Encontros entre artistas marcam a 8ª edição do Festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L!

Encontros Entre Artistas Marcam A 8ª Edição Do Festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L!
[tempo de leitura: 6 minutos]

Neste ano, o festival mineiro foi palco de apresentações enérgicas e discurso politizado em clima de carnaval.


O nome já anuncia o que a programação tem a oferecer. Em 2020, o Festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L! completa 10 anos, trazendo para Belo Horizonte a atmosfera da folia típica do carnaval com muita cor, diversidade e alguns lembretes para quem ainda insiste em passar para frente ignorância e um modo de viver único.

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Line-up do Festival Sensacional

Logo na entrada, painéis com mensagens como “machismo, racismo, homofobia não cabem aqui”, “um brinde à diversidade” e “corpos de atraem” mostravam o tom daquele espaço, aberto para a troca de experiências em suas mais diversas formas.

12 horas de programação tomaram conta da Esplanada do Mineirão, do alternativo ao rap, sem deixar de lado instrumentos tidos como clássicos como o violino, de Graveola a Biltre, passando ainda por Emicida e Pabllo Vittar. Fato é que o evento proporcionou um momento para repensar os próprios conceitos e atitudes para, assim, celebrar o amor, a expressão livre e, sobretudo, a música – linguagem que todos somos capazes de entender.

Artistas locais e nomes reconhecidos em escala nacional compartilharam com o público ideias, sentimentos e parcerias que ultrapassam os palcos. Ainda, fanfarras e blocos de ruas contribuíram para levar ao longo do festival, no meio da galera, o clima inclusivo e de descontração.

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Tendo como slogansim, a terra é redonda!”, o Sensacional propôs ao público refletir a necessidade de ainda dizer o óbvio, afinal em tempos de criminalização da arte e cultura nacional e regressão em discussões sociais e pautas identitárias parece ser mesmo importante reafirmar certos princípios.

 

Encontros

No Palco Zuur Gin a banda Graveola, formada em Belo Horizonte, foi umas das primeiras a se apresentar e tomar conta da área próxima à entrada principal. Referência por sua produção musical e forma de trabalho coletivo, muito presente nos grupos artísticos contemporâneos, a banda apresentou uma sonoridade experimental que logo foi conquistando os fãs presentes e também os que não conheciam até o momento.

O coletivo musical se destaca por não enquadrar em um gênero, usando de diversas referências, instrumentos e construções em suas canções. “Se concentre meu amigo / No impulso que nos faz cantar / E faz brotar a poesia sempre devagar / E é devagar que se desfaz / Todo medo / Que insiste em apertar os nós” cantaram os integrantes em um dos instantes do show, versos da música Lembrete.

Graveola contou ainda com participações especiais em seu show, tornando a apresentação ainda mais grandiosa. Trazendo realmente o clima de carnaval para o palco, o bloco Chama o Síndico chegou com toda a energia de Tim Maia para o Sensacional, marca da prática do grupo, conhecido por homenagear o artista e seu trabalho, através de interpretações no ritmo da folia. Ainda, o Então, Brilha!, um dos blocos mais aguardados do carnaval de BH, se juntou aos demais reforçando a mistura, riqueza de sons e o potencial que todos juntos tem de contagiar a galera, seja com métodos artesanais, nostalgia ou o brilho no corpo que exala boas energias e serviu de pontapé inicial.

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Graveola convida Chama o Síndico e Então Brilha. / (FOTO: Victor Schwaner / Área de Serviço)

Logo após, Liniker e os Caramelows foram os responsáveis por comandar o Zuur Gin. Apostando na personalidade forte e a capacidade performática e cativante, o artista envolve o público com seus versos reflexivos, intensos, sem deixar de lado o tom político e resistente de quem por muitos palcos já passou. Seu convidado, Johnny Hooker reforçou o aspecto crítico do show e não deixou de lado os apelos que, por vezes, eram levados ao público no intervalo entre as músicas. “Acha que a sua indiferença vai acabar comigo? / Eu sobrevivo, eu sobrevivo / Você não presta, ninguém é seu amigo / A solidão vai vai ser o seu castigo”, interpretaram evidenciando a confiança como um de seus pontos fortes no palco.

“Vai ter bicha nordestina no palco sim”, disse Hooker, natural de Recife, capital de Pernambuco, em alto e bom som para todos ouvirem.

Fato é que os dois artistas encantaram pela cumplicidade demonstrada no palco, seja para agradecer o convite ou dançarem juntos, indo do rock ao pop melódico, passando ainda pelo tropicalismo, confirmando por que estão construindo um caminho consistente na música brasileira.

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Apresentação do cantor Liniker (direita) e Johnny Hooker (esquerda). / (Foto: Denise Santos/Área de Serviço)

No Palco Chacoalha, o destaque foi dado para os artistas ainda pouco conhecidos pela maioria do público, mas promissores e com habilidade para embalar e conduzir a plateia. Nesse contexto, a cantora mineira Nath Rodrigues, que se divide também com os projetos de atriz, mostrou que o festival também é lugar para o considerado clássico e com o violino em mãos, em meio a guitarra, tambores e seu próprio vocal, levou conscientização e versatilidade ao palco.

Em seu boné a frase “aqui também é meu quilombo” deixava claro para ela e todos nós, que qualquer lugar é nosso e podemos ocupá-lo, ressignificando e trazendo um novo sentido de acordo com o momento.

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Nath Rodrigues convida Júlia Branco. / (Foto: Denise Santos/Área de Serviço.)

No Palco Budweiser o agito ficou por conta da banda Biltre que, com seus cinco integrantes, conseguem divertir e contagiar com sua postura explosiva, independente, mas sem ter medo do pop. O grupo se revela antenado, entregando um show que mistura várias linguagens, como vídeos, animações, cenários ousados, isso sem falar da banana, a marca registrada do conjunto.

Para deixar tudo ainda melhor e mais desinibido Letrux acompanhou a banda e entrou já mostrando a que veio, com figurino de flamingo, investindo nas cores fortes que se somaram aos tons vibrantes do cenário. Vamos Gozar, parceria de ambos lançada em 2019, foi uma das músicas apresentadas e juntos, pularam, ficaram à vontade e transformaram o espaço como se fosse a casa de um deles, aberta a todos que quisessem entrar e embarcar nessa “loucura organizada”.

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Biltre convida Letrux.
 / (Foto: Bruno Figueiredo/Área de Serviço.)

Uma das últimas e mais esperadas atrações da noite, Emicida levantou o Festival Sensacional e comprovou mais uma vez por que é um dos melhores artistas da música brasileira atual. Do cenário bem montado a banda em harmonia, passando ainda pelo repertório que traz canções de várias partes de sua carreira, como Passarinhos, de 2015, a plateia incorpora e faz a parte de Vanessa da Mata, parceria na versão original da canção.

Sem dúvida, Emicida oferece uma experiência que ultrapassa a música apenas, ele envolve o público com um discurso consciente e sólido, seu rap sensível, que nos leva a repensar sobre o meio onde vivemos e promove, sobretudo, um convite ao afeto.

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Emicida convida Pabllo Vittar. / (Foto: Bruno Figueiredo/Área de Serviço.)

Uma prova disso é a participação de Pabllo Vittar, um dos nomes mais influentes do pop nacional, que reafirma sua relevância no cenário atual ao evocar, junto com o rapper, a paz, a justiça (ou a falta dela), a sensibilidade política e a consciência dos desafios da vida desigual e tumultuada. Isso tudo através dos versos de AmarElo, parceria dos dois artistas com Majur e o sample de Belchior, que revive e se torna atual nos versos do atual sucesso do cantor.

Para acrescentar, Pabllo ainda cantou dois dos seus últimos hits, Parabéns e Amor de Que, deixando claro para os admiradores e quem ainda não tinha percebido, a força da sua presença e trabalho.

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Emicida convida Pabllo Vittar. / (Foto: Bruno Figueiredo/Área de Serviço)

 

Além do palco

Ao longo da Esplanada e no meio da galera, fanfarras ainda como a Magnólia garantiram o suinguedo pessoal no chão mesmo, com passinhos, plumas e batidas que podiam ser literalmente acompanhadas como acontecem com os blocos de ruas e grupos instrumentais. Quando um conjunto de pessoas vestidas de laranja e preto se aproximavam animadas e espalhando estilo pelo festival, podia saber que eram eles chegando para animar o mesmo de uma ponta a outra, afinal com tantas emoções em um dia, nada mais justo do que o evento chamar sensacional.


*A 8ª edição do Festival S.E.N.S.A.C.I.O.N.A.L! foi realizada na Esplanada do Mineirão, no dia 08 de fevereiro (sábado), como resultado da parceria da produtora cultural Híbrido Comunicação e Cultura (@hibrido.cc) e a empresa de entretenimento A Macaco (@amacacooficial).

Mike Faria

mike faria

Jornalista, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar.

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