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Silva leva a brasilidade para o exterior em tom intimista

[tempo de leitura: 4 minutos]

Em “Ao Vivo em Lisboa”, Silva surpreende com intimismo enquanto celebra a brasilidade com produções autorais e sucessos da MPB.


SSer intimista já é uma característica conhecida da personalidade de Lúcio Silva de Souza, popularmente conhecido pelo nome artístico Silva. Contudo, sua habilidade para esse tom ainda não havia aparecido tão claramente como em Ao Vivo em Lisboa, seu novo álbum que registra o show realizado em Portugal, em março deste ano no Cineteatro Capitólio de Lisboa.

Sem a possibilidade do calor da plateia e as reações que se manifestam a cada fim de música, por conta da atual pandemia, Silva nos surpreendeu com o mergulho em uma apresentação profunda e íntima que passeia por clássicos da MPB e canções de seus trabalhos, levando para a capital portuguesa mais um ouro nacional que o país precisava conhecer. E apesar de apresentar faixas muito conhecidas pelo público que o acompanha, o artista trouxe uma nova roupagem e construção melódica, fazendo da voz e violão sua ferramenta para alcançar a plateia e os milhares de ouvintes nas plataformas digitais que, agora, podem desfrutar também desse espetáculo sonoro.

 

Ao Vivo em Lisboa

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Capa do álbum

Como se estivesse sentado na primeira fila”, esse foi meu sentimento quando ouvi Carinhoso, de Pixinguinha, nos vocais tranquilos e serenos de Silva. A primeira canção do show e do disco já mostram de cara o clima a que vamos nos envolver dali para frente (são 15ª faixa): uma celebração da cultura nacional e artistas que marcaram gerações.

Após lançar sete álbuns que apostam em uma sonoridade nostálgica, de quem reconhece suas raízes propriamente relacionadas com o nosso país, o artista traz nesse em Ao Vivo em Lisboa apenas referências em artistas nacionais, além da presença do amigo e músico Hugo Coutinho no palco.

Silva reúne sucessos, explora os sons próprios da música brasileira e, usando principalmente do violão, com sua voz leve vai guiando o ouvinte, enquanto dessa forma, determina a melodia das músicas apresentadas. Inspirações em elementos e produções marcantes da cultura brasileira são destaques, como as canções Um Girassol da Cor do Seu Cabelo (de Clube da Esquina), Flor do Cerrado (de Gal Costa), Aquele Frevo Axé (de Caetano Veloso) e Canta Canta Minha Gente (de Martinho da Vila). Também Marisa Monte, a qual o cantor já dedicou um disco lançado em 2016, é lembrada neste compilado nas versões de Bem Que se Quis, Beija Eu e Infinito Particular.

Fato é que o artista escolheu músicas que marcaram época e continuam emocionando a gente, as quais o público pode conhecer em novos arranjos. Silva mistura ainda algumas músicas próprias, a maior parte do disco Brasileiro, como A Cor é Rosa, Fica Tudo Bem, Guerra de Amor, Prova dos Nove, Duas da Tarde e Milhões de Vozes, deixando os fãs ainda mais empolgados com o espetáculo ao revisitar sucessos do capixaba.

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Silva em Lisboa

A surpresa do repertório é Júpiter, canção de 2015, lançada como primeiro single do novo álbum, escolhida principalmente pela mensagem presente. “Quando eu fiz, em 2015, era outro momento. Mas já falava do tédio, de propor um lugar novo. Era meio escapista naquele momento, mas acho que agora faz todo sentido. É para trazer esperança”, argumenta em entrevista ao Correio Braziliense.

Toda a performance do Ao Vivo em Lisboa é muito crua, tomada por um som documental sem muitas pretensões que domina o repertório, além da conexão com quem está perto ou longe, mas que precisa ouvir e refletir sobre os versos ali presentes. É um show reflexivo, sem efeitos e a base explosiva da banda, que seria realmente diferente sem a presença da plateia, o que resulta em um álbum caloroso e emotivo.

 

“Lisboa é uma cidade que me recebe desde que lancei meu primeiro disco, mas eu ainda não tinha feito um show nesse formato voz, violão e bateria/percussão. O público de Lisboa é quente, mas da sua maneira. As pessoas fazem um silêncio sepulcral durante as músicas e aquela festa quando termina”.

SILVA SOBRE A ESCOLHA DE LISBOA.

 

O próprio músico revelou que tinha questionado, em um primeiro momento, o uso de equipamentos de gravação e a captação do áudio dos shows feitos em turnês. “Mas comecei a ouvir esses materiais e vi que os registros estavam lindos. Tínhamos ‘microfonado’ o teatro todo. Não tinha a intenção de lançar, era para guardar. Mas, quando eu vi que tinha esse material, achei que devia lançar”, destaca em entrevista ao Correio.

“Canta Canta, minha gente / Deixa a tristeza pra lá / Canta forte, canta alto / Que a vida vai melhorar / Que a vida vai melhorar”. É assim que Silva e o público presente no show terminam o álbum, motivados pelos versos de Martinho da Vila. É um encerramento que deixa uma mensagem de esperança contagiosa e alegres por perceber o quanto a arte e a cultura podem contribuir, sobretudo, para nos permitir vivenciar experiências que, ainda mais agora, não podemos experimental no real.

Ouvir Silva neste novo álbum é um respiro em meio a tantas situações e informações que estamos recebendo a cada dia. O projeto revela uma investida necessária e ousada, que nos transporta, através da música, para um otimismo e a alegria próprias da interação com a plateia.


PLAYLIST

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Mike Faria

mike faria

Conectado com a potência das narrativas e a sensibilidade social encontrou no Jornalismo o melhor lugar para se expressar, junto a prática de natação nas horas vagas e as distopias para lidar com a realidade.

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