fbpx

As histórias de Taylor

[tempo de leitura: 4 minutos]

Em “folklore”, Taylor Swift impacta o cenário da música com um álbum surpresa excelente capaz de quebrar paradigmas da própria artista.


EEm seus 14 anos de carreira, Taylor Swift construiu muitas tradições. Seus fãs já se acostumaram a dissecar cada palavra dita, cada verso cantado e cada imagem postada nas redes sociais da artista em busca de pistas que podem revelar desde detalhes da sua vida pessoal, até a data de lançamento de um novo single. Fazer de seus lançamentos um evento também é uma grande tradição de Taylor, que sempre os anuncia com antecipação, criando expectativa em quem aguarda ansiosamente por sua música. Por isso a surpresa, não só para seus admiradores como para toda indústria musical, quando, no dia 23 de julho, a artista anunciou sem mais delongas que seu 8º álbum de estúdio seria lançado a meia noite daquele mesmo dia. E essa não foi a única tradição que folklore, a coletânea com 16 faixas inéditas, quebrou.

  • Save
Capa do álbum

Logo ao dar play em the 1, a primeira música do álbum, já podemos perceber que Taylor Swift irá nos entregar algo diferente de todos os seus trabalhos anteriores. A artista de 30 anos e vencedora de 10 Grammys iniciou sua aclamada carreira na música country, mas com o lançamento de 1989, em 2014, a estabeleceu definitivamente como cantora pop e como uma das principais popstars de sua geração.

Porém, folklore chega para nos mostrar mais uma faceta de Taylor. Contando com a parceria de Aaron Dessner (membro da banda de rock americana The National) e Jack Antonoff, (vocalista do Bleachers e renomado produtor conhecido por seus trabalhos anteriores com Lorde e Lana Del Rey) na produção do disco, Swift nos apresenta uma sonoridade muito mais próxima do folk e do alternativo, mostrando mais uma vez o quão versátil ela pode ser.

As músicas de Taylor Swift sempre chamaram atenção pelo seu aspecto autobiográfico. Ao exploramos sua discografia, encontramos seus relatos sobre seus amores e desilusões amorosas, desentendimentos que se tornaram célebres ao serem eternizados por suas letras, dificuldades em lidar com a fama, entre outros tópicos. Após mais de uma década se dedicando a colocar um holofote sobre seus sentimentos em um exercício de vulnerabilidade, agora Swift dá um passo para trás e nos convida a mergulhar na perspectiva de outros personagens através de sua música.

Em meio a tantas reinvenções no decorrer de sua carreira, uma coisa permanece na música de Swift, e é exatamente ela a essência do álbum: a capacidade de Taylor de contar histórias. cardigan, faixa que vem sendo trabalhada como single, traz a visão de uma mulher sobre um amor que viveu na sua juventude. A canção, porém, faz parte de uma trilogia composta por mais duas faixas: betty cantada pelo olhar do jovem e imaturo amado que arrisca seu relacionamento com uma traição e august, que explora o ponto de vista e a dor da amante entre o casal, que se apegou a alguém que ela sabia que não a pertencia.

  • Save

exile, parceria com Bon Iver, é um belo e triste diálogo entre dois ex amantes cheios de amargura. my tears ricochet é cantada da sinistra perspectiva de um fantasma em seu velório observando a pessoa responsável por despertar o seu amor e ódio durante a vida. epiphany faz um paralelo entre um soldado durante a guerra e os médicos trabalhando na linha de frente durante a pandemia do coronavírus – e como ambos se agarram a um momento de paz em meio a estes cenários de caos.

Já em outras músicas como invisible strings e mirrorball, Taylor Swift se coloca em primeira pessoa como de costume, sendo mais uma personagem na narrativa do álbum. Em the last american great dynasty, porém, ela faz um dos movimentos mais interessantes ao contar a história de Rebekah Harkness, a excêntrica artista e fundadora da tradicional companhia de balé Harkness Ballet. Rebekah, que viveu a vida sendo manchete nos jornais estadunidenses, é a antiga proprietária da atual casa de Taylor em Rhode Island. Na música, a cantora faz uma associação entre as duas, que compartilham muito mais do que a mesma residência.

Misturando sua voz a de outras pessoas, Swift explora a sua capacidade de pintar imagens na cabeça de seus ouvintes de forma quase cinematográfica. Cada pequeno detalhe visual – um cardigan jogado em baixo da cama, os lençóis enrolados na cama, ou a varanda da casa de betty – deixa cada uma das histórias única, ao mesmo tempo em que conecta um personagem a outro.

Como Taylor Swift escreveu em suas redes sociais, folklore foi quase que inteiramente realizado durante o período da quarentena causada pela pandemia do COVID-19. A artista foi obrigada a cancelar a turnê de seu álbum anterior, Lover, começando a se dedicar a compor seu novo projeto.

Em um contexto de incerteza mundial, possivelmente sem expectativas de onde iria chegar, como uma artista consolidada e premiada que não tem mais nada a provar e quebrando suas próprias tradições, Taylor Swift viaja em sua imaginação e entrega em folklore um de seus melhores álbuns de sua carreira.

Stephanie Torres

stephanie torres

22 anos e formada em Jornalismo. assiste mais Séries do que deveria, lê menos Livros do que gostaria, finge que a vida é um Filme e ouve Música como trilha sonora (especialmente Taylor Swift)

Back To Top
Share via
Copy link
Powered by Social Snap