Skam: Inseguranças e moralidade

Skam: Inseguranças E Moralidade
[tempo de leitura: 5 minutos]

“Skam”, série teen norueguesa, completa o aniversário de um ano de seu episódio final, deixando fãs marcados pelas histórias de seus quatro protagonistas.


Séries com temática de rotina adolescente sempre chamam atenção por onde passam. Skins (2007 – 2013), Misfits (2009 – 2013), Shameless (2011) e muitas outras, trouxeram para as telas o universo teen, abordando temas que retratam a realidade de jovens ao redor do mundo. Drama, relacionamento, high school e bullying caracterizam esta categoria; porém, olhando mais a fundo, é possível enxergar questionamentos sociais sobre situações da atualidade.

Fé, sexualidade, relações amorosas, amizade e o poder das redes sociais são alguns assuntos abordados em Skam, a série norueguesa criada por Julie Andem e lançada pela emissora NRK P3. O programa mostra a vida dos estudantes de um conceituado colégio de ensino médio localizado em Oslo, capital norueguesa, vivenciando seus conflitos internos e em sociedade. Traduzindo para a língua portuguesa, skam quer dizer “vergonha”.

Dos sinônimos da palavra, os melhores para encontrar um significado sincero designado ao título da trama são insegurança e moralidade. As duas palavras ilustram a essência da série, cujo drama é extraído a partir das inquietações, conflitando o tempo inteiro com os ideais dos personagens, dando alma para o programa que ganhou o coração de muitos ao estrear em 2015 e foi eternizada com o seu final em 24 de junho de 2017.

Ao todo, são quatro temporadas, cada uma delas focada em um personagem, narrando sua vida, suas inseguranças e seu cotidiano. A primeira é sobre Eva Mohn (Lisa Teige), seu relacionamento com Jonas (Marlon Langeland) e sua procura por novas amizades após de ter se afastado das antigas amigas. A temporada desencadeia acontecimentos que possibilitaram amadurecimento, descoberta e autoconhecimento para Eva, que se torna uma nova pessoa ao longo dos outros anos.

Na segunda, Noora Amalie (Josefine Frida) é a protagonista da vez. Empoderada e muito certa de suas decisões, ao longo dos episódios ela se mostra controversa a todos seus valores e ideais quando se apaixona, confirmando que nem sempre o que pregamos se aplica a nós mesmos. Carregando muitos segredos, amizades são colocadas a prova por consequência de suas decisões.

O terceiro ano nos apresenta Isak Valtersen (Tarjei Moe). O companheirismo de seus melhores amigos foi essencial no processo de descoberta e aceitação quanto sua sexualidade quando conhece Evan e se apaixona. Ele enfrenta um grande dilema com a decisão de se assumir gay para sua mãe.

A última temporada, conta a história de Sana Bakkoush (Iman Meskini) e sua espiritualidade, mas dá abertura para os planos de formatura e também para novos personagens. Os episódios acontecem durante o Ramadã, jejum muçulmano. Em sua trama, Sana, praticante da religião islâmica, passa por um conflito, ao se apaixonar por Yousef (Cengiz Al), um garoto que não compartilha das mesmas crenças.

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Muito comparada a Skins, a série norueguesa a contrapõe em muitos aspectos, dentre eles, a cultura dos dois países, que é uma característica muito influente no comportamento e nos costumes dos personagens. O contrário do que é mostrado na série inglesa, em Skam outro ponto que as separa é o fato de que as gerações evoluíram, apesar das personagens terem idades parecidas, estamos em épocas diferentes, tratando de assuntos diferentes.

A série não chegou a passar em nenhuma emissora brasileira e mesmo com a insistência dos fãs, os direitos não foram comprados pela Netflix. Mas pode ser encontrada facilmente na internet, o que a tornou totalmente virtual, conhecida, compartilhada e propagada através das redes sociais. Isso aproxima os espectadores, visto que a forma de divulgação é muito tangível a realidade: todos os personagens possuem perfis no Instagram que eram controlados por seus respectivos intérpretes, atualizados em tempo real.

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O que torna Skam sensível e humano são as experiências que cada um dos personagens vive, são situações reais, que qualquer pessoa, de qualquer lugar do mundo vive. É satisfatório os ver crescendo e amadurecendo quanto pessoas, dialogando, aprendendo e deixando de lado seus preconceitos, sempre colocando em pauta, conversas que podem estar presentes no dia a dia de qualquer outro adolescente. E no final das contas, são apenas jovens que gostam de festejar e estar juntos com os amigos.

A produção também possui um alcance social e cultural, fazendo seu telespectador ter curiosidade sobre a cultura norueguesa – além do habitual aprendizado de aprender alguma palavrinha da língua para colocar no vocabulário. Principalmente após o final da temporada de Sana, o interesse em saber sobre o Ramadã e pela religião muçulmana cresceu entre os fãs. Muitas fan pages formaram espaços de discussão e troca de informação para criar teorias e fantasias relacionadas ao que pode ter acontecido depois que a série foi concluída. E, mesmo com o final, os fãs nunca a deixaram cair no esquecimento, possibilitando a criação de outras versões.

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Se encontrar entre lágrimas e sorrisos ao assistir cada episódio não é muito difícil, sentir raiva também não fica de fora. Skam tem personagens para amar e para odiar, casais que torcemos para ficar juntos e outros que torcemos para se separarem. A série aflora os sentidos tornando simples se imaginar ali, querendo estar no lugar de cada um dos adolescentes junto de seus amigos.

 

Skam Pelo Mundo

Julie Andem não esperava que sua criação repercutisse tanto. Por isso, após concluir Skam original, não satisfeita em manter a série apenas na cultura norueguesa, decidiu expandir por outros países. França, Itália, Estados Unidos, Espanha, Holanda, Alemanha e, mais recentemente, a Bélgica ganharam versões que também conquistaram o coração do público, nostálgico pelo fim da tão queridinha primogênita.

As versões não perdem a autenticidade em relação a original, mantendo os mesmos personagens, interpretados por atores diferentes. Também, a maioria dos seus respectivos plot twists são iguais à série-mãe, mas possuem essência própria, podendo surpreender vez ou outra. E, com algumas adaptações, as séries de cada país se encaixam em sua cultura, sendo mais fiéis ao comportamento e história de cada um dos respectivos países.

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Apesar dessas outras alternativas terem sido bem recebidas, a fã base fica de coração partido em imaginar as possibilidades de explorar outros personagens e conhecer um pouco mais da história da primeira criação de Andem, que também foram importantes na construção da série.


PLAYLIST

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agnes nobre

tem 19 anos e estudante de Jornalismo. apaixonada pela escrita e pela fotografia, sempre busca crescer e se aprimorar nisso. está sempre disposta a explorar e experimentar as áreas que o jornalismo proporciona. tem um catálogo de séries inacabadas e assistidas pela metade, um gosto musical de pré adolescente, e nunca nega uma cerveja!

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