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O Mundo é De Cher – E Nós Apenas Vivemos Nele

O mundo é de Cher – e nós apenas vivemos nele

Cher é uma verdadeira lenda viva com a sua carreira que já perdura 50 anos. Dona de um dos maiores hits da música, ela termina 2018 com novo álbum e turnê.


Cherilyn Sarkisian talvez seja um nome que se um dia ouvisse, não reconheceria – mas eu garanto que você sabe quem é. Dona de uma voz inconfundível, Cher é uma lenda viva. Sua carreira já dura mais de 50 anos, tendo início na música quando, ao lado de Sonny Bono, a cantora colocou algumas músicas entre as 20 mais tocadas da Billboard H0t 100. Não demorou muito para que a artista logo atingisse o topo. I Got You Babe chegou ao #1 da parada musical em 1965, tendo se tornado uma das músicas mais famosas de Cher.

Desde então, a cantora ingressou na televisão, em um programa ao lado de seu então marido Sonny, lançou discos e até mesmo deu início a uma sólida carreira no cinema, em filmes perpetuados como Silkwood (1983; ao lado de Meryl Streep e Kurt Russell), As Bruxas de Eastwick (1987; com Susan Sarandon, Michelle Pfeiffer e Jack Nicholson), e Moonstruck (1987; co-estrelado por Nicolas Cage). Este último até lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz, em 1988.

O vestido assinado pelo estilista Bob Mackie é um dos mais memoráveis do guarda-roupa de Cher, já tendo até mesmo virado fantasia de Halloween (usado por personalidades como Kim Kardashian e Dua Lipa)

Aos 72 anos, Cher é, hoje, uma das artistas mais bem sucedidas do mundo do entretenimento, sendo uma inspiração e admiração de tantos outros artistas do meio. Desde 1963, a cantora e atriz já acumula um Academy Awards, um Emmy, um Grammy e três Golden Globes, além de outros prêmios. Não só isso, Cher também é colocada como uma verdadeira musa da moda, dando vida a algumas roupas e figurinos marcados pelo seu nome, levando um prêmio pelo Conselho de Designers de Moda da América, em 1999, pelo seu papel de influenciadora.

Não é de se espantar, é claro, que a artista também tenha influência em outras áreas da Arte, sendo dona de um importante marco na história da música. Em outubro de 1998, o mundo ouviu, pela primeira vez, uma das músicas mais memoráveis da carreira de Cher e do mundo musical como um todo. Believe, carro-chefe do álbum de mesmo nome, chegou ao topo da Billboard Hot 100 e fez da artista a cantora solo mais velha a ter uma música em primeiro lugar no chart (na época, ela tinha 52 anos). Não só isso, o single é o mais vendido, de uma cantora solo, no Reino Unido, em toda a história. E, claro: Believe é uma das músicas mais vendidas em todo o mundo.

Com certificados de Ouro, Platina, Platina Triplo e 5x Ouro, Believe atingiu o #1 das listas de 21 países além dos EUA e Reino Unido, levando um Grammy por Melhor Música Dance. Aclamada pelos críticos, o single já foi regravado por diversos artistas, aparecendo em inúmeros produtos da cultura pop e colocado como uma das formas mais brilhantes de Cher de se reinventar. Mas o que CherBelieve fizeram para mudar a música? O auto-tune.

Em pleno ano de 2018, já não é mistério para muitas pessoas do que é o auto-tune. A ferramenta (que também é um termo) é um processador de áudio capaz de corrigir e acertar o tom da voz dos artistas, para atingir determinadas notas. Sendo a tecnologia mais utilizadas, hoje, no meio musical, em 1998 o auto-tune era novidade. Believe (e Cher) é datado como a primeira música a fazer uso de tal ferramenta, criando o que é conhecido como Efeito Cher – um termo informal que significa a completa distorção do tom para produzir um efeito de voz semi-artificial, quase robôtico.

O resto é história. Consequentemente, o auto-tune virou a companheira de praticamente todo o cantor e produtor da indústria fonográfica, as vezes até mesmo se tornando um inimigo. A ferramenta também acabou sendo utilizada para muito mais do que apenas corrigir os tons, sendo explorada também para criar efeitos na voz (para o bem ou para o mal). Muitas vezes, o termo é visto de forma maldosa e suja, principalmente pelo público, que enxerga na ferramenta uma forma de fazer com que cantores alcancem vocais duvidosos e insustentáveis, ao vivo, sem a artimanha.

Não que a cantora precisasse de alguma ajuda, mas Believe consagrou, de uma vez por todas, Cher na história da música e na carreira de cada artista que lançou algo após 1998. E como se não fosse suficiente, a cantora ainda possui uma outra barreira quebrada: Cher é a primeira e única artista (mulher ou homem) a ter pelo menos uma música #1 nos charts da Billboard em seis décadas consecutivas (1960-2010).

Entrando e saindo constantemente de sua “aposentadoria”, Cher se tornou uma carta-coringa. Antes de co-estrelar Burlesque (2010), ao lado de Christina Aguilera, por exemplo, a atriz estava há 10 anos sem aparecer em uma tela de cinema. O filme, inclusive, garantiu a ela um Golden Globe por Melhor Música Original, com You Haven’t Seen The Last Of Me. A música, por sua vez, foi a que deu a ela o título de única artista com #1 em seis décadas consecutivas, atingindo o topo da Billboard Dance Club Songs, em 2011.

Mesmo tendo lançado um álbum, três anos depois, intitulado Closer to the Truth, Cher voltou para a sua “aposentadoria”, quebrando-a, mais uma vez, em 2018, com dois novos projetos. Como atriz, ela retornou às telas de cinema com uma participação no aclamado Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo. Como cantora, ela aproveitou seu tempo no set de filmagem, imersa na cultura ABBA, para lançar um disco com seus próprias versões de algumas das músicas mais famosas do grupo de discopop sueco.

Dancing Queen chegou nas lojas no dia 28 de setembro, apresentando por Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight), que veio, mais uma vez, cheio do já conhecido Efeito Cher. Porém, oficialmente, quem teve um título de single, ganhando seu próprio clipe, foi SOS, segunda música liberada pela artista antes do lançamento oficial do álbum.

O 26º disco de estúdio de Cher foi muito bem recebido pela crítica, possuindo 79% de aprovação no Metacritc. Entre jornalistas das revistas norte-americanas Entertainment Weekly, Rolling Stone, The Times e Gay Times, Dancing Queen é descrito como “o lançamento mais significante da cantora desde Believe“, “soa como se as músicas do ABBA tivessem sido escrito especial para ela“, “exatamente o que você espera” e “glorioso, rico e incrivelmente andrógino“, respectivamente.

Debutando na terceira posição da Billboard 200 (o maior pico já alcançado pela cantora) e no Top 10 de outros 18 países, o álbum é o mais vendido de Cher, na primeira semana, em solo norte-americano, com 153 mil álbuns-equivalentes vendidos. Esse total significa a soma das vendas físicas reais com a quantidade de streams que equivalem a uma cópia física comercializada. Para a Billboard, 1250 streams são iguais a venda de um único CD. Para a RIAA (a Associação que representa as gravadoras e distribuidoras dos EUA e entrega os certificados de Ouro, Platina e Diamante), esse valor sobe para 1500.

Para dar suporte ao álbum, que contou com o envolvimento dos ABBAs Benny Andersson (na produção, mixagem e instrumentalização) e Björn Ulvaeus (produção executiva), Cher deu início a uma turnê inicialmente pensada apenas para agraciar a Oceania, resultado da repercussão obtida pelo seu show durante o Mardi Grass, a parada LGBTQ+ de Sydney. O retorno foi tão positivo que a Here We Go Again Tour começou na Nova Zelândia no dia 21 de setembro, com 14 datas no continente.

Não demorou muito para que a bateria de shows fosse estendida, começando nos Estados Unidos em 2019. Embora não tenha nada oficial confirmado, há uma possibilidade que a turnê ganhe outras datas em países fora do eixo da América do Norte. Se por ventura a cantora viesse ao Brasil, esta seria a primeira vez que o país contaria com shows da artista.

Esta é a primeira turnê mundial de Cher desde 2005, quando ela viajou o mundo com a Living Proof: The Farewell Tour, alegando ser a última de sua carreira – porém, ela fez uma turnê norte-americana, em 2014, com a Dress to Kill Tour, em suporte ao álbum Closer to the Truth. A Turnê Lá Vamos Nós de Novo, em tradução literal, não faz referência apenas ao ABBA, mas também a essa suposta aposentadoria dos palcos, que acabou virando uma piada interna entre ela e os fãs, que já lidam com a conversa há mais de uma década. O público também pode assistir Cher em Las Vegas, em sua residência Classic Cher.


PLAYLIST



vics

tem 22 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas. é o Diretor de Arte da revista, sendo o responsável pela criação da identidade visual da zine. ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta. ao todo, já assistiu o correspondente a 13 meses em Séries, três meses em Filmes e em 2017 foram dois meses em reprodução de Música.

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