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"Rampage: Destruição Total" é desprentensioso e divertido, em uma ideia que saiu dos anos 1990 e usou da tecnologia do mundo contemporâneo.

“Rampage: Destruição Total” é desprentensioso e divertido, em uma ideia que saiu dos anos 1990 e usou da tecnologia do mundo contemporâneo.


OO cinema sempre teve atores que se assumiram como as principais figuras dos filmes de ação grandiosos. Silvester StaloneArnold Schwarzenegger , Keanu Reeves, Liam Neeson, Jean-Claud Van Damme e  Jason Statham são alguns nomes que marcaram presença no cinema a partir dos anos 80. Na atualidade, Dwayne “The Rock” Johnson comprova a cada filme que pegou para si o cargo de símbolo da masculinidade bruta dos filmes de ação, participando de produções grandiosas que trazem retorno financeiro para os estúdios muito graças ao carisma do ator. Independentemente do resultado na bilheteria, Rampage: Destruição Total (2018) é um destes blockbusters de ação grandiloquentes que partem de uma premissa despretensiosa para entreter o espectador, mas que são esquecíveis logo quando saímos da sala de cinema.

https://www.youtube.com/watch?v=VVVuYp_-BpE

O longa adapta um jogo dos anos 80 em que o jogador controla um ser humano infectado por uma mistura genética que o transformava em um monstro gigante, passando a destruir prédios e a devastar uma cidade. De uma premissa tão rasa, o roteiro de Ryan J.Condal, Carlton Cuse, Ryan Engle, e Adam Sztykiel tenta criar alguma forma de estofo para situar a narrativa ao apresentar um acidente na órbita da Terra que causa a liberação de três caixas com um substância genética responsável por transformar três animais em monstros gigantes. Assim, quando George – o gorila albino amigo do perito em primatas vivido por The Rock – passa a ser atraído para Chicago pela dupla de vilões toscos do longa, o astro de ação precisa adentrar na cidade para impedir uma destruição em massa e, acima de tudo, tentar salvar seu amigo primata.

O trabalho de quatro roteiristas no comando do texto fica claro no desenvolvimento da narrativa, que parece combinar sequências de cenas escritas separadamente e depois amarradas para um longa de 107 minutos. Contudo, surpreendentemente o primeiro ato consegue estabelecer uma relação crível entre The Rock e o gorila, graças ao ótimo CGI na construção do animal e do carisma do astro de ação em ser descolado, imponente e amigável. O roteiro de Rampage exige do espectador uma alta dose de suspensão voluntária da descrença para que muitas das cenas de ação e das reviravoltas excessivamente expositivas funcionem, mas a sensação é de que em momento algum houve alguma pretensão de se extrapolar o limite da cafonice e diversão.

A relação de melhores amigos entre o personagem de The Rock com o gorila albino George gera divertidas cenas, com o primata sendo extremamente brincalhão e muitas vezes “sem filtro”

Dentro esse espectro, Brad Peyton refaz a dupla com Dwayne Johnson, assim como em Viagem 2: A Ilha Misteriosa (2012) e Terremoto: A Falha de San Andreas (2015), para entregar sequências de ação de se assemelham muito com o longa do abalo sísmico. É verdade que a ideia do filme seja priorizar os embates entre os monstros gigantes e as cenas grandiloquentes de destruction porn sobre as situações absurdas em que o personagem de The Rock e a biologia vivida por Naomie Harris conseguem sobreviver, mas essa opção acaba deixando o astro de ação e seu potencial como catalisador dos acontecimentos um pouco de lado, reservando somente a última das últimas batalhas para que o ex-lutador se una a seu amigo primata para salvar o mundo. Os dois atores, assim como Jake Lacy e Malin Akerman fazem ao viver os irmãos antagonistas e Jeffrey Dean Morgan ao dar vida a um agente federal meio cowboyse divertem ao abraçar a cafonice e superficialidade de seus personagens, transformando aspectos que poderiam incomodar em punchlines visuais.

De toda essa experiência datada e cafona, Rampage: Destruição Total se apresenta como um filme de ação dos anos 90 realizado com os meios técnicos e o orçamento de um blockbuster de 2018, trazendo personagens vazios, viradas previsíveis no roteiro, cenas de ação que não destoam da maioria dos filmes de monstros gigantes, mas que funcionam como um longa despretensioso e divertido.


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