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O segredo de PatPran ):)

[tempo de leitura: 5 minutos]

Quebrando expectativas e esteriótipos, “Bad Buddy” é uma envolvente história de romance gay com os dois pés no chão.


Nota do Colab: este texto contém spoilers.

 

ÉÉ inegável que o melhor narrador é aquele que viveu a história. E isso se traduz de uma forma muito visível para qualquer trama. Produções roteirizadas e/ou dirigidas por mulheres captam melhor os contos de protagonismo femininos, assim como enredos LGBT’s ganham mais profundidades quando vindo de pessoas da comunidade.

Há muito exemplos por aí, mas o nosso foco é apenas um. Bad Buddy: The Series é uma rica história queer cuja direção é o trabalho de uma pessoa gay: o tailandês Backaof “Aof” Noppharnach Chaiwimol, responsável por alguns dos melhores e mais amados BLs (sigla para “Amor Entre Garotos” em tradução live) da indústria.

ONDE ASSISTIR
Bad Buddy é uma produção do canal tailandês GMM 25 adaptada da novel Behind The Scenes, de Afterday e -West-. Com 12 episódios e legendas em português brasileiro, o BL está disponível gratuitamente e oficialmente pelo Youtube..

 

Mais Que Inimigos

Possivelmente o mais popular entre as produções gays (não só na Ásia, mas como um todo), o conceito “de inimigos a amantes” é o que dá o pontapé para Bad Buddy. Porém, o drama tailandês nem chega a se apoiar tanto neste detalhe, focando em temáticas e problemáticas maiores e mais complexas que o simples “quem desdenha quer comprar”.

Na trama, Pran (Korapat “Nanon” Kirdpan) e Pat (Pawat “Ohm” Chittsawangdee) são os filhos de duas famílias inimigas. Alienados a se odiarem desde a infância, os dois cresceram em pé de guerra, constantemente tentando superar o outro em qualquer que fosse a atividade. Na universidade, ambos se reencontram em faculdades rivais, mas passam a perceber o quão cansativo é carregar uma briga que eles nem mesmo sabem como começou.

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Pat e Pran, respectivamente.

Iniciando com uma bandeira branca de tolerância, Pran e Pat começam a se aproximar cada vez mais, forçando-os a manter a amizade em segredo enquanto tentam navegar a rivalidade entre os pais e os colegas de faculdade. Eventualmente eles passam a entender muito mais sobre si mesmo, percebendo que, apesar de toda a rivalidade, eles sempre nutriram um carinho um pelo o outro desde pequenos.

 

Construindo A Base

O que torna Bad Buddy tão especial é a dedicação que Aof tem em registrar os pequenos grandes momentos e as importantes conversas entre duas pessoas. O carinho entre Pran e Pat está muito nas ações veladas ao longo dos anos, fazendo com que os dois estabeleçam uma forte base de amizade antes mesmo de iniciarem um relacionamento amoroso.

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Neste quesito, Nanon e Ohm são excelentes em suas atuações, tornando crível o romance entre eles e gerando um questionamento de “isso é real ou ficção?” misturado ao sentimento de “eu quero o que eles tem”. Ambos conseguem captar e transmitir tudo que seus personagens querem demonstrar e dizer, figurativamente e literalmente — afinal, diferente de muitos BLs por aí, aqui o casal realmente conversa!

Os dois atores também levam para a tela um equilíbrio saudável entre o drama e a comédia. Mesmo que Pran e Pat não se odeiam mais, a competição é parte do traço de personalidade deles e de seu relacionamento, adicionando divertidos e hilariantes momentos que apenas fortalecerá esta união.

 

Pequenas Grandes Coisas

No meio deste segredo à la Romeu e Julieta (sem o final trágico, claro) e até mesmo em um duelo de quem vai se declarar primeiro, Bad Buddy traz para o público um romance que tem um aspecto realístico muito latente.

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Em pequena escala, há o exemplo da peça de roupa. Se para um casal hétero a especificidade seja a mulher querer usar uma camisa larga de seu cônjuge na hora de dormir, para o casal gay essa peça de roupa será usada para guardar o cheiro do parceiro. E esse detalhe é visto em dois momentos no decorrer do BL: um fofo (no oitavo episódio) e um absurdamente cômico (no capítulo final).

Em uma escala maior, há o belíssimo exemplo do quinto episódio. Reunidos no telhado do dormitório (onde as cenas mais emocionantes acontecem), o momento de declaração é também muito específico do romance entre homens.

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A conversa e a linguagem corporal que precede o beijo é marcada por um misto de medo, culpa, desejo e alívio, ilustrando perfeitamente toda a aflição que carrega esse primeiro momento de descoberta. Não só é uma das cenas mais emocionais da série, como uma das mais lindas de qualquer produção com temática gay.

 

Identificação

Aof faz um excelente trabalho ao trazer com muita naturalidade outras narrativas que afligem o meio LGBTQIAP+. Em um determinado momento de Bad Buddy, Pran e Pat se sentam à mesa para jantar com Pa (Pattranite “Love” Limpatiyakorn), irmã mais nova de Pat, e Ink (Pansa “Milk” Vosbein), amiga de infância dos dois.

Nesta significativa cena, eles conversam de forma orgânica sobre sexualidade. Pat fala que gosta tantos de homens quanto mulheres, embora atualmente esteja apaixonado por um homem, enquanto Prat afirma se sentir atraído por qualquer pessoa independente do gênero. Pa e Ink, por sua vez, estão no estágio inicial de um romance.

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Ink e Pa, respectivamente

Em um outro momento, também em um jantar, a mãe de Pran (Paradee “Ple” Yoopasuk) fala que irá receber de braços abertos qualquer pessoa que seu filho trazer para casa — “desde que não seja o vizinho” (risos). No mesmo passo, apesar de todo o choque inicial, o principal problema que os amigos de PranPat irão enfrentar é o sentimento de “traição” por terem sido excluídos do segredo do relacionamento.

Cenas como essas fazem um papel muito importante tanto de conscientizar o público quanto o de acalentar pessoas queer, cujo principal medo (das gerações +25, pelo menos) é o de isolamento e ostracismo por assumirem suas sexualidades e/ou identidades. Embora não estejamos em uma realidade perfeita, a conversa já avançou o suficiente a ponto de assuntos como esses serem discutidos sem tanta controvérsia.

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Deixando o Precedente

Ao longo de 12 episódios, Bad Buddy se estabelece como um dos melhores BLs já produzidos. Gabaritando direção, roteiro, atuação, fotografia, trilha sonora e edição, o drama tailandês deixa um precedente gigantesco para a indústria, fugindo das constantes narrativas tóxicas ou problemáticas que marcam esse gênero.

E ao quebrar tantos esteriótipos, a história de PranPat deixa um quentinho acalentador no coração. Junto ao pensamento de “eu quero o que eles tem”, a saudade pós-fim e o orgulho de acompanhar algo tão bom é o sentimento comum entre inúmeros fãs ao redor do mundo — inclusive deste que vos escreve. ):)

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É de 1995, virginiano, gay que atende por qualquer pronome e formado em Jornalismo com pós em Comunicação e Marketing. Criou a ZINT em 2017 — desde então, colabora com matérias sempre que tem uma boa pauta e cuida do visual do Colaborativo.

Em 2021, assistiu 69 Filmes e 133 Séries. Leu 1 Livro e desde que começou a quarentena já catalogou 620 álbuns reproduzidos (e contando!) enquanto dubla pelo seu legado. ✨

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