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Um (novo) mundo como o nosso

[tempo de leitura: 4 minutos]

“Novo Mundo” é um experimento social mascarado como um divertido programa de variedades cheio de identidade e personalidade.


OO setor de entretenimento é grande em todo mundo, e cada país tem o seu forte. Enquanto no Brasil somos conhecidos pelas novelas e nos EUA a indústria é focada nos seriados, a Coreia do Sul é famosa não só pelos seus dramas como também os programas de variedades — produções com divertidas mini-competições nos mais diversos jogos e tarefas.

Com a Onda Coreana cada vez maior e o catálogo de doramas aumentando na Netflix, não é de se espantar que a gigante de streaming logo começaria a investir em títulos próprios. Assim, o primeiro deles chega ao serviço sob o nome Novo Mundo, em uma competição roteirizada com seis famosas celebridades sul-coreanas.

Os idols KAI (do grupo de k-pop EXO), Heechul (do SUPER JUNIOR) e Eun Ji-won (do SECHSKIES) unem-se à comediante Park Na-rae, a atriz Cho Bo-ah e o ator/apresentado Lee Seung-gi em uma viagem de seis dias a uma ilha-resort conhecida como Novo Mundo, onde eles devem vencer um compilado de tarefas para ganharem Nyangs (a moeda local) e escaparem em segurança do local de volta à civilização.

 

Um Mundo Paraíso

Há uma numerosa quantidade de detalhes que tornam Novo Mundo um produto de entretenimento interessante de qualidade, a começar pela seleção de celebridades participantes. O grupo não só traz para a telinha um entrosamento natural e uma caótica química fraternal, mas sozinhos eles também mostram um pouco de suas personalidades e se individualizam em personagens. Seung-gi é o “vilão” calculista, KAI é o inocente-não-tão-inocente-assim, Heechul é o azarado, Na-rae é a dondoca e meme ambulante, Bo-ah é a tímida que as vezes se dá bem, e Ji-won o capanga.

Neste jogo de oito episódios, a Netflix também mostra que dinheiro não é o seu problema. A ilha Novo Mundo parece ter sido toda construída para o programa — ou, no mínimo, readaptada para os participantes. Cada uma das celebridades ganha um quarto-casa para si, construído de acordo com suas especificações de “a casa de seus sonhos”. O local paradisíaco ainda traz cenários exuberantes inspirados por ornamentos gregos, jardins ornamentais cenográficos e o conforto do mundo moderno com um restaurante chef driven, um mercado e um banco.

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No final, o Novo Mundo é uma espécie de personificação física de um jogo de mundo aberto. Há ali Personagens Não-Jogáveis, um host-narrador, uma moeda própria e até uma loja onde os jogadores podem comprar cartas especiais para serem usadas no decorrer do jogo — além, é claro, de uma história que amarra toda a narrativa ao longo da temporada.

 

Nem Tão Novo Assim

O que mais marca Novo Mundo é a sua narrativa fortemente baseada no mundo capitalista. Apesar da proposta de estarem em uma localização isolada do mundo real, as seis celebridades (principalmente Heechul) logo percebem que aquela ilha é uma miniatura da realidade cruel em que vivemos. Enquanto alguns dão sorte no jogo e acumulam Nyangs a rodo, outros simplesmente não conseguem mudar sua realidade ou alternar entre as “classes sociais”.

Não é difícil encontrar situações que mimetizam o nosso mundo, muito menos encontrar algumas críticas aqui e ali — mesmo diante de um programa leve de entretenimento. Se neste Novo Mundo os seis jogadores precisam vencer os jogos para ganharem Nyangs e poderem comprar cartas que vão ajudá-los a alcançar o objetivo final (sair da ilha em segurança), não é uma surpresa quando as mentiras, traições, roubos e ganância começam a acontecer. Mesmo que tudo seja feito de forma inocente e bem humorada, a frase “não acredite em ninguém” ou “eu venderia até a mãe” são o lema a ser seguido na ilha (KAI que o diga).

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O Jogo da Vida

Nesse breve trajeto descontraído, ficam de destaque os episódios da Especulação Imobiliária/Banco Imobiliário (S01E05) e de Caça ao Meteorito (S01E03), dois dos mais divertidos capítulos de Novo Mundo.

O primeiro porque o mercado imobiliário é um segmento econômico muito importante da cultura coreana, onde eles tem o hábito de aspirar em comprar/investir em prédios — ser dono de uma construção significa riqueza e a garantia de uma vida estável. Ao unir isso a um jogo em tamanho real de Banco Imobiliário, as mentiras e ganâncias extrapolam até mesmo as alianças mais fortes. Assim, marcam o episódio a esperteza de Na-rae nas negociações e a inteligência astuta de Heechul, que todas acreditam ser o mais traído mas é o único que retém todas as informações sigilosas em suas mãos.

Por outro lado, o caça-ao-tesouro é um dos roteiros mais geniais já criados em um programa do gênero. Hilário do início ao fim, os seis jogadores precisam achar e proteger um pedaço de meteorito que caiu na ilha, sob a promessa de ganhar 800 milhões de Nyangs. Alianças são formadas, mas as traições são mais fortes do que qualquer amizade — afinal, está em jogo quase 1 bilhão de Nyangs. No final de tudo, a grande estrela é Na-rae, por virar um meme ambulante, e Seung-gi, por sua vilania calculista.

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Vale citar também o último jogo do programa, que se inspira em Indiana Jones para uma tarefa em grupo de obstáculos e conhecimentos gerais, que serão a chave para levá-los de volta à civilização.

Novo Mundo chega ao fim como um divertido e refrescante pedaço de entretenimento, trazendo para um público global a possibilidade de se aprofundar um pouco na dinâmica dos programas de variedades sul-coreanos. E com o dedo da Netflix, a gigante imprime sua própria identidade neste mercado e traz algo um pouco mais arrojado para o gênero.

É de 1995, virginiano, gay que atende por qualquer pronome e formado em Jornalismo com pós em Comunicação e Marketing. Criou a ZINT em 2017 — desde então, colabora com matérias sempre que tem uma boa pauta e cuida do visual do Colaborativo.

Em 2021, assistiu 69 Filmes e 133 Séries. Leu 1 Livro e desde que começou a quarentena já catalogou 620 álbuns reproduzidos (e contando!) enquanto dubla pelo seu legado. ✨

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