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Grammy 2020: O ano em que a maior premiação da música celebrou em tom emocional

[tempo de leitura: 8 minutos]

Na noite marcada por jovens artistas, a 62ª edição da premiação foi palco de homenagens, retorno e apresentações enérgicas.


DDe Billie Eilish a ROSALÍA, passando ainda por LizzoLil Nas X, do pop underground ao country; fato é que o Grammy 2020, maior premiação da música norte-americana, foi marcada pelos artistas jovens, tanto na lista de indicados, quanto nos vencedores e destaques da noite. Em sua 62ª edição, a cerimônia celebrou a música em clima emocional e reflexivo, sem deixar de lado a energia e performances explosivas.

 

Grammy 2020

Com apenas 18 anos, Billie Eilish, que lançou sua primeira música Ocean Eyes, em 2016, voltou orgulhosa para o quarto em Los Angeles onde compôs, junto ao seu irmão, Finneas O’Connell, seu primeiro e único álbum lançado até o momento, WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, que inclui a música bad guy, sucesso mundial que dominou as paradas no ano passado. A estreante conquistou cinco Grammy Awards este ano, entre eles, os quatro principais, Artista Revelação, Melhor Álbum, Melhor Música e Melhor Gravação, além de Melhor Álbum de Pop Vocal.

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Billie Eilish com seus cinco GRAMMYs. (Foto: FREDERIC J. BROWN / AFP)

Dessa forma, ela alcançou uma marca histórica e impressiona pela segurança e talento mesmo sendo tão jovem. Eilish se tornou a segunda artista da história a vencer nas maiores categorias no mesmo ano e agora é a mais jovem a conseguir todos. Christopher Cross era o único, desde suas vitórias em 1981. Seu irmão, Finneas, garantiu ainda a categoria de Melhor Produtor Não Clássico do Ano.

Mas outro nome era também muito esperado entre os fãs e profissionais da música. Lizzo, líder de indicações nesta edição, com oito categorias, venceu três nomeações: Melhor Performance Pop Solo (por Truth Hurts), Melhor Performance Tradicional de R&B (por Jerome) e Melhor Álbum de Música Urbana (com ‘Cuz I Love You).

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Lizzo recebendo o GRAMMY de “Melhor Performance Pop Solo” (Foto: KEVIN WINTER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

Lil Nas X, outro destaque pela personalidade forte e o sucesso Old Town Road, música que quebrou vários recordes no ano passado, levou dois gramofones: Melhor Vídeo Musical e Melhor Performance Pop (Duo/Grupo), resultado da parceria com Billy Ray Cyrus. Dois prêmios é a mesma quantidade de Lady Gaga que, mesmo sem comparecer à premiação, foi reconhecida com os Grammys de Melhor Compilação de Trilha Sonora para Mídia Visual e Melhor Canção Composta para Mídia Visual, por I’ll Never Love Again – ambos são por Nasce Uma Estrela, dividindo com Bradley Cooper.

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Lil Nas X com seus dois GRAMMYs.

E as surpresas não param por aí. O gramofone de Melhor Álbum de Palavras Faladas (Inclui Poesia, Audiobook e Storytelling) foi concedido a Michelle Obama por seu audiobook Becoming, que no Brasil foi narrado por Maju Coutinho. Beyoncé venceu por Melhor Filme Musical com Homecoming: Um Filme de Beyoncé, dirigido pela própria estrela e Ed Burke, e produzido por Steve Pamon e Erinn Williams.

 

Admiração a Kobe

Lizzo prestou uma rápida homenagem a Kobe Bryant, jogador de basquete, astro da NBA e ídolo de Los Angeles, cidade onde o Grammy é realizado anualmente, morto neste domingo em um acidente de helicóptero, coincidindo com a data de realização do Grammy. O evento foi realizado no Staples Center, casa do Los Angeles Lakers, equipe que Kobe defendeu por 20 temporadas.

O atleta foi lembrado e homenageado durante toda a cerimônia. “Todos estamos sentindo uma grande tristeza, porque mais cedo Los Angeles, Estados Unidos e o mundo inteiro perderam um herói“, disse Alicia Keys, que pela segunda vez apresenta o Grammy, em seu discurso inicial. “E estamos aqui, com o coração partido, na casa em que Kobe Bryant construiu“. A cantora ainda performou uma versão de It’s So Hard to Say Goodbye to Yesterday acompanhada dos donos da canção, Boyz II Men.

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Alicia Keys ao lado do Boyz II Men, em homenagem à Kobe Bryant (Foto: KEVIN WINTER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

Além das apresentações musicais ao longo do evento, a apresentadora se destacou pelos discursos profundos e inspiradores. “O que fazemos em tempos desafiantes, cantar juntos, amar juntos” foram algumas das falas de Keys entre as performances e anúncio dos vencedores.

 

Nova geração

A música é a linguagem que todos podem falar, anunciou Alicia em um dos momentos da noite. Talvez seja esse o maior ganho dessa edição do Grammy: abrir espaço para os novos talentos em experiência, mas surpreendentes pela habilidade e diversidade em mistura de estilos, desafiando até os gêneros musicais tradicionais.

Enquanto Billie junta o underground alternativo ao pop, sem um gênero definido e com muitos elementos diferentes, Lizzo aposta na formação de flautista clássica e por vezes introduz o instrumento em suas músicas e apresentações, incorporadas a influências do soul e R&B, enquanto Lil Nas X faz do country, rap para falar da estrada para a cidade velha.

Ainda, candidatos a álbum do ano, Norman F***ing Rockwell, disco de Lana Del Rey, varia do pop, com mistura de música clássica, ao rock psicodélico, e o i,i de Bon Iver, conta com a participação de quase 50 músicos.

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Ariana Grande durante apresentação (Foto: KEVIN WINTER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

Mulheres e novatas receberam destaque e reconhecimento nas indicações, deixando para trás astros consagrados como Ed Sheeran, Bruce Springsteen, Madonna, Sam Smith ou também, artistas como Katy Perry, Halsey, Normani e Miley Cyrus que, mesmo com lançamentos recentes e bem avaliados, entraram na lista de ignorados da edição.

Fato é que quatro dos principais prêmios do Grammy, sendo eles Álbum do Ano, Gravação do Ano, Música do Ano e Artista Revelação, foram disputados por artistas que desconsideram rótulos e trazem para suas letras, batidas e apresentações, elementos que os identificam com os jovens atuais, suas preocupações e vivências.

Esse cenário mostra uma mudança da Academia e sua equipe que julgam os trabalhos, tornando o prêmio mais inclusivo e diverso, mesmo que seja apenas para fã ver e a audiência aumentar. Todos ganhamos com essa abertura, após polêmicas envolvendo a falta de indicação de artistas negros, por exemplo – mais um motivo para a premiação começar a realmente apoiar essas causas.

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Demi Lovato no GRAMMY, durante apresentação de retorno (Foto: KEVIN WINTER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

Dos nove troféus entregues durante a premiação, apenas dois foram para nomes mais experientes. O Grammy de Melhor Parceria de Rap fica com Higher, de DJ Khaled com John Legend e Nipsey Hussle – o último, homenageado por sua morte trágica no ano passado – e o de Melhor Álbum de Comédia é de Dave Chapelle.

“Queremos ser representados e nos sentir seguros com a nossa representatividade. Podemos ser diferentes, únicos, juntos mais uma vez celebrando a música”

ALICIA KEYS

 

Performances 

Entre as principais performances dp Grammy, Lizzo foi a responsável por abrir a premiação, dedicando a Kobe, com um medley de Cuz I Love You com Truth Hurts. Seguindo as características de suas apresentações, entregou uma performance contagiante e enérgica para animar logo de cara e impressionar a todos nos primeiros minutos da premiação, além de exibir seu potencial vocal na primeira canção. No segundo momento, a artista trouxe ainda sua flauta para embalar e enriquecer ainda mais o número, comprovando sua grandeza artística.

Charlie Wilson e Boyz II Men acompanharam Tyler, The Creator no palco para uma versão de Earfquake, seguida de uma apresentação movimentada de New Magic Wand, com direito a pulos, danças, deixando o cenário literalmente em chamas.

Usher liderou um tributo a Prince, cantando e dançando um medley das canções Little Red Corvette, When Doves Cry e Kiss, e John Legend uma homenagem a Nipsey Hussle, reconhecido com Grammy póstumo.

Ariana Grande, que não se apresentou na edição de 2019 por desentendimentos com a organização, desfilou três sucessos do álbum thank u, next: imagine, 7 Rings, além da faixa título. Acompanhada por dançarinas, troca de roupa, cenários, Ariana mostrou desempenho satisfatório, indo do palco a uma cama cenográfica, mas poderia ter investido melhor na preparação para comemorar a repercussão do disco.

Billie não abandonou o irmão nem no momento da performance. Os dois pareceram levar para o palco o clima do quarto em que gravaram o álbum para trazer uma performance intimista de when the party’s over. Eilish manteve sua linha tranquila e aparentemente à vontade, mostrando mais uma vez, a relação agradável e de cumplicidade com Finneas.

Certamente um dos momentos mais esperados e emocionantes, Demi Lovato consagrou seu retorno aos palcos com a canção Anyone, escrita quatro dias antes de ser internada por conta de uma overdose em julho de 2018. Acompanhada de um piano apenas, Demi se emocionou no início mas logo retornou e, mesmo aparentemente abalada, entregou todo o seu potencial vocal e foi aplaudida de pé por todos os presentes.

O rapper Lil Nas X apresentou o hit Old Town Road ao lado de grandes convidados, como Billy Ray Cyrus, Diplo, Mason Ramsey e o BTS, sucesso do K-pop. Depois, LNX apareceu com um sobretudo de couro para cantar Rodeo, com direito a um solo de trompete e a participação do rapper Nas.

Primeira indicada a artista revelação que canta em língua não-inglesa, a espanhola ROSALÍA levou todo o suingue latino para o Staples Center e representou a mulher contemporânea com sua própria linguagem. Apostando em figurinos estilosos e influência do flamenco, cantou Juro Que e Malamente, mostrando seu potencial também na dança e por que ultrapassou as fronteiras.

Lendas da música brasileira, Beth Carvalho e João Gilberto faleceram no ano passado e  foram os brasileiros lembrados no momento In Memoriam, em que o Grammy relembra astros que nos deixaram no ano anterior.

A cerimônia do GRAMMYs 2020 foi transmitida ao vivo direto de Los Angeles, no domingo (26/01/2020), pela emissora CBS, com transmissão no Brasil pelo canal TNT.

 

Os principais vencedores da 62ª edição do Grammy Awards

Álbum do ano

WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, de Billie Eilish

 

Gravação do ano

bad guy, de Billie Eilish

 

Canção do ano

bad guy, de Billie Eilish

 

Revelação

Billie Eilish

 

Melhor performance solo pop

Truth Hurts, de Lizzo

 

Melhor performance pop em duo/grupo

Old Town Road (Remix), de Lil Nas X e Billy Ray Cyrus

 

Melhor álbum pop vocal

WHEN WE ALL FALL ASLEEP, WHERE DO WE GO?, de Billie Eilish

 

Melhor performance rock

This Land, de Gary Clark Jr.

 

Melhor performance metal

7empest, de Tool

 

Melhor canção rock

This Land, de Gary Clark Jr.

 

Melhor álbum rock

Social Cues, de Cage the Elephant

 

Melhor álbum de música alternativa

Father of The Bride, de Vampire Weekend

 

Melhor performance r&b

Come Home, de Anderson .Paak com André 3000

 

Melhor performance r&b tradicional

Jerome, de Lizzo

 

Melhor canção r&b

Say So, de PJ Morton com JoJo

 

Melhor álbum urbano contemporâneo

‘Cuz I Love You, de Lizzo

 

Melhor álbum r&b

Ventura, de Anderson .Paak

 

Melhor performance rap

Racks in the Middle, de Nipsey Hussle com Roddy Rich e Hit-Boy

 

Melhor performance de rap cantado

Higher, de DJ Khaled com John Legend e Nipsey Hussle

 

Melhor canção rap

a lot, de 21 Savage com J. Cole

 

Melhor álbum rap

IGOR, de Tyler, The Creator

 

Melhor performance country solo

Ride Me Back Home, de Willie Nelson

 

Melhor performance country em duo/grupo

Speechless, de Dan + Shay

 

Para acessar a lista completa dos vencedores nas 84 categorias, acesse o site do Grammy. 


PLAYLIST

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Mike Faria

mike faria

Conectado com a potência das narrativas e a sensibilidade social encontrou no Jornalismo o melhor lugar para se expressar, junto a prática de natação nas horas vagas e as distopias para lidar com a realidade.

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