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“Amizade Dolorida”: dominação sem tabus

“Amizade Dolorida” brinca, de forma bem construída, com o BDSM e traz o divertido relacionamento entre dois amigos neste mundo – um deles uma dominatrix.


Se você estivesse precisando de dinheiro, aceitaria virar assistente de uma dominatrix que também era sua melhor amiga na escola? É nessa situação que Pete (Brendan Scanell) se encontra, quando recebe uma proposta bem inusitada de Tiff (Zoe Levin). Essa é, também, a premissa de Amizade Dolorida, nova série original da Netflix.

https://www.youtube.com/watch?v=XXuBwwZvruI

Uma das maiores virtudes da produção é a dinâmica entre os dois personagens, que se torna interessante ao ser trabalhada de forma que ambos ficam bem juntos tanto no lado social quanto nessa nova atmosfera de trabalho. Pete é um aspirante a comediante, porém seus sonhos ficam bem distantes por conta de sua insegurança. Em contrapartida, Tiff é uma estudante de pós-graduação bem segura de si e do seu trabalho pouco convencional.

A graça de Amizade Dolorida está na forma de abordar o trabalho de dominatrix, sem qualquer tabu e como se fosse uma profissão bem comum. Pete é exposto a situações bem excêntricas, envolvendo humilhação e tortura, por exemplo, e precisa agir com os clientes como se fosse absolutamente normal. Todo o contexto de roupas de couro e amarrações, abordado de maneira cômica e que não beira ao erotismo, deixa tudo bem engraçado. Mas é preciso ter uma mente aberta – segundo a produção, o objetivo da série é justamente quebrar todo esse tabu que existe por trás da prática de dominação e submissão.

O enredo é desenvolvido de forma rápida, uma vez que os episódios têm menos de 20 minutos e a primeira temporada tem apenas sete episódios. Porém, o roteirista e diretor Rightor Doyle, conseguiu, mesmo que em pouco tempo, abordar questões psicológicas dos personagens e ainda fazer com que evoluíssem a cada episódio. Por isso, tudo acontece de forma ágil, mesmo que ainda seja interessante ver o envolvimento de Pete e Tiff entre si e com outras pessoas. Pela duração do programa, a apresentação e desenvolvimento deles é muito boa, apesar de deixar um gostinho de “quero-mais”.

Um tópico importante de ser abordado é que, apesar de o protagonista ser gay, a série não gira em torno de suas inseguranças em relação à orientação sexual. Pete tem sim muitas questões pessoais a serem resolvidas, mas ser gay não é algo que o afete e ele é bem resolvido com isso. Ele é uma pessoa relativamente frágil no sentido emocional, mas não por ser gay. Pontos para a produção.

Tiff e Pete são melhores amigos e navegam o mundo do BDSM juntos

Amizade Dolorida é uma série boa de assistir, principalmente para quem gosta de programas rápidos e que não exijam grandes reflexões ou atenção. Contudo, a trama é bem arriscada, uma vez que a comédia é baseada em práticas de BDSM – e nem todo mundo consegue ver graça nisso. Não é sexual, mas, sendo uma comédia para adultos, não é leve de assistir. Ainda não foi confirmada a segunda temporada da série, mas quem sabe o público não dá uma chance para esse tipo de produção?

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