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Nua

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A primeira vez que apareceu na televisão, Christina Aguilera era apenas uma menina de 13 anos. A cantora, nascida em Staten Island, Nova Iorque, Estados Unidos, fazia parte do extinto programa O Clube do Mickey Mouse, reboot de um programa de mesmo nome da década de 1950, junto aos colegas famosos Britney Spears, Justin Timberlake e Ryan Gosling, além de Tony Lucca, JC Chasez, Nikki DeLoach e Keri Russell. Aguilera, no entanto, foi lançada como cantora solo apenas aos 19 anos, em 1999.

Após dar voz à música tema do filme Mulan, animação da Disney, Christina lançou seu primeiro single, Genie in a Bottle. O sucesso veio rápido, assim como seu primeiro álbum, o auto-intitulado Christina Aguilera, lançado em 1999. O álbum chegou ao topo da Billboard 200, maior chart musical de álbuns do mundo, e gerou uma boa recepção das críticas que elogiavam, principalmente, a potência vocal que Christina possuía na voz (e que ainda possui), tornando-a facilmente distinguível no mercado fonográfico.

Se você não reconheceu, sentados estão Ryan Gosling e Britney Spears, enquanto Christina Aguilera e Justin Timberlake estão no extremo lado direito

A sua primeira “Era” foi marcada pela imagem da garota inocente: a menina loira, fofa, educada e retraída, como se tivesse catapultado de uma pequena cidade para a grande metrópole. Christina Aguilera (o álbum) carregava uma jovem em busca do amor, de seu príncipe encantado, com suas baladas poderosas como I Turn to You. Mas a produção também já trazia um discurso de independência e poder feminino, que seria usado com maior ênfase nos anos seguintes, com exemplo o single What a Girl Wants. Assim, o álbum deixava um espaço aberto para a vindoura “rebelião” da artista enquanto cantora.

Stripped chegou como um baque. Causando. A nova Era de Aguilera carregava uma imagem completamente oposta à apresentada anteriormente. O conceito era, por definição, provocador, sendo o primeiro álbum que dava a oportunidade ao público de realmente conhecer quem era Christina Aguilera. Enquanto seu debut album era apenas uma imagem criada por sua gravadora para tornar a cantora mais comercializável, seu quarto projeto era bastante pessoal. Stripped é, para todos os efeitos, a sua grande revelação/debut para o mundo.

Para quebrar completamente com a sua imagem de garota inocente, Aguilera trabalhou pesado no marketing visual, passando a utilizar da imagem da bad girl problemática. A cantora amarrava seu cabelo de forma que os fios pareciam dreds , e o tom loiro platinado agora vinha acompanhado de várias mechas pretas, até o momento em que, efetivamente, ele ficou completamente negro. Para dar um peso ainda maior ao seu novo visual, Aguilera colocou alguns piercing no rosto e vários brincos na orelha, todos de pressão.

Christina Aguilera agora adotava o punk e não tinha papas na língua, determinada em cantar as mensagens que sempre quis cantar, com mensagens de empoderamento, independência e liberdade, ao mesmo tempo em que contava a sua triste história de vida para o mundo, que envolvia, principalmente, abuso e uma família disfuncional. O álbum ainda aborda temas como sexismo e depressão.

 

Suja?

A primeira vez que o mundo pôde ter um gostinho do quarto álbum de Christina foi em setembro de 2002. Grafado com dois “R” invés de apenas um, Dirrty é o carro-chefe do novo projeto. Com produção e composição de Christina Aguilera, Dana Stinson, Balewa Muhammad, Reginald “Redman” Noble e Jasper Cameron, a música já estabelecia a completa mudança da cantora. Pela primeira vez, como cantora solo, fazendo uma parceria com um rapper, Dirrty tinha fortes influências de R&B e Hip-hop. A música trazia parceria com Redman e uma letra carregada de sensualidade.

Recebida de forma dividida pela crítica, alguns colocaram a música como uma das “mais interessantes” daquele ano, até mesmo comparando com I’m Slave 4 U, famoso hit single de Britney Spears que havia sido lançado no ano anterior. Outros, por outro lado, alegavam que a faixa não representava o conteúdo do álbum, apontando que o single era um “desrespeito” com o resto do trabalho. Enquanto a música não caiu muito bem no gosto dos norte-americanos, alcançando o pico de #48 na Billboard Hot 100, maior chart de singles do mundo, a música entrou no Top 10 de países como Austrália (#4), Canadá (#5), Alemanha (#4), Itália (#8), Irlanda (#1), Espanha (#3), Suécia (#6), Suíça (#6), e Reino Unido (#1).

O clipe de Dirrty ajudou ainda mais a artista a desconstruir sua imagem de “cantora chiclete”. O vídeo estreou 15 dias após o lançamento do single, trazendo o que foi colocado como uma “orgia pós-apocalíptica“. Christina utilizou de todos os visuais sexuais possíveis para de desconectar da Aguilera do primeiro álbum, apostando em micro-saias, sutiã à mostra, um ringue de luta livre entre mulheres, mulheres lutando na lama, e muito suor e danças sensuais e com conotação sexual.

Então, veio a quebra de expectativa. O single foi logo acompanhado por Beautiful, que futuramente viria a figurar em todas as listas das 100 melhores músicas dos anos 2000. Enquanto Dirrty vinha recheada de sexualidade e sensualidade e era colocado como um desvio do que o álbum representava, Beautiful era exatamente o contrário.

O segundo single do Stripped trazia uma Christina completamente vulnerável, aberta para contar tudo o que sofreu quando mais jovem e o seu caminho até a auto-aceitação e superação. Aclamado universalmente pelos críticos, Beautiful traz, nas entrelinhas, a história de uma Christina com depressão, que não gosta de sua aparência física e infeliz com sua vida. A balada, no entanto, preza o estágio de aceitação ao ecoar, em seu refrão, a frase “eu sou bonita não importa o que os outros digam“.

A poderosa música se tornou um sucesso no mundo inteiro, entrando no Top 10 de quase todos os charts do mundo. Nos Estados Unidos, a música atingiu o #2, conseguindo o certificado de Ouro (mais de 500,000 cópias de single vendidas!). A faixa chegou ao topo na Austrália, Canadá, Irlanda, Nova Zelândia, Romênia e Reino Unido, além de ter debutado em #1 nos charts da Billboard Adult Contemporary, Dance Club Songs e Mainstream Top 40.

Dirigido por Jonas Åkerlund, que futuramente seria responsável por dirigir artistas como Beyoncé, JAY Z, Madonna, Lady Gaga, P!nk, o clipe da música estreou um mês após o single. O vídeo colocava Christina de volta à vulnerabilidade, agora explorando os problemas de outras pessoas. O videoclipe trouxe histórias de pessoas com bulimia, sofrendo de homofobia, depressão e até mesmo praticando auto-mutilação. Na medida que o video passa, as pessoas vão aprendendo a se amar, terminando por se sentirem felizes em seus próprios corpos e realidades.

Marcando uma geração e sendo um dos singles mais expressivos da carreira de Christina, a música também marcou a primeira colaboração entre a cantora e Linda Perry, responsável por compor e produzir a música, além de tocar o piano ouvido na faixa. O sucesso acabou fazendo com que as duas colaborassem em outras músicas. Linda esteve presente em mais duas faixas do Stripped, além de ter co-composto todas as músicas do Back to Basics, álbum que sucede o trabalho.

Beautiful então deu espaço para Fighter. A música ficou conhecida, entre outras coisas, pelo poder vocal que Christina dedicou à faixa, estabelecendo um poderoso hino de força. O terceiro single dá um passo a mais no que Beautiful representava, estabelecendo uma música na qual a cantora agradece a todas as pessoas que duvidaram de seu talento e de sua capacidade pela a força que a deram para ser melhor. De acordo com Christina, a ideia da música surgiu ainda na turnê de promoção de seu primeiro álbum, quando ela já pensava em criar algo que emponderasse as mulheres e que as encorajasse a falarem por si mesmas.

A ideia seguiu com Can’t Hold Us Down. Com participação da rapper Lil’ Kim, a música se estabeleceu como um hino feminista. Mesmo não sendo recebida bem pela crítica, que categorizou a faixa como um “desperdício de talento“, o single chegou ao #12 da Billboard Hot 100, além de atingir picos maiores na Austrália (#5), Hungria (#4), Nova Zelândia (#2) e Reino Unido (#6).

Com uma letra que tratava da independência do sexo feminino e o direito da mulher de ser e falar o que bem entender, sem ser vista de forma negativa, denunciando machismo e misoginia, Can’t Hold Us Down teve seu clipe dirigido por David LaChapelle, famoso produtor artístico também viria a trabalhar com Mariah Carey, Britney Spears, Amy Winehouse e Whitney Houston.

Visualmente inspirado na década de 80 e influenciado pelo estilo kitsch (um palavra elaborada para dar um status para o popularmente conhecido “brega“) do diretor, o clipe da música trouxe uma divertida abordagem da música, ao colocar Christina e Lil’ Kim na periferia, em uma espécie de “batalha dos sexos”. O vídeo, no entanto, acabou sendo acusado de apropriação cultural, além de exercer uma imagem contraditória no discurso da cantora.

The Voice Within foi o quinto e último single do trabalho, trazendo uma abordagem ainda mais pessoal para a divulgação do álbum. A balada é trouxe um alcance vocal ainda maior para Christina, cuja força foi bem recebida pelos críticos. A música trouxe um conteúdo de auto-descobrimento, de encontrar a voz dentro de si. Em entrevistas, a cantora diz que escreveu a faixa no início dos seus 20 anos, em uma época que sua família esta “indo de lá pra cá”.

Ainda que a recepção da crítica especializada tenha sido favorável à música, The Voice Within teve um resultado mediano nas paradas. Na Billboard Hot 100, alcançou o #33, enquanto na maioria dos outros países ficou de fora do Top 10 dos charts.

 

Desculpe por Nada

Assim como todos os seus singles, as faixas presentes no Stripped também contavam diferentes história, que, juntas, estabeleciam uma narrativa sobre a vida de Aguilera. Ao todo, o álbum é composto de 20 faixas, sendo quatro delas interludes.

Stripped Intro abre o álbum já com uma mensagem clara de Christina, que, de forma sarcástica, se desculpa por todas as “coisas ruins” que é. “Esperando um longo tempo” para se introduzir, a faixa pede “desculpas” por coisas como ter “quebrado o molde“, “falar o que me vêm à cabeça” e por ter “ficado real demais“. A tracklist então segue com Can’t Hold Us Down, antes de apresentar Walk Away. A terceira faixa do álbum fala sobre um relacionamento abusivo e criar coragem de sair dele e seguir em frente. Acompanhada de um piano, a música é uma das mais bem recebidas pelos críticos.

Temos então Fighter, o interlude Primer Amor, Infatuation, inspirada pela música latina (a artista tem ascendência latina), em especial o flamenco, com um teor mais romântico. Temos então o interlude Loves Embrace, e Love Me 4 Me, que segue a ideia de um amor puro, que ama-a por ela ser ela, como ela é.

A nona faixa do álbum é Impossible, uma feliz surpresa. A faixa é composta e produzida por Alicia Keys e até mesmo conta com uma curtíssima participação da cantora na música, além de tocar o piano que segue por toda a produção. Underappreciated conta sobre a dor de um término, Beautiful sobre auto-aceitação e então temos Make Over e Cruz. Ambas as músicas, inspiradas no rock, foram compostas e produzidas mais uma vez por Linda Perry. Vale destacar que no Reino Unido, Make Over foi processada por ilegalmente samplear (arte de utilizar acordes reconhecíveis de uma música em outra) Overload, da girlband Sugababes, sendo, posteriormente, creditadas.

O álbum segue com Soar, Get Mine, Get Yours (mais uma vez sobre sexualidade), Dirrty, Stripped Pt.2 (uma continuação para Stripped Intro) e The Voice Within. É aí vem I’m Ok, faixa que fala sobre o abuso que sofreu quando criança, na época em que seu pai ainda morava em casa. Utilizando de elementos que remetem à sua infância e introduzindo a letra com um “Era uma vez” numa espécie de fábula sombria, Christina conta que, apesar de tudo, agora as coisas estão melhores. Keep on Singin’ My Song fecha o álbum, com uma influência gospel e quadro de esperança diante o futuro.

 

Reconhecimento

Embora o Stripped tenha se tornado um dos álbuns mais influentes no mundo da música e estabelecido uma grande marca na música pop, na época de seu lançamento, o trabalho de Christina Aguilera foi recebido de forma mediana. O Metacritic, site especializado e agregador de críticas de produtos culturais, coloca o álbum com 55/100 de aproveitamento. Revistas como Rolling StoneThe Guardian deram 3/5 estrelas ao álbum, enquanto a Billboard deu um “favorável” e a Entertainment Weekly um “C+”.

Christina na noite em que ganhou o Grammy por “Beautiful”

Comercialmente, no entanto, o sucesso do álbum foi maior. Stripped debutou em #2 na Billboard 200, com mais de 300,000 cópias vendidas, ficando nas paradas até 2004. Até agosto de 2014, o álbum já havia vendido, apenas nos Estados Unidos, mais de quatro milhões de cópias, sendo certificado com o Platina Quádruplo. Ao todo, o disco já foi comercializado mais de 10 milhões de vezes ao redor do mundo. Stripped garantiu cinco prêmios para Christina, sendo o mais importante deles o Grammy Award para Beautiful, na categoria Melhor Vocal Pop Feminino, em 2004.

O sucesso do álbum também assegurou à artista a sua primeira turnê mundial, conhecida como The Stripped Tour. Os shows mundiais foram antecedidos pela turnê norte-americana Justified & Stripped Tour, uma parceria que a cantora fez com Justin Timberlake, que promovia o seu debut album Justified.

A world tour, no entanto, se limitou apenas à Europa, Ásia e Austrália, tendo sua perna nos Estados Unidos e Canadá cancelada devido problemas vocais da cantora. The Stripped Tour mesclava músicas do Christina Aguilera, Mi Refrejo (álbum em espanhol que servia como uma espécie de “tradução” para o debut album) e Stripped, contando com 22 faixas. Durante as apresentações no Reino Unido, o show foi gravado e posteriormente lançado em DVD, com o Stripped Live in the U.K.

 

Inspiração

O legado deixado por Stripped vai além do que seu sucesso comercial ou a posterior ascensão nas maiores listas de melhores álbum da década, servindo de inspiração para muitas pessoas ao redor do mundo. Enquanto seus fãs, conhecidos como Fighters, parecem concordar que Stripped é o melhor e mais intimista álbum de Aguilera, o mundo da música presta homenagem de formas ainda mais visíveis.

São diversos os artistas que colocam Christina Aguilera como grande influência de suas carreiras como cantores, podendo citar alguns dos mais famosos no meio pop. Selena Gomez já estabeleceu a afirmativa. O último álbum da cantora, intitulado Revival, inclusive, é uma clara evidencia disso. A cantora coloca que Stripped a ensinou a “abaixar suas defesas, e ser sexy e divertida ao mesmo tempo“, o que a inspirou a lançar o álbum, que parece replicar o que Christina quis fazer com seu trabalho. A capa, por exemplo, onde Selena senta nua, em preto-e-branco, é facilmente relacionada à capa do álbum da veterana.

Tell Me You Love Me, recente álbum lançado por Demi Lovato, é um outro exemplo do legado deixado pelo Stripped. Aqui, Demi também baixa sua guarda e se permite ser ainda mais vulnerável, contando sobre os problemas de sua vida pessoal. A cantora já até mesmo contou que o trabalho de Christina a ajudou a surgir com o conceito deste. Junto à essa experiência, Demetria até mesmo lançou um documentário, Demi Lovato: Simply Complicated, no qual discute todos os problemas psicológicos e de saúde que enfrenta em sua vida.

Em maio de 2016, Aguilera e Ariana Grande fizeram uma performance juntas no The Voice, com a música “Dangerous Woman”

Ariana Grande também é um grande influenciada. Com o Dangerous Woman ela apostou em um lado mais sensual e emancipado, dando à Grande um controle maior à sua carreira. O trabalho quebrou, de uma vez por todas, com a perspectiva de “garotinha fofinha, indefesa, chiclete” que tinha quando ainda era uma atriz do canal Disney Channel. Lembrou de alguém?

 

Fighters

Enquanto cantoras utilizam de suas plataformas para cantar suas mágoas e a história de suas vidas, os fãs de Christina Aguilera, conhecidos como Fighters, mantém um vínculo com a cantora (e o álbum) menos público.


Luiz // Stripped me abriu os olhos para a vulnerabilidade. Assim como a Xtina se permitiu abrir seus defeitos, erros, medos e ver beleza no errado, eu comecei a ter essa noção. Mas foi em 2011 que atribuí um significado ao álbum: o que ela chama de primeiro amor, eu chamo de primeira vez que achei que fosse amor. A letra de Infatuation caiu bem, mas a de Walk Away combinou melhor. É incrível você se conectar com umas músicas assim (música essa que sempre que mostro para alguém, a pessoa se identifica e vira fã). Mas a principal mesmo foi em 2016, num momento de depressão e medo de tentar de novo, foi Soar que me inspirou a seguir e tentar. A história de “não tenha medo de voar, encontre um caminho que seja seu” era só o que estava na minha cabeça enquanto eu deixava minha família e voltava sozinho para a minha cidade e seguir minha vida em outra tentativa de ficar feliz. Atualmente estou na minha melhor fase, consigo dedicar Loving Me 4 Me para alguém pela primeira vez e me sinto muito bem por isso.


Giulio // Stripped representa emancipação; processos de autoconhecimento decorrentes da superação das próprias dificuldades e das próprias imperfeições. Reflete o amadurecimento que vem com a chegada da idade adulta, quando racionalizamos as descobertas da adolescência e contrapomo-las às responsabilidades de se viver em coletividade. Quando o descobri a fundo, já me considerava grande admirador da Christina Aguilera. Adorava o Back to Basics, que considero mais rebuscado em termos de instrumentação e produção musical. No entanto, sabia que o Stripped carregava um significado muito mais abrangente e desafiador. Um manifesto sincero de independência, cuja força se traduz na representatividade que este trabalho assume na carreira da cantora.


Georgio // Esse álbum marcou MUITO minha adolescência e, sem dúvida, minha vida como um todo. Mesmo após 15 anos ainda ouço com muita empolgação, como se fosse algo novo. Stripped muito atemporal. Simplesmente AMO.


Joanderson // É um dos álbuns mais inspiradores da música pop para mim, porque mostra a Aguilera de várias formas: uma mulher empoderada que canta sobre amor, força, mas que também possui suas inseguranças. Pessoalmente, essa desconstrução de como devermos sentir e sobre quem devemos ser é importante pois tenho aprendido a ser sincero comigo mesmo sobre minhas inspirações pra vida e meus desejos. Por isso, a principal característica do álbum para mim é mostrar uma Xtina que aprendeu sobre si com a vida e continua aprendendo, resultando numa demonstração da sua verdade de forma “nua” e crua. Ouvir o álbum me faz lembrar que preciso continuar descobrindo mais sobre mim, para que um dia eu possa ver ainda mais claramente o que sou e poder afirmar que realmente conheço minhas forças e limites.


Christian // Lembro como se fosse hoje eu comprando esse álbum; tinha 15 anos e já era fã dela desde 1999. Quando coloquei o Stripped pra tocar, meu Deus!, desde a Intro até a última faixa eu me arrepiava a cada uma música. Quando chegou em Beautiful, que eu considero como a minha música, eu chorava e ria ao mesmo tempo. Esse álbum é sim muito inspirador,  não só para mim ou para todos os fãs, mas para qualquer pessoa que gosta de músicas boas e de cantoras como a Christina.


Marcos Paulo // Apesar de eu não ser tão jovem, na época (2002), eu não era muito interessado em tantas personalidades da cultura pop como eu sou hoje. Lembro que a primeira música da Christina que me foi apresentada foi Dirrty e não foi tão chocante assim, lembrando que Britney Spears já tinha aberto o caminho para esse conceito com o I’m a Slave 4 U, mas aí então ouvi Fighter e Beautiful e aí sim! A voz de Xtina me atingiu. Lembro que repetia tanto as músicas que devo ter perdido muito da minha capacidade auditiva, mas valeu a pena.QUE HINOS! Comecei a divulgar para amigos e mesmo sempre sendo ignorado, segui firme. Xtina chegou até mim nessa era e comecei a questionar o quanto que ela era igual e diferente ao mesmo tempo da miss Spears. O visual dela em Fighter me fez criar uma identificação instantânea com a garota propaganda da NBA em 2003. Confesso que me limitei a poucas canções do álbum na época (além das já citadas, ouvia também The Voice Within, I’m Ok e Can’t Hold Us Down). A era Stripped foi realmente icônica para a carreira dela, se você observar o conjunto da obra, foi muito bem aproveitada e para a época, foi desafiadora por ter protestado contra o machismo, preconceitos e bullying.


Rafael // O álbum realmente é incrível, produção impecável e os vocais insuperáveis. A transição em diversos estilos certamente é um diferencial, e isso chamou a atenção de muita gente da industria fonográfica. Tem rock, hip hop, soul, R&B, etc., enquanto o pop ficou em segundo plano e é isso que o torna tão especial, porque Christina rompeu definitivamente com aquele clichê comercial. Reuniu temas como feminismo, homossexualidade, bullying e passou a mensagem principal de que não deveriamos nos envergonhar de ser quem somos. Stripped, como título, não quer dizer somente nú, mas sim crú, despido de máscaras, controvérsias e aparência. O que importa é a beleza que está dento de você.


vics

tem 22 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas. é o Diretor de Arte da revista, sendo o responsável pela criação da identidade visual da zine. ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta. ao todo, já assistiu o correspondente a 13 meses em Séries, três meses em Filmes e em 2017 foram dois meses em reprodução de Música.

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