“Bohemian Rhapsody”: a história de Freddie Mercury

“Bohemian Rhapsody”: A História De Freddie Mercury
[tempo de leitura: 3 minutos]

“Bohemian Rhapsody” conta a história da lendária banda de rock Queen, dando um grande foco para o arco de Freddie Mercury.


Brian May, Roger Taylor, John Deacon e Freddie Mercury. Quatro rapazes. Uma banda. E o sonho de se consagrarem no mundo da música. Um sonho que se tornou realidade e fez com que eles entrassem para história. Uma história que finalmente chega às telas de cinema. O filme Bohemian Rhapsody, lançado dia 1 de novembro, tem a pretensão de contar o histórico de uma das bandas mais excêntricas e cultuadas do mundo do rock: a banda Queen.

A cinebiografia se inicia com a formação do grupo, quando o guitarrista Brian May (Gwilym Lee), e o baterista Roger Taylor (Ben Hardy), ainda pertenciam a uma banda chamada Smile. Após a saída do seu vocalista, acabam conhecendo Freddie Mercury (Rami Malek) e, assim, iniciam sua trajetória em grupo. Logo neste início já é possível identificar algumas falhas na produção. Os primeiros passos da banda são mostrados em cenas extremamente curtas e rápidas, que levanta diversos questionamentos que não são respondidos até o final do filme. Tudo ocorre de maneira um tanto inacabada até o momento do estrelato do Queen, com o lançamento do álbum A Night At The Opera. E, então, a trama volta de vez os holofotes para o seu verdadeiro protagonista: Freddie Mercury.

Mesmo com Roger Taylor e Brian May na produção, Bohemian Rhapsody foca exclusivamente em contar a história de seu vocalista. Desde o início, apenas sua família é apresentada, assim como seus relacionamentos amorosos e seu casamento com Mary Austin (Lucy Boynton). Os demais integrantes da banda não recebem nem um toque de profundidade sobre suas vidas pessoais, e, no caso do baixista John Deacon (Joseph Mazzello), acabamos até sem saber como foi sua entrada para a banda. Além disso, alguns pontos interessantes sobre a vida de Freddie, e que com certeza eram motivo de curiosidade do público, não foram nem um pouco destacados. A começar por sua sexualidade, que foi uma grande polêmica na época, mas é tratada de forma superficial no filme. E, se por um lado seu relacionamento com Mary Austin é bem desenvolvido, o mesmo não acontece com Jim Hutton (Aaron Mccusker), que, apesar de ter acompanhado o cantor até sua morte, foi deixado de lado pelo roteiro da adaptação.

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Da esquerda pra direita, John Deacon (Joseph Mazzello), Roger Taylor (Ben Hardy), Freddie Mercury (Rami Malek) e Brian May (Gwilym Lee)

Todavia, a dose extrema de Freddie Mercury não acaba por desgastar qualquer espectador em função da brilhante atuação de Rami Malek. Conhecido por protagonizar a série Mr. Robot (2015–), Malek incorporou por completo todos os trejeitos do vocalista, desde sua fala até o jeito de se portar no palco, que são potencializados pela ótima caracterização de figurino e maquiagem. É ele que acaba por sustentar todas as cenas, conseguindo atrair toda atenção ao dar a sensação de que Mercury está diante de nossos olhos.

Bohemian Rhapsody também tem seus pontos positivos. Apesar de algumas complicações no início das filmagens, que resultaram na demissão do diretor Bryan Singer e na contratação de Dexter Fletcher, não é possível perceber nenhuma quebra no olhar cinematográfico. O filme possui uma continuidade e trilha sonora impecável, com os melhores sucessos da banda, como Killer Queen, We Are The Champions e, é claro, a icônica Bohemian Rhapsody. Além disso, a reprodução de alguns dos maiores shows do Queen, como o na primeira edição do Rock in Rio, nos transmite para dentro da tela de cinema, dando a sensação de ter feito parte daquele momento. E, deixando de lado a carga dramática do declínio de Freddie Mercury e descoberta de sua doença, o longa consegue acabar de forma bem animadora, com o show da banda londrina no Live Aid, considerado um dos maiores concertos de rock da história.

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Um dos ápices do filme é a apresentação do Queen no Live Aid

Com isso, pode se dizer que o longa conseguiu agradar as expectativas de alguns fãs ansiosos, que puderam ver, ou reviver, alguns dos melhores momentos da banda. É uma boa produção, que consegue entreter e emocionar ao mesmo tempo mas, infelizmente, não cumpre com o que foi prometido. Ainda esperamos um filme que mostre a verdadeira história da banda Queen, e não apenas a de Freddie Mercury.


OSCAR 2019

Indicações: 5.

  • Melhor Filme
  • Melhor Ator: Rami Malek
  • Melhor Montagem: John Ottman
  • Melhor Mixagem de Som: Paul Massey
  • Melhor Edição de Som: John Warhurst, Nina Hartstone

Vitória Silva

vitória silva

18 anos. Jornalista em formação. carinha de tímida mas se começar a falar não para mais. amante da Sétima Arte e com um gosto musical que varia entre Beyoncé e AC/DC.

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