Uma grande certeza em Meu Eterno Talvez

Uma Grande Certeza Em Meu Eterno Talvez
[tempo de leitura: 4 minutos]

Filme original da Netflix encanta telespectadores com um romance clichê que conforta e surpreende.


Nota da Colab: esse texto tem alguns spoilers.

 

No dia 31 de maio, a Netflix estreou uma nova produção com premissa e trama baseados em clichês e que conseguiu, mesmo no senso comum, confortar e surpreender os telespectadores. Meu Eterno Talvez traz Ali Wong e Randall Park como protagonistas, além de contar com uma participação especial de Keanu Reeves.

O filme narra a história de dois amigos de infância que na adolescência tiveram um caso mas que, devido uma briga e um mal-entendido, ficaram separados e sem contato durante sete anos. Após esse tempo, se encontram graças ao “acaso” e notam que os sentimentos que tinham um pelo outro ainda existem. Sasha (Ali Wong) é uma cozinha renomada e famosa, com muitos restaurantes sendo inaugurados. Marcus (Randall Park) tem uma banda desde a adolescência e toca em bares pequenos na cidade, além de trabalhar com seu pai instalando ar-condicionado.

Os dois se conheceram por serem vizinhos, se aproximaram na infância quando jovem e não tinham muito a presença dos pais, devido ao trabalho deles. Mas após o falecimento da mãe de Marcus, Sasha tenta se aproximar dele e toma iniciativas para terem algo. Eles desenvolvem um caso que acaba rapidamente após uma briga que envolvia os ressentimentos de Marcus em relação a morte da mãe. Assim, eles passam a viver sem contato e suas vidas seguem rumos completamente diferentes.

Sasha batalha pelos seus sonhos, sai da cidade que morava e consegue fama e dinheiro, além de noivar com um empresário da culinária. A partir de um encontro do acaso, somos apresentados a essa premissa clichê de amigos de infância apaixonados, desenvolvida para uma trama ainda mais comum, que é o reencontro por meio de uma amiga em comum. Pro definição, Meu Eterno Talvez lembra um filme de Sessão da Tarde ao contar um romance com base em clichês mas que consegue, mesmo assim, encantar.

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Os atores Emerson Min e Miya Cech fazem a versão de 12 anos de Marcus e Sasha

Outro elemento já batido utilizado pelo filme é a desigualdade econômica-social dos dois como um primeiro impasse durante a reaproximação do casal. Mesmo recheando a trama com muitos fatores já utilizados em outros romances, Meu Eterno Talvez consegue aproximar o telespectador de uma grande certeza. Sasha se separa de seu noivo após ele pedir um tempo na relação, a personagem percebe que o interesse dele não passava de uma relação de trabalho para conseguir fama.

Após o fim do relacionamento, a personagem começa uma relação com Keanu Reeves. O ator participa da história interpretando a si próprio, criando uma abordagem cômica na produção que aproxima leveza e risos nas situações de desconforto entre os personagens, como, por exemplo, quando o casal protagonista combina um jantar a quatro para que cada um possa conhecer o companheiro atual um do outro.

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Lado a lado, Ali Wong e Keanu Reeves fazem um breve casal. Ela, interpretando uma personagem, e o ator, ele mesmo. (Foto crédito de: Doane Gregory)

As pequenas e sutis situações, por mais engraçadas que sejam, nos fazem notar como ambos não estão confortáveis ao se aproximarem. Ao mesmo tempo que buscam se encontrar, Sasha e Marcus não conseguem assumir o que sentem para si mesmo e muito menos para o outro. Por outro lado, Meu Eterno Talvez surpreende o telespectador ao não limitar a história a apenas esses clichês da premissa. A trama não anula o conflito dos personagens entre eles e em relação ao que sentem, reforçando-o com sutileza, sem criar brigas intensas ou moldar mais clichês em cima deles.

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Ali Wong e Randall Park protagonizam no corpo de Sasha Tran e Marcus Kim

A química entre Ali Wong e Randall Park é incrível, e em conjunto com o desconforto dos dois em não assumir o que sentem, criam um aspecto novo dentro na trama. Notamos o conflito entre seus personagens em contraste com a vontade de permanecerem juntos, apesar das situações, dos relacionamentos e da diferença social-econômica. Mais do que isso, conseguimos nos identificar com as inseguranças e os medos de cada um durante a reaproximação. Assim, Sasha e Marcus parecem pessoas reais que, por acaso, viveram alguns clichês em seu romance.

Ao final, o filme conforta ao lembrar um filme de Sessão da Tarde que, mesmo com conflitos, ao utilizar uma perspectiva leve e engraçada, sabemos que tudo acabará bem. Ele surpreende ao utilizar os clichês como premissa para a história dos personagens principais, mas que não configuram o todo da trama. Meu Eterno Talvez é uma grande certeza de que por mais comum que algo pareça, ainda podemos nos surpreender.

giovana silvestri

tem 18 anos. escorpiana viciada café e amante de gatos. estuda jornalismo na Unesp e escreve muito desde que se entende por gente. tem um jeito doce mas gosta de boteco e de cerveja de garrafa. escuta mais MPB e pagode do que a voz da razão.

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