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“Anônimo”: o John Wick dos cinquentões

[tempo de leitura: 3 minutos]

Bob Odenkirk revela seus instintos adormecidos e distribui muita pancadaria em um longa para os caras de cinquentões.


LLonga com direção de Ilya Naishuller e roteiro de Derek Koltad (da franquia John Wick), Anônimo consegue caminhar para novas perspectivas e alternativas mesmo diante de um texto que muito se assemelha à versão de Wick. Na história, conhecemos Hutch (Bob Odenkirk), um homem que vive na sua rotina até o momento em que, em seu caminho de retorno para casa, ele defende uma mulher indefesa no ônibus. A partir dai, as consequências começam a se desdobrar quando ele atinge alguém da máfia russa, comandada pelo vilão Yulian Kuzentsov (Aleksey Serebryakov).

A montagem de Anônimo já consegue trazer a tona como a vida de Hutch é pacata e sem muitos acontecimentos. O fato de apresentar o protagonista e seus afazeres no trabalho e em casa como pai e marido é uma interessante escolha, forçando o telespectador a viver a rotina repetitiva e sem graça do personagem. Por sua vez, a edição mostra um processo gradativo para as cenas de pancadaria e na história de Hutch, que cresce junto com o enredo.

Óbvio que não podemos deixar de destacar a atuação de Odenkirk, que dá um show no título principal. A forma como é mostrado as suas camadas e seus motivos para ser um cara amargurado, até o ponto em que a virada de chave acontece, mostra uma segurança do ator em desenvolver essa construção. O jeito que ele se porta no início de Anônimo é completamente diferente do fim — se antes Hutch era um cara tímido, no fim ele se abre mais, até mesmo interagindo melhor com sua família e amigos.

O vilão Yulian também entrega um personagem interessante, mas pouco se vê de suas camadas. Existe uma motivação ali, em um tom de vingança para atingir o protagonista, mas que, no geral, se desenvolve pouco. A menção honrosa fica mesmo com Christopher Lloyd, pai do protagonista. Apesar de aparecer em cenas pontuais, o ator faz um velhinho aposentado que, mesmo em meio a troca de tiros, tira risos do telespectador e demonstra que é tão badass quanto seu filho.

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Por sua vez, as cenas de ação e pancadaria são bem dirigidas e entregam o que o telespectador espera, com uma estética bonita e um ritmo frenético misturado a músicas famosas. Exemplo disso é a cena que envolve What a Wonderful World, que dá um contraste na pancadaria e ainda apresenta para o espectador a oportunidade de entender as motivações de Hutch.

Anônimo me lembra até um pouco de RED: Aposentados e Perigosos (2010) e Rambo: Até o Fim (2019). A troca de tiros, a criação de armadilhas e como o protagonista que só bate e não apanha tem um desenrolar interessante para a narrativa. Justamente por esses pontos, talvez o nosso Hutch se aproxime mais de um John Wick cinquentão, em um padrão de filmes onde caras mais velhos vivem sua vida tranquila até o momento que alguém toca em suas famílias, sendo os primeiros a tirarem o seu arsenal de armas e dar muito tiro em todo mundo que provocou isso.

O que deixa a desejar no longa é o desenvolvimento com a família, que é pouco mencionada. O roteiro de Koltad até mostra uma relação bonita entre eles, mas que, talvez pela pressa em colocar as cenas de ação, acaba se perdendo. Não é algo que atrapalhe o filme, mas deixaria o protagonista mais rico em suas camadas.

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Koltad é um longa recheado de ação e cenas de pancadaria, sendo a pedida certa para os cinquentões. E bem que poderia rolar um crossover entre Hutch e Wick, já que os dois personagens são obras do mesmo roteirista. Nada impediria dos dois se juntarem e sair dando porrada na máfia.

Marcos Tadeu

É Fotógrafo freelancer, formado em Jornalismo pela PUC Minas e se descobriu Crítico no meio de uma pandemia. Apaixonado por animações Disney, sonha em ir para os parques de Orlando.

Ainda, é noveleiro de tramas boas enquanto tenta se redescobrir no mundo do Cinema e da TV — e como o audiovisual pode proporcionar a experiência humana.

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