Precisamos Falar De / “Kaiit”

Precisamos Falar De / “Kaiit”
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É possível que uma artista que carrega em seu corpo as imagens de Lauryn Hill e Amy Winehouse produza um som que não seja, no mínimo, incrível? Sim! Com toda certeza. Porém, felizmente, essa resposta não se aplica ao caso de Kaiit, cantora australiana, que conheci há poucos dias, mas já é presença constante em minhas playlists.

Uma das coisas que mais amo na indústria fonográfica e audiovisual são os clipes musicais. Passo horas no YouTube tentando descobrir as possíveis referencias usadas nos vídeos, apreciando a fotografia e tentando imaginar como foi construir o roteiro daquilo tudo. Quem foi que pensou nesses elementos? Por que usaram essa paleta? Será que era isso que o artista realmente queria?. São várias indagações enquanto aprecio aquelas imagens.

Em uma dessas passeadas no YouTube, na lista de reprodução automática, a música 2000 n SOMETHIN me tomou completamente. As batidas simples e voz suave dão as características de um R&B de fácil consumo. Nada de firulas no clipe também. É uma produção redondinha que traduz os questionamentos da música e da cantora naquele momento.

A música é sobre mim, enquanto eu estava no colégio sentindo que eu precisava ser algum tipo de pessoa. E me encaixar e andar com os outros mesmo sabendo que eles não eram bons para mim, mas você sabe, eu só queria uma panelinha”, relatou Kaiit, durante entrevista ao site Redbull.

Os anjos do Youtube realmente queriam me fazer prestar atenção nessa garota de 20 anos. Ao iniciar a próxima faixa do mix, OG Luv Kush pt. 2, soube que precisava salvar, imediatamente, o álbum dela no meu Spotify. Apesar de ainda não ter visto a tatuagem com o rosto da Lauryn, já dava para sentir a vibe de Ex Factor em sua maneira de cantar. Algumas linhas melódicas interrompidas por versos em rap. Tudo feito de forma aparentemente genuína, sem grandes esforços.

Mais tarde, pude conferir o EP Live From Her Room, lançado em setembro de 2018. Recomendo ouvi-lo de uma vez só, já que são apenas cinco faixas. O material cumpre bem o papel de primeiro compilado musical da artista – é jovem em sua temática, mas com certa profundidade sonora. Além disso, ao passar uma mensagem de autoaceitação, dialoga bem com o público que a artista pretende alcançar.

Eu quero que eles sintam que não estão sozinhos e que eles estão representados. Eu quero que eles se sintam curados de alguma forma. Eu tive mensagens bonitas de pessoas dizendo que minha música as ajudou de alguma forma e se eu puder continue a fazer isso, então eu sinto que fiz o meu trabalho”, declarou à Vogue.

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Kaiit é o tipo de artista que, definitivamente, vale a pena ficar de olhos e ouvidos bem abertos.

Jader Theóphilo

jader theóphilo

Jornalista e produtor de conteúdo. Escreve, principalmente, sobre assuntos culturais.

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