds“, “Crisis on Infinite Earths“), além de outros quatro menores (“Flash vs. Arrow“, “Heroes Join Forces“, “Worlds Finest“, “Duet“). Ao todo, 21 episódios de cinco séries, envolvendo, primariamente, 46 personagens de nove produções diferentes da The CW.

 

Crossovers: o universo Pré-Crise

A primeira vez que duas séries do Arrowverse se encontraram foi em 2014. Flash vs. Arrow trouxe um arco onde um vilão capaz de controlar as emoções das pessoas transformou Barry Allen (Grant Gustin) e Oliver Queen (Stephen Amell) em inimigos. A história se estendeu em dois episódios: S01E08 (Flash vs. Arrow) de The Flash e S03E08 (The Brave and the Bold) de Arrow.

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Poster feito por fã

Em 2015, Heroes Join Forces (“Heróis Unem Forças“, em tradução literal) reuniu os dois heróis veteranos mais uma vez (S02E08 de The Flash e S04E08 de Arrow), agora em uma história para derrotar o vilão Vandal Savage (Casper Crump), dando espaço para o plot que origina a série Lendas do Amanhã – formado por personagens como Sara Lance (Caity Lotz), a Canário Branco, e Ray Palmer (Brandon Routh), o Átomo.

Em 2016 foi a ver da Kara Zor-El (Melissa Benoist) ser introduzida no universo, com Barry Allen atravessando uma abertura dimensional que o leva, acidentalmente, à Terra-38 – o universo de Supergirl. Worlds Finest (“Melhores do Mundo“; S01E18 de Supergirl) reune duas vilãs (uma de cada universo), precisando que os dois se unam para trocar informações e derrotar a dupla. Em 2017, a dupla volta a se reunir em um crossover extra-oficial, no episódio musical Duet (S03E17 de The Flash).

O primeiro grande crossover do Multiverso acontece em 2016, com Invasion! (“Invasão!“). O especial de três partes reune The Flash (S03E08), Arrow (S05E08) e Supergirl (S02E08), em um enredo que ainda conta com a presença das Lendas. No evento em questão, o Flash usa a brecha para levar Kara à Terra-1, onde uma raça de alienígenas conhecida como Dominadores estão tentando conquistar a Terra.

Invasion! é o pontapé para criar a narrativa principal dos crossover, que são construídos como um arco relativamente à parte das histórias das séries. Ainda que eles não afetam diretamente as histórias individuais do Arrowverse, eles são cronologicamente lineares a eles mesmos, além de gradativos – seja em enredo ou produção. Ou seja: começando por Invasion!, um crossover dá continuidade a história do outro.

Assim, chegamos em Crisis on Earth-X (“Crise na Terra-X“),o crossover de quatro capítulos exibido em 2017. Com Supergirl (S03E08), Arrow (S06E08), The Flash (S04E08) e DC’s Legends of Tomorrow (S03E08), o time de heróis, agora agindo sob uma identidade paralela dos SuperAmigos, luta contra versões nazistas do Arqueiro e da Supergirl, originários da Terra-X. O crossover então introduz mais a fundo a ideia do Multiverso, abrindo espaço para o vindouro evento anual, além de integrar mais do universo de Supergirl ao evento, adicionando os personagens da série como Alex Danvers (Chyler Leigh) e J’onn J’onzz (David Harewood), o Caçador de Marte.

Em 2018, Elseworlds (“Outros Mundos“) traz O Monitor (LaMonica Garrett) testando as Terras do Multiverso para a Crise que está por vir. Reunindo The Flash (S05E09), Arrow (S07E09) e Supergirl (S04E09), os heróis da Terra-1 se vêem em uma realidade reescrita por Dr. John Deegan (Jeremy Davies), onde Oliver é um velocista e Barry um arqueiro.

Em busca de normalizar tudo, Kara é levada à Gotham City, onde conhece Katy Kane (Ruby Rose), a Batwoman – personagem que é introduzida para fins de apresentá-la antes de sua ainda inédita série solo. O evento, que deixa de fora as Lendas, ainda leva Lois Lane (Elizabeth Tulloch) e Clark Kent (Tyler Hoechlin), ambos da Terra-38 de Kara, para o encontro e introduz ao universo Barry Allen (John Wesley Shipp), o Flash da série de 1990 – na série, ele é colocado como parte da Terra-90.

É então que em 2019 e 2020 o crossover chega em seu “capítulo final”, com a tal Crise prevista pelo Monitor.

ARROWVERSE NA NETFLIX
Na Netflix, até a publicação desta matéria (30.01.2020), é possível acompanhar os crossovers completos até Elseworlds.

 

Crise nas Infinitas Terras

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Pôster de “Crise”

Um dos arcos mais famosos dos quadrinhos da DC é a Crise nas Infinitas Terras, uma história cujo objetivo principal é simplicar as linhas temporais e unificar melhor o Multiverso. E com uma construção mais coesa, o Arrowverse foi a plataforma escolhida para adaptar essa história.

Após serem avisados pel’O Monitor que a Crise está por vir, os heróis da Terra são finalmente convocados com a chegada desta invisível ameaça: uma onda de energia que está apagando o Multiverso, Terra por Terra, sendo liderada pelo Anti-Monitor. Com a Terra-38 sendo o point of no return, os SuperAmigos precisam se reunir novamente, desta vez viajando através do Multiverso em busca de outros heróis dispostos a se unirem à causa.

Crise nas Infinitas Terras é um evento de cinco episódios, começando por Supergirl (S05E09), pulando para Batwoman (S01E09), passando por The Flash (S06E09), indo em Arrow (S08E08) e finalizando em DC’s Legends of Tomorrow (S05E00). Ainda, o especial inclui a participação inédita de Jefferson Pierce/Raio Negro (Cress Williams), direto da Terra-2, além de trazer Superman e Lois Lane de volta.

 

Analisando a Crise

Em primeiro lugar, é preciso frisar que estamos considerando apenas o crossover, ignorando por completo as histórias individuais que cada uma dessas séries envolvidas carregam – até porque eu não assisto três delas. Em segundo lugar, é de extrema importância termos em mente que estamos tratando de um evento televisivo, cujo orçamento é infinitamente menor ao de uma produção cinematográfica. Ainda, essas séries são partes de um canal cujo público alvo são adolescentes e jovens-adultos, apresentando produções mais voltadas para o entretenimento e menos interessadas em criarem enredos complexos e elaborados – diferente de canais-primos como a HBO, com a minissérie Watchmen.

Tendo esses três pontos fixados, é inegável que Crise nas Infinitas Terras é um deleite tanto para os fãs do Arrowverse quanto das produções da DC. O crossover tem completa consciência de seu papel, sabendo brincar muito bem com o Multiverso enquanto carrega sua história e desenvolve os seus arcos. E enquanto os SuperAmigos viajam pelas diferentes Terras à trabalho, o telespectador tem uma oportunidade única de não só reencontrar rostos familiares, mas também revisitar suas séries favoritas em uma divertida viagem ao passado – e presente – da DC.

É transitando entre o humor e o drama que o Arrowverse se encontra, criando narrativas simples mas eficazes para o resultado que eles almejam. A ideia de amizade e família é a principal veia que percorre o corpo dessas produções, com cenários que demonstram que heróis: 1. não são apenas aqueles com super-poderes, 2. os super-poderosos são tão humanos e falhos quanto nós, e 3. a humanidade sempre será digna de ser salva.

 

Desenvolvimento e Narrativa

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Pôster de “Crise”

A construção narrativa de Crise nas Infinitas Terras é um ponto que precisa ser celebrado. No começo da empreitada dos crossovers, víamos os roteiristas trabalharem com a ferramenta de uma forma engessada, onde cada episódio focava no personagem-título da série correspondente, jogando os outros para escanteio até que a série nominal deles chegassem.

A abordagem começou a mudar com Terra-X, sendo aprimorada em Elseworlds e atingindo o pico com Crise. Consequentemente, os episódios fluem melhor, desenvolvendo seus personagens-títulos sem precisar colocar todo o resto em fundo e dando espaço para a história respirar de uma forma mais orgânica.

É claro que, por Crise trazer a história que traz e Arrow estar em sua jornada final, é compreensível o protagonismo que é dado para Oliver Queen. Protagonismo este que faz completo sentido por ter sido construído de forma natural ao longo dos crossovers anteriores, principalmente no que diz respeito à construção da representação pilar que o personagem tem não só para Barry Allen, como para os outros heróis.

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Stephen Amell como Oliver Queen, o Arqueiro

Apesar de Queen ser quase uma versão The CW para o Batman, em um personagem obscuro e cheio de ressentimento e arrependimento, que carrega um passado assombrado e tenta, sozinho, carregar o mundo nas costas, Oliver tem um outro lado bastante oposto. Podemos ver ele demonstrar sua figura paternal e amorosa, e funcionar como o mentor e o melhor amigo de todos os personagens alí colocados, provando-se um verdadeiro líder ao conseguir extrair o melhor de todos. Tanto o seu protagonismo quanto o seu sacrifício fazem sentido para o todo, e sua jornada é uma das mais interessantes de seguir.

 

Terra-Primária

Com um arco de grande escala, é interessante ver como os roteiristas lidam em recriar a Crise com os personagens que tem em mõas. Para amarrar melhor a história e justificar a viagem pelo Multiverso, os roteiristas constrõem a existência de uma representação conhecida como Paragons: uma classe superior formada de sete heróis, capazes de deter o Anti-Monitor. Com cada um representando uma qualidade, temos em mãos os Paragons da Esperança, Destino, Verdade, Coragem, Honra, Amor e Humanidade. E é aqui que podemos ver o Arrowverse lidar com uma outra ameaça eminente: Lex Luthor (Jon Cryer).

Luthor, que até então é um personagem só visto na Terra-38, é praticamente uma entidade, sempre presente, sempre impossível de se livrar. Ao colocá-lo nesse mix, os roteiristas tem consciência que Lex Luthor precisa de um certo protagonismo, sempre em busca de situações em que ele possa lucrar em cima. Assim, em uma reviravolta bem Lex, o vilão reescreve a realidade e se coloca, ironicamente, como o Paragon da Verdade, tomando o lugar antes do Superman da Terra-96. Ele então se une à Kara (Esperança), Sara (Destino), Kate (Coragem), J’onn (Honra), Barry (Amor) e Dr. Ryan Choi (Humanidade) – este último, da Terra-1, interpretado por Osric Chau, é um dos heróis a assumir o manto do Átomo nos quadrinhos.

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Os Paragons do Arrowverse: Lex, Kara, Ryan, Kate, Barry, J’onn e Sara. / (Foto: Dean Buscher/The CW)

Mas não só capazes de derrotar o Anti-Monitor, os sete Paragons são também os sete “ingredientes” necessários para recriar o universo destruído pelo vilão e restabelecer o Multiverso. Crise nas Infinitas Terras, como estabelecido anteriormente, é um arco que busca simplificar as coisas, resultando na criação da Terra-Primária: um planeta onde todos os heróis coexistem, além de emprestar pedaços de todas as outras Terras do Multiverso.

 

Viajando pelo Multiverso

É na busca pelos Paragons que a Crise nas Infinitas Terras dá a oportunidade ao Arrowverse de visitar pelo Multiverso e revisitar diferentes produções da empresa.

A jornada traz para os fãs a Terra-66, o universo de série Batman (1966-1968), com Burt Ward reprisando seu papel como Dick Grayson, o Robin original. Na Terra-89, lar do Batman (1989) de Tim Burton, vemos Robert Wuhl no corpo de Alexander Knox. O universo do Morcegão segue na Terra-203, com Ashley Scott e Dina Meyer reprisando seus papéis de Selina Kyle/Caçadora e Bárbara Gordon/Oráculo, da série Aves de Rapina (2002-2003).

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Ruby Rose (Kate Kane, a Batwoman) ao lado do Bruce Wayne de Kevin Conroy

As produções da DC Universe também não ficam de fora e vemos cliques da Terra-9, lar dos Titãs (2018–), com a presença de Hank/Rapina (Alan Ritchson) e Jason Todd/Robin (Curran Walters). Monstro do Pântano (2019) e Patrulha do Destino (2019–) também ganham rápidas aparições, sendo designadas (Pós-Crise) como parte da Terra-19 e Terra-21, respectivamente.

Ainda, o universo introduz rapidamente a Courtney Whitmore/Stargirl (Brec Bassinger) da Terra-2 (Pós-Crise), planeta que será o lar da vindoura série Stargirl (2020), da DC Universe. Indo além, também vemos a Terra-12 (Pós-Crise) tomada por Lanternas Verde, com arquivos de filmagem do filme Lanterna Verde (2011) para fins de ilustração – provavelmente preparando terreno para a vindoura série original da HBO Max sobre a Tropa dos Lanternas Verde.

Também podemos ver breves participações do Espectro (), Sargon, o Feiticeiro (Raul Herrera), o superherói The Ray (Russell Tovey) e Jonah Hex (Johnathon Schaech). E além do Flash original da série, Crise explora um pouco de uma versão ainda mais obscura do Batman, inspirada pelo quadrinho O Reino do Amanhã. Para este arco, o evento traz Kevin Conroy, conhecido pelos fãs como o dublador oficial do Morcego das produções animadas.

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Flash & Flash: o velocista de Grant Gustin e Ezra Miller lado a lado / (Foto: Jeff Weddell/The CW)

Com uma carta final na manga, o Arrowverse ainda tem a oportunidade de colocar um terceiro-Flash no mix. Em uma curta cena, o Barry Allen de Grant Gustin interage com o Barry Allen de Ezra Miller, que analisa aquele momento como uma das possibilidades explicadas por Victor – talvez algo relacionado com a sequência do Pesado do Batman? A interação é um momento de pura diversão, em um fanservice que até então era colocado como impossível. O único negativo é que não sabemos qual a Terra que o Flash-Ezra existe.

  – Vídeo compilando todas as participações.  

E é nesse emaranhado de participações super-especiais que outras três produções ganham maior destaques na narrativa.

 

De Volta à Pequenópolis

A primeira é Smallville (2001-2011). Na Terra-167, Clark Kent (Tom Welling) e Lois Lane (Erica Durance) são visitados por Kara, Barry e Mia (Katherine McNamara). O crossover aproveita esse momento para dar um pouco de paz aos fãs órfãos, ao apresentar um Clark vivendo uma vida feliz ao lado de Lois, pai de duas filhas e, para o choque de todos, completamente humano, tendo abdicado de seus poderes em algum ponto no futuro da série finalizada.

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Erica Durance e Tom Welling durante a “Crise”

Mesmo que seja uma participação breve, Tom e Erica são capazes de entregar toda a essência de seus personagens, lembrando aos fãs do Arrowverse que, de forma indireta ou direta, tudo começou ali, com eles. Sem contar, é claro, a presença de Kara, que tanto naquele universo quanto na Terra-38, é a prima de Clark – a diferença é que na 167, a personagem era interpretada por Laura Vandervoort.

 

Visitando a Lux

Quem também marca uma rápida participação nesse jogo é Lucifer Morningstar (Tom Ellis). O personagem-titular de Lucifer (2016–) é residente da Terra-666, e é uma peça relativamente fundamental para a história: por ser o Rei do Inferno, é ele que dá aos personagens uma passagem para o Reino das Trevas.

A participação de Morningstar transcede um pouco o fanservice e cria a existência de um arco onde ele e John Constantine (Matt Ryan) são conhecidos de longa data, tendo um relacionamento meio ambíguo. Para aqueles que conhecem os dois personagens, é fácil imaginar todo o tipo de narrativa, desde uma onde eles desbravam o Inferno juntos até uma onde eles tiveram um breve relacionamento amoroso em algum momento.

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Tom Ellis contracenando com Matt Ryan durante a “Crise” / (Foto: Katie Yu/The CW)

Independente do que for, é impossível não ficar com um gostinho de “PRECISO ver mais!“.

 

O Retorno do Superman

Por fim, é o Clark Kent de Brandon Routh que tem o maior destaque. Na Terra-96, o Superman de Superman: O Retorno (2006) está em uma versão mais velha do que a vista anteriormente, em uma realidade inspirada pelo famoso quadrinho O Reino do Amanhã. Com todos seus amigos e familiares mortos, o herói se vê em vida ainda mais solitária e amargurada.

A revisitação do Clark de Brandon é interessante em três pontos principais. Primeiro, pela inspiração n’O Reino do Amanhã. Segundo, pelo ator já interpretar outro personagem no Arrowverse, o que possibilita mais uma camada de brincadeiras para o crossover. Também, podemos ver um pouco do que seria uma batalha de Superman v Superman, uma vez que Lex manipula o Clark de Brandon para lutar contra o Clark de Tyler.

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O Superman de Brandon Routh na “Crise”

Super-Brandon, por fim, é encaixado de forma elementar na história de Crise, sendo apresentado como um dos Paragons e tendo um tempo em tela substancialmente maior aos dos outros convidados.

  – Vídeo compilando todas as participações.  

 

Pós-Crise

Ao fim, Crise nas Infinitas Terras é uma história que ganha força dentro do Arrowverse, dando o pontapé não só para o Hall da Justiça, mas também uma realidade em que quase todas as produções da DC coexistem no mesmo universo – além da divertida aventura viajante. O Multiverso pós-Crise facilita ainda mais a interação entre as séries da The CW e elbora uma nova ameaça para todas as produções do canal – afinal, Lex não só se beneficiou como um dos Paragons, mas também se reescreveu como o ser humano mais amado e idolatrado da Terra-Primária.

Com cinco episódios e o equivalente a cerca de 3h30 de exibição, Crise termina com um saldo positivo, finalizando os arcos que até então foram estabelecidos, explicando as ausências e abrindo espaço para as adições. Balanceando bem o drama, o humor, a nostalgia e a fantasia dos super-heróis, o evento anual da The CW deixa apenas uma dúvida: qual será a próxima ameaça que reunirá os maiores heróis do mundo?

Vics

vics

tem 24 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas, com um MBA em Comunicação e Marketing. gerencia a revista e, ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta.

ao todo, já assistiu um total de 18 meses em Séries, cinco meses em Filmes e em uma década foram cerca de 25 meses em reprodução de Música.

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