Uma década de RuPaul’s Drag Race

Uma Década De RuPaul’s Drag Race
[tempo de leitura: 19 minutos]

“RuPaul’s Drag Race” completa uma década como o reality show de drag queens mais importante do mundo, comandado pelo ícone da arte drag, RuPaul.


Nota da Colab: este texto contém inúmeros spoilers!

 

Gentlemen, start your engines and may the best woman win!

Sem sombra de dúvida, RuPaul’s Drag Race é um dos grandes responsáveis pela propagação mundial da cultura drag. O reality show possui uma legião de fãs por todo o mundo e até inspirou outros programas de competição de drag queens como o brasileiro Academia de Drags, e o tailandês Drag Race Thailand. Caso você não conheça a série, RPDR consiste em uma competição para eleger a próxima America’s Next Drag Superstar (A Próxima Drag Superestrela da América, em tradução livre), que recebe um prêmio em dinheiro, além de um cetro e um coroa de ouro cravejados de pedras preciosas, um estoque vitalício de maquiagem e destaque na próxima tour do programa pelos EUA. A escolha da vencedora é feita por meio de desafios que podem variar entre ter que atuar, dançar, cantar, dublar, criar uma roupa e, as vezes, fazer tudo isso ao mesmo tempo.

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As participantes da décima temporada de RuPaul’s Drag Race junto a algumas das veteranas do programa

No ano em que o RuPaul’s Drag Race completa dez temporadas, achamos justo que você conheça um pouco mais do reality, as vencedoras e os melhores momentos da competição que é o equivalente à Miss Universo do mundo LGBTQ+. E para você que é fã, fica aqui a nossa retrospectiva.


Em 2008, o orçamento era baixo e cenários bem simples. Isso não foi empecilho para que as participantes mostrassem todo o seu Carisma, Originalidade, Tenacidade e Talento (C.U.N.T., na sigla original) nos desafios. Nessa temporada, conhecemos grandes queen como Nina Flowers, Shannel e Bebe Zahara Benet, que foi a vencedora da vez. As principais premiações foram um estoque “vitalício” de maquiagem da MAC Cosmetics e 20 mil dólares. E essa não seria a última vez que Bebe deu as caras em RuPaul’s Drag Race

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Don’t Be Jealous Of My Boogie

A segunda temporada já trouxe cenários mais com cara de reality show, uma workroom (onde as queens desenvolvem os desafios) maior e mais equipada e um palco principal com mais iluminação e uma passarela digna de desfile de grifes. O segundo ano trouxe o desafio que se tornou o favorito de todo o público: o Snatch Game é um jogo de perguntas e respostas que as queens participam enquanto personificam uma celebridade, e acima de tudo, dão um show de humor. Elas precisam fazer a gente rir! No gameTatianna roubou a cena com sua Britney Spears e ganhou o desafio, que também teve a latina Jessica Wild se atrevendo a fazer a própria RuPaul. Foi nesta temporada que público teve um primeiro gostinho de Shangela Laquifa Wadley, que na época se montava há cinco meses, mas conquistou Ru com sua personalidade.

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Mesmo tendo deixado a competição no primeiro episódio, a queen já ficou na memória de todos por emplacar seu bordão “halelooo”, não sendo a última vez que Shangela usaria-no no RuPaul’s Drag Race. O top três da vez é Tyra Sanchez, Raven e Jujubee, com Tyra levando a coroa (The other, other Tyra). A vitória de Tyra é questionada até hoje por conta da postura que a queen tinha com suas colegas na workroom, muitas vezes sendo grossa e rude. Recentemente, a winner se envolveu em uma polêmica ao publicar uma carta aberta à RuPaul em suas redes sociais, expondo a indiferença da apresentadora em relação a repercussão negativa que o programa causou em sua carreira. Tyra também disse em sua carta sobre o racismo que acontece tanto dentro do reality show quanto por parte dos fãs.

 

You’re a Champion, and You’re Always Be a Hero

Na terceira temporada, Michelle Visage, melhor amiga de Mama Ru, se torna uma das juradas do programa. Essa temporada foi marcada por muitos looks icônicos, principalmente de Manila Luzon e Raja, que chegaram ao top três junto com Alexis Mateo (BAM!). As queens dos looks se juntaram com as amigas Carmem Carrera e Delta Work e formaram o grupo The Heathers, por se considerarem as mais talentosas e bonitas da competição; as outras eram apenas as booguers.

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Após a entrada das queens no primeiro episódio, Ru decide surpreender a todos trazendo de volta Shangela para concorrer nesta edição do programa, o que não foi do agrado da maioria da colegas. A queen chega bem mais confiante e preparada, chegando ao top seis. Seu retorno causa conflito com as Heathers, que a criticam constantemente por repararem que Shangela sempre tinha ajuda de outras colegas durante os desafios. Yara Sofia e Alexis Mateo, a dupla dinâmica de Porto Rico se manteve firme durante a competição e se aproximaram muito, mas durante o lip sync de Make Dat Money Ball veio um dos momentos mais emocionantes da terceira temporada: na performance, Yara rasga todo o seu look, desaba no palco e começa a chorar. Ela queria muito continuar na competição mas duelar com sua melhor amiga ali dentro foi demais para ela. Quando Alexis para de dublar e vai até a amiga, todos no palco se emocionam, mas Ru decidi que Alexis continuaria na competição.

Quem levou a coroa dessa edição foi Raja, que ao longo da temporada demonstrou ser uma queen muito talentosa. Mesmo sendo categorizada como uma rainha fashion, Raja teve um bom desempenho em desafios que demandaram outras habilidades, como o Snatch Game. Hoje, ela tem um quadro no canal do Youtube da WOW Presents, produtora do reality, em que ela avalia looks das drags em alguns eventos, juntamente com uma queen convidada.

 

She’s Like a Female Fenomenon She’s a Glamazon

A quarta temporada trouxe uma vibe diferente ao programa, com queens mais diversificadas. Os fãs puderam conhecer grandes personalidades como Latrice Royale e Phi Phi O’Hara. Falando em Phi Phi, os momentos de atrito que ela teve com Sharon Needles não foram poucos: em uma das cenas mais clássicas de todo o programa é O’Hara dizendo “Pelo menos eu sou uma showgirl. Volta para festejar na cidade, que é onde você pertence, vadia” quando Sharon a chama de “Showgirl estragada”. Sharon surpreendeu a todos por ter uma estética diferente, meio Tim Burton, ganhando o primeiro o desafio do Rupocalipse. Ela foi mais ainda contra a maré quando decidiu imitar Michelle Visage no Snatch Game, deixando tanto suas colegas quanto Ru receosas. Sharon ganhou esse desafio, mais uma vez, e a jurada amou a performance da queen.

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Em um dos desafios, as queens tiveram que desenvolver a capa de uma revista da qual tiveram o tema designado por Latrice, que ganhou o mini desafio. Jiggly Caliente, uma queen plus size, ficou com uma revista sobre saúde e ginástica. Algumas colegas a aconselham a fazer algo cômico por ela ser uma queen de humor além de plus size, mas ela começa a pensar a fazer algo sério realmente como uma revista real desse nicho seria. Quando ela discute essa ideia, Phi Phi diz que se ela sente que isso é o que ela deve fazer, mas é mostrada logo em seguida cochichando com William rindo a escolha. Jiggly vai mal no desafio e perde o lip sync contra Latrice. No episódio da final, descobrimos que Phi Phi e William armaram para convencer Jiggly a fazer algo que ela se daria mal para que ela fosse eliminada.

No top seis, as queens têm que preparar uma performance em dupla com a queen com quem menos se identificam. Para a surpresa de todos, ou não, Phi Phi é pareada com Sharon, Latrice com William e Chad com Dita. Phi Phi e Sharon têm muita dificuldade durante os ensaios porque realmente não se entendem e não conseguem fazer com a química funcione. Chad e Dita têm uma performance nem boa nem ruim. William e Latrice conseguem trabalhar muito bem juntas e sair da zona de conforto. Após anunciarem as vencedoras Latrice e William, ambas vão para o fundo do palco, enquanto Phi Phi e Sharon vão para a eliminação. Mas é após o lip sync que Ru pede que William venha para a frente do palco, causando uma dos momentos mais chocante e memoráveis do programa. RuPaul revela, bem séria, que chegou a seu conhecimento que William quebrou uma das regras do programa e que por isso ela teria que deixar a competição imediatamente – um momento inédito no show. Assim, Phi Phi e Sharon continuam no programa.

O top três é formado por Sharon Needles, Phi Phi O’Hara e a melhor imitadora de Cher, Chad Michaels. Sharon se sente muito surpresa por estar na final, mesmo sendo a primeira queen na história do programa a ganhar quatro desafios. Assim, ela acaba levando a coroa dessa edição, adotando um perfil mais creepy e diferente. Ru mostrou que não importa que tipo de queen você é, basta que você tenha talento, você é capaz de ganhar. Após o programa, Sharon começou uma carreira musical e lançou três álbuns: PG-13, Taxidermy e Battle Axe.

 

The First Return

Pela primeira vez, RuPaul decide trazer de volta queens que não foram capazes de levar a coroa em suas temporadas para competir de novo em RuPaul’s Drag Race All Stars. Agora, as drags devem se enfrentar em duplas, algo que surpreendeu a todas. As duplas formadas são Mimi Imfirst e Pandora Box (Mandora), Tammie Brown e Nina Flowers (Brown Flowers), Manila Luzon e Latrice Royale (Latrila), Yara Sofia e Alexis Mateo (Yarlexis), Jujubee e Raven (Rujubee) e Chad Michaels e Shannel (Shad).

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A cada desafio, as queens eram julgadas como um conjunto e se uma da dupla tivesse ido mal, isso podia ser suficiente para colocá-las na eliminação. Durante o lip sync, apenas uma das queens de cada dupla participava, entretanto, a outra poderia substituí-la no primeiro minuto da performance se sentisse a necessidade. O top dois de All Stars ficou com Chad Michaels e Raven e, mais uma vez, Raven se viu no segundo lugar e Chad levou a coroa.

 

This Is The Beginning Of The Rest Of Your Life

Na quinta temporada, finalmente, temos a presença da surpreendente Alaska Thunderfuck, que tentou entrar na competição desde a primeira edição e, na época, era namorada de Sharon Needles. Alaska logo se aproximou de Detox e Roxxxy Andrews, formando o trio Rolaskatox. As três sempre se juntavam em desafios em grupo e se ajudavam nos individuais. Michelle alertou Alaska que ela precisava se destacar na competição e partição e estar em um grupinho não ia ajudar nisso, então Alaska decidiu focar em si e deixar as amigas de lado.

Outro grande drama dessa temporada foi a presença de Alyssa Edwards e Coco Montrese. As duas queens eram melhores amigas até Alyssa ganhar o título de Miss Gay America e Coco, que ficou em segundo lugar, assumir a coroa, por razões que até hoje são desconhecidas. Quando as duas se viram na workroom, foi um dos momentos mais tensos da temporada, causando dúvidas entre as outras queens, que queriam saber porque as duas não se gostavam. Durante toda a temporada a tensão permaneceu entre as duas drags, até que ambas foram para a eliminação em um dos lip syncs mais lembrados de todo o programa, com Alyssa deixando a competição. O melhor desafio da temporada definitivamente foi o RuPaul Roast, em que as queens tinham que fazer um show de comédia de insulto em a homenagem a própria Ru. As melhores apresentações ficaram por conta de Alaska, Jinkx Monsoon e Coco, que ganhou o desafio ao fazer sua performance como a amiga do gueto de Ru antes de ser famosa.

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As queens que chegaram ao top três na quinta temporada foram Alaska, Roxxxy e Jinkx, que muitas acreditava-se que ela seria a primeira a ser eliminada. Jinkx era muito criticada por seus looks, por ter uma estética diferente, um humor diferente. Mesmo indo para o palco esperando o pior, desafio após desafio ela foi surpreendendo e ficou apenas uma vez na eliminação. No final, foi Jinkx quem ganhou, mostrando mais uma vez que o diferente e o inesperado também têm lugar no mundo drag. Após sua vitória, Jinkx lançou os álbuns The Inevitable Album, The Ginger Snapped e ReAnimated. Além da carreira musical, Jinkx estreou em 2015 seu documentário Drag Becomes Him, que retrata o início de sua carreira como drag até um ano depois de ter vencido o reality.

 

Now Sissy That Walk

Na sexta temporada de RuPaul’s Drag Race, RuPaul decide dividir as queens em dois grupos para ter dois episódios de estréia, dessa forma uma queen seria eliminada de cada grupo sem conhecer o outro. Quando o segundo grupo entra pela primeira vez na workroom, parece que houve uma festa ali, vários copos usados, bolinhos comidos. Ao final do primeiro desafio desse grupo, todas as queens se conhecem e já é perceptível uma certa rixa entre os grupos. Bianca Del Rio é o destaque da temporada, com vários bordões como “Not today satan, not today” e “Need help packing, queen?”. Com uma personalidade forte, Bianca tem um humor on point, sabe costurar e atua bem. Mesmo sendo respondona, é possível ver momentos em que ela mostrava um lado amigável, como quando ajudou Adore Delano com o corset e Trinity K Bonet no desafio do comercial.

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O Snatch Game é um dos melhores de todo o programa, trazendo Adore totalmente dissimulada como Anna Nicole Smith, BenDeLaCreme muito engraçada e no personagem como Maggie Smith em Downton Abbey (ganhando o desafio) e Bianca hilária como Judge Judy. O top três dessa temporada foi Bianca Del Rio, Adore Delano e Courtney Act. Bianca foi a que teve um melhor desempenho durante a competição e foi mais versátil. Adore e Courtney se destacaram nos desafios de canto, mas Adore não sabia costurar e Courtney, segundo os jurados, não tinha muita personalidade. Por esses motivos, Bianca levou a coroa.

Após o programa, a queen gravou seus dois filmes Hurricane Bianca e Hurricane Bianca: da Rússia com Ódio, que caíram no gosto dos fãs. Uma das queens mais bem sucedidas do ramo, ela também faz aparições em alguns episódios futuros do reality, desde 2014 viaja pelo mundo com os seus aclamados comedy shows (The Rolodex of Hate, Not Today SatanBlame It On Bianca del Rio) e até já lançou um livro intitulado Blame It On Bianca del Rio, onde ela se auto-intitula a “expert em nada que tem uma opinião sobre tudo“.

 

We’re All Born Naked And The Rest Is Drag

A sétima temporada tem queens bem excêntricas como Max, com um estilo old hollywood e que só usa perucas cinzas, Katia, que se autodefine como uma prostituta russa e sua personalidade engloba muito humor, e Trixie Mattel, com uma estética exagerada inspirada na Barbie. Violet Chachki foi a fashion queen da temporada trazendo looks inovadores como no desafio da Hello Kitty e no desafio em que elas deveriam demonstrar sua morte, com a drag morrendo pela falta de ar por ter a cintura mais fina da história de RuPaul’s Drag Race. No início da temporada, Violet tinha um jeito ríspido e poucas amigas, evoluindo muito sua personalidade no decorrer da competição.

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Aqui, as queens que vão para o top três são Violet, Pearl e Ginger Minj, que ganhou o Snatch Game com sua performance de Adele. Muitos que pensaram que estava na hora de uma big girl ganhar, acabaram ficando decepcionados quando Ru anunciou que o prêmio seria de Violet Chachki. Apostando mais em uma carreira como modelo e seu estilo pin-up, Violet apareceu recentemente no comercial da coleção Outono/Inverso da Prada, estrelada pela atriz Sarah Paulson.

 

I Know What I Feel, What I Feel Is Real

A oitava temporada trouxe muitas personalidades fortes, principalmente o trio vindo de Nova Iorque: Acid Betty, Bob The Drag Queen e Thorgy Thor. Nesta temporada, Derrick Barry é a queen número 100 a entrar na workroom e a melhor imitadora de Britney Spears de toda Las Vegas, possuindo seu próprio show na cidade. Uma dupla de Porto Rico também está presente para representar as latinas: Cynthia “Cucu” Lee Fontaine e Naysha Lopes.

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No primeiro desafio, cada queen teve que fazer uma releitura de um desafio passado diferente. Bob The Drag Queen ficou com o Gone With The Wind, em que teria que fazer um look usando o tecido de cortinas. Ela não só fez o look, como usou o tecido que sobrou e fez uma bolsa de mão que usou para criar seu bordão que depois virou singlePurse first, purse first, walk into the room purse first”. Enquanto isso, o trio de NY têm alguns problemas entre si: Acid não gosta de Thorgy, que não de Bob. No entanto, as três tentam se unir nos desafios em grupo para irem bem, como no qual elas têm que formar uma banda de new wave. A tensão começa a surgir quando Bob e Thorgy ficam no top dois em diversos desafios, com Bob sempre vencendo e Thorgy elaborando a ideia de uma conspiração contra ela, pela drag ser tão boa quanto sua oponente.

Um dos momentos mais chocantes da temporada acontece logo no segundo episódio. Após o desafio, Dax Exclamation Point e Laila Mcqueen vão para a eliminação e se enfrentam no lip sync com a música é I Will Survive, de Gloria Gaynor, um hino da comunidade LGBTQ+. O que ninguém esperava é que a performance de nenhuma delas fosse capaz de impressionar RuPaul o suficiente para que elas continuassem na competição, levando as duas a serem eliminadas.

Quem vai para o top três é Bob The Drag Queen, Kim Chi e Naomi Smalls. Durante os desafios, Bob teve mais wins e se demonstrou muito mais versátil que as colegas. Sua performance no Snatch Game foi única, com Bob sendo a única queen a representar dois personagens no desafio: as atrizes Uzo Aduba, de Orange Is The New Black, e Carol Channing. Por esses motivos, acabou levando a coroa. Uma ativista LGBTQ+, Bob já apareceu em algumas músicas de suas amigas queens, tem o seu próprio podcast (Sibling Rivalry) e em 2017 teve seu comedy show exibido na tv como o especial Bob the Drag Queen: Suspiciously Large Woman.

 

Cause You’re Gonna See Me Hanging In The Hall Of Fame!

Depois de quatro anos, chega a segunda temporada de All Stars, trazendo de volta as queens favoritas dos fãs que não venceram suas respectivas temporadas. Na segunda temporada da redenção, temos quase metade do elenco da quinta temporada (Alaska, Alyssa, Coco, Detox, Roxxxy), Phi Phi O’Hara, Tatianna, Adore Delano, Katya e Ginger Minj. A grande mudança desse ano é anunciada logo no começo, quando Ru avisa que ela não vai eliminar ninguém na temporada, ficando a cargo das próprias queens decidirem. Enquanto se preparam para o primeiro desafio na workroom, Alaska comenta com as queens que sente que mesmo assim alguém vai para casa naquele dia. E ela estava certa.

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Após o desafio, RuPaul revela que ao invés de as duas queens piores terem que duelar para continuar na competição, as duas melhores melhores iriam disputar por 10 mil dólares e pelo direito de eliminar uma das piores, mudando toda a dinâmica do programa. Durante as críticas dos jurados do primeiro episódio, Adore se sente atacada por Michelle e se demonstra chateada com isso. No segundo episódio, ela está mais quieta na workroom e quando Ru vai até lá para orientá-las sobre o desafio e a vê com os vermelhos de chorar, Adore diz que quer ir para casa, que ser criticada daquela forma é demais para ela. Ru insiste que ela converse com Michelle e mesmo após essa conversa, em que a jurada se desculpa com a queen e diz que nenhuma crítica foi com intenção de magoá-la, ela decide deixar a competição voluntariamente.

Alaska e Katya ficam entre as duas melhores diversas vezes e Alaska sempre vence, para a sorte de Roxxxy, que fica entre as piores em quase todas as tarefas e acaba sendo salva pela amiga. Tudo muda quando, no desafio em que as queens tem que transformar uma parente em drag, Alaska se vê entre as piores pela primeira vez em toda a competição. Ela tem um colapso e até diz que paga 10 mil dólares às queens no top para que não a eliminassem.

Eventualmente, o top três é formado por Alaska, Detox e Katya, com Alaska levando a coroa graças a seu desempenho na competição. Mesmo antes de AS2, Thunderfuck já tinha uma grande carreira musical com seus álbuns Anus e Poundcake, no qual uma das músicas é titulada Come to Brazil e teve o clipe gravado no Rio de Janeiro quando ela veio ao país em sua tour mundial.

 

Category Is: Bring It To The Runway

A nona temporada começou com 13 queens inéditas e Cynthia Leane Fontaine. O elenco é bem variado, desde a caloura Valentina, que se montava a dez meses, até Charlie Hides, com uma carreira de 20 anos. A temporada contou com a presença de grandes celebridades como Lady Gaga, homenageada no primeiro desafio, e Lisa Kudrow, a Phoebe de Friends, no segundo episódio.

Durante a temporada, Nina Bonina Brown se sente para baixo e justifica isso dizendo que as outras queens falam mal dela, acabando por afetar o seu desempenho durante a competição e uma discussão com Shea Couleé, uma das colegas que mais a apoiava. No quinto episódio, Eureka tem que deixar a competição por conta de uma lesão que sofreu durante o desafio de líder de torcida no segundo episódio. RuPaul faz questão de dizer que a queen tem uma vaga garantida na décima temporada.

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Ao longo dos desafios, Shea Couleé e Sasha Velour são as queens que mais se destacaram, obtendo os melhores desempenhos. Inclusive, as duas ganharam dois desafios em que competiram em dupla, o Good Morning Bitches e o Your Pitot’s on Fire. No Snatch Game, Sasha como Marlene Dietrich e Alexis Michele como Liza Minnelli foram grandes os destaques, dando um show de humor interpretando personagens que não são declaradamente engraçados. Nina se mostrou super confiante performando como Jasmine Masters, participante da sétima temporada, e surpreendeu aos jurados.

O desafio RuPaul Roast está de volta, agora com homenagem a Michelle Visage, que descobriu que seria o tema da noite na hora da apresentação. As queens que saíram melhor foram Sasha e Peppermint, que ganhou o desafio depois de algumas semanas na eliminação. A temporada também deu para o público o inesquecível lip sync do desafio Club Kid, em que Nina e Valentina foram para a eliminação. Valentina estava usando uma máscara em seu look e quando a música começou todos ficaram se perguntando quando ela iria tirar o adereço, o que não aconteceu. RuPaul teve que parar a dublagem e dizer a ela “Isso é uma dublagem, que parte disso você não entendeu? Precisamos ver seus lábios”. Valentina pediu para ficar com a máscara e Ru insistiu que ela tirasse. No resto da performance, foi notório o motivo de ela não querer tirar: ela não sabia a letra!, o que acabou resultando nela indo para casa.

Dessa vez foi formado um top quatro por Sasha Velour, Shea Couleé, Trinity Taylor e Peppermint. Pela primeira vez em toda história do programa, as queens do top quatro disputam a coroa com lip syncs. O primeiro foi entre Shea e Sasha, as melhores amigas, o mais emocionante da noite. Em vários momentos da canção, Sasha fez revelações com pétalas de rosas (nas luvas, embaixo da peruca) e levou a melhor, indo para o lip sync final. Trinity e Peppermint disputaram pela segunda vaga e foi Peppermint que avançou na competição.

Na etapa final, embora ambas as participantes tenham ido muito bem, Sasha se doou mais a canção e às revelações, fazendo ela levar a coroa.

 

Hey Kitty Girl, It’s Your World

Mais uma vez as queens que não ganharam estão de volta e dessa vez não foi preciso esperar quatro anos. O All Stars 3 é composto por Aja, Trixie Mattel, Shangela (pela terceira vez!), Morgan McMichaels, Chi Chi DeVayne, Thorgy Thor, Kennedy Devenport, BenDeLaCreme, Milk e, a vencedora da primeira temporada do reality, Bebe Zahara Benet.

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O esquema de eliminação continua o mesmo de AS2, em que as duas melhores do desafio vão para o lip sync e a vencedora ganha 10 mil dólares e o direito de eliminar uma das piores. Shangela e BenDeLa dominaram os lip syncs sendo as melhores em praticamente todos os desafios da temporada. Quem ganha a maioria deles é Shangela, com a exceção do lip sync de I Kissed a Girl em que elas empatam e ambas têm o direito de eliminar alguém, escolhendo Chi Chi. Shangela escolhe ser bem estrategista durante suas escolhas de eliminação e fazer alianças, sempre mencionando o comportamento de Daenerys em Game Of Thrones para conquistar os reinos.

Com certeza um dos momentos mais chocantes de todo RPDR e o mais chocante da temporada acontece no episódio do top cinco quando as queens eliminadas voltam na competição, os dois grupos competem entre si e uma das eliminadas tem a chance de voltar à competição. O top cinco ganha e BenDeLa e Bebe são as melhores, enquanto Trixie, Shangela e Kennedy estão entre as piores. BenDeLa ganha a dublagem e decide que Morgan volta a competição, anunciando então sua chocante decisão: ela não iria eliminar ninguém, mas sim deixar a competição voluntariamente. Nem mesmo a própria RuPaul consegue entender a decisão da queen, ficando completamente chocada enquanto a drag explica que se sente grata pela oportunidade e que já se sente uma vencedora e que por isso quer ir pra casa.

No último episódio, RuPaul revela que as queens eliminadas que irão decidir quem irá para o top dois. Elas escolhem Kennedy e Trixie, em uma decisão que causa completa discórdia entre os telespectadores do programa, que até mesmo criam a campanha “Shangela Deveria ter Ganhado“. É Trixie quem acaba levando a coroa.

Antes de AS3, Trixie já tinha uma carreira como cantora country com seus álbuns One Stone e Two Birds. A queen também tem um programa televisivo com Katya, chamado The Trixie & Katya Show, que surgiu do quadro que ambas tinham no canal do Youtube da WOW Presents chamado UNHhhh.

 

I Am American Just Like You Too

Na décima temporada de RuPaul’s Drag Race temos a volta de Eureka e mais 13 queens inéditas. Essa edição do programa comemora os dez anos da realização do reality e por isso a workroom passa por mais uma reforma que a torna ainda mais pink e fabulosa. O primeiro episódio traz consigo o drama entre Aquaria e Miz Cracker, ambas queens de Nova Iorque, que sempre são comparadas e até confundidas por serem muito parecidas.

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A primeira eliminada não seria a queen esquecida na temporada: Vanessa Vanjie Manteo quebrou a internet quando, no momento de sua saída da runaway, ficou repetindo a frase “Miss Vaaaaaaaanjiiiiiie”, que acabou se tornando o maior meme do décimo ano do show e até mesmo virou parte da língua LGBTQ+.

Fazendo jus a sua entrada, The Vixen realmente veio para brigar. A queen teve vários atritos com as colegas durante a temporadas. Um dos mais marcantes foi durante o RuPaul’s Drag Race: Untucked, um bônus do programa que mostra o momento em que as participantes são mandadas para relaxar enquanto os jurados deliberam. Na ocasião, no desafio Ball on Mars, a queen tem uma discussão calorosa após ser provocada por Eureka: a Elephantqueen diz que ela e Monique Heart são drags mais “espertas” por saberem se virar com pouco tempo e material. Vixen se sente ofendida e questiona o sentido em que ela disse isso, pois pareceu ser pejorativo. Eureka diz que ela é quem está dando um tom negativo a conversa e Vixen se diz cansada de ser sempre colocada nesse papel. As duas discutem e gritam uma com a outra até que Eureka sai do meio das colegas e confessa à Maihen Miller que provocou Vixen de propósito.

Outro desses momentos aconteceu no episódio do Snatch Game. Após as críticas dos jurados, Ru pergunta às queens quem deveria ser eliminada e a maioria diz o nome de Vixen, por ela ter ido mal no desafio. Quando Vixen é questionada, ela diz que quem deve ir pra casa é Eureka pois ela não tem profissionalismo ou ética profissional ao trabalhar com outras queens. No Untucked, Vixen diz que aquele momento serviu para que ela percebesse que ela não tinha amigos ali e que todas as queens tinham sido falsas com ela. As colegas explicam que não se trata de uma questão de amizade e sim do desafio, que o que ela disse sobre Eureka é que se refere à pessoa em si.

O top quatro da vez é formado por Aquaria, Eureka, Kameron Michaels e Asia O’Hara. Na mesma linha da nona temporada, as queens disputam a coroa através dos lip sync. O primeiro é entre Kamaron (que passa para a próxima etapa), que se mostrou uma excelente performer durante a temporada sobrevivendo a quatro eliminações, e Asia, uma queen que foi bem nos mais variados desafios durante a temporada e trouxe looks únicos. O segundo lip sync da noite é entre Aquaria e Eureka, com as duas avançando para a disputa final em um shantay you
stay a três.

A disputa final foi muito acirrada mas ali se iniciou a muito merecida Age of Aquaria (Era de Aquaria, em tradução literal). A queen que mais ganhou desafios durante a temporada arrasou no Snatch Game como Melania Trump e venceu mesmo não sendo muito forte na comédia. Com apenas 21 anos, Aquaria é uma das mais novas a participar de RPDR e a sua evolução como pessoa durante a competição é algo que é emocionante.


Sendo um absoluto sucesso com o público, o programa vem acumulando diversos prêmios desde 2009. Foi apenas em 2015 pque o programa recebeu a sua primeira nomeação ao Primetime Emmy Awards (até aqui, o Emmy já havia virado piada para Ru, que sempre era esnobado pelo programa, mesmo com a crescente fama), concorrendo em uma categoria técnica.

Em 2016, no entanto, o reality entrou na premiação mais mainstream, quando RuPaul levou a estatueta de Melhor Apresentador de Reality (e uma ténica). Em 2017, foram oito novas nomeações, das quais o programa venceu novamente a categoria de apresentação, além de outras duas ténicas. Em 2018, o reality bate um novo recorde e concorre a 12 prêmios, inclusive o de Melhor Reality Show e Melhor Apresentador. A premiação vai ao ar no dia 17 de setembro.


Se você é fã de RuPaul’s Drag Race, precisa conhecer o canal da DaCota Monteiro. Ela é uma queen de Ribeirão Preto que faz resenhas sobre os episódios da série, ou como ela chama: Ruviews. Sempre com aquela pitada de bom humor, ela têm vídeos opinando sobre a 9ª e 10ª temporada, além do All Stars 3. Sempre lembre de valorizar o trabalho das queens que estão próximas da gente, não é?


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Debora Drumond

estudante de Jornalismo e apaixonada por redação. o Netflix é seu universo e é a maior fã de RuPaul's Drag Race que você respeita. aspirante a Fotógrafa e quem sabe futura blogger/Youtuber

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