Super Bowl 2020: O ritmo latino embalou a noite no show do intervalo

Super Bowl 2020: O Ritmo Latino Embalou A Noite No Show Do Intervalo
[tempo de leitura: 5 minutos]

A edição em que os latinos deixaram as discussões políticas apenas e tomaram conta do evento de maior audiência da televisão norte-americana.


Dança do ventre, pole dance, hits reconhecidos, dançarinos. Foram com esses ingredientes que aconteceu no último domingo (2) o show do intervalo do Super Bowl 2020, o maior evento da televisão norte-americana. A performance, que marca a 54ª edição do evento, apostou em Jennifer Lopez, filha de porto-riquenhos, e a colombiana Shakira que, no primeiro encontro no palco, mostraram energia e controle, da voz e do corpo, em grande estilo, como pede a ocasião.

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Imagem promocional do Halftime 2020

As duas maiores artistas latinas da música pop surpreenderam e empolgaram pelo clima quente em que transformaram o palco erguido sobre o gramado do Hard Rock Stadium, em Miami. Além disso, passaram ao público uma grande capacidade de entrega, envolvendo a plateia no ritmo latino do começo ao fim.

MARCO HISTÓRICO
Jennifer e Shakira quebraram diversas barreiras. Foram as primeiras mulheres latinas a serem a grande atração musical do maior evento esportivo dos Estados Unidos. Também superaram os limites de idade: Jennifer Lopez já tem 50 anos, e Shakira completou 43 neste domingo (2). Só Madonna, que tinha 53 anos quando se apresentou no Super Bowl de 2012, era mais velha até então.

Acompanhada de dançarinas e um vestido vermelho brilhante, Shakira começou a apresentação com um medley de alguns de seus hits, como She Wolf e Empire, indo das batidas ao rock e da guitarra a bateria, mostrando suas habilidades também junto aos instrumentos.

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Shakira e Jennifer Lopez durante a apresentação do Halftime 2020. / (Foto: Maddie Meyer/Getty Images)

Até uma corda tornou-se parte dos movimentos nas mãos de Shakira enquanto cantava o hit Whenever, Wherever. Depois seguiu o show com a participação de Bad Bunny em uma versão de I Like It da Cardi B, Chantaje, junto a um time de dançarinos e Hips Don’t Lie, momento em que se jogou para os braços do público, que a levaram até o outro lado do palco.

O pole dance marcou a entrada de Jennifer Lopez ao espetáculo. Com músicas famosas de sua carreira, como Get Right e Waiting for Tonight, JLo mostrou força e habilidade para cantar até mesmo acima do chão e depois, enquanto dançava em uma plataforma, J Balvin participou trazendo o sucesso Mi Gente, não deixando nem a própria cantora de fora da dança.

 

Identidade além da dança

Fato é que durante os 14 minutos do intervalo os latinos ultrapassaram a posição de protagonistas apenas dos debates e medidas políticas nos Estados Unidos e mostraram sua relevância para o mundo através da arte e da expressão cultural. O show do intervalo do badalado Super Bowl LIV propôs mais que uma apresentação dançante e enérgica, mas sim uma pausa para prestar a atenção no que os latinos, e imigrantes em geral, tem a oferecer e compartilhar com outros povos. A experiência exposta ao olhos dos torcedores, de maioria nacionalidade norte-americana, certamente comprovou a grandeza da vivência latina.

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Jennifer Lopez durante apresentação solo no Halftime

Realizar esse feito no Super Bowl é muito significativo, pois o evento representa a tradução dos EUA em modo de vida, por exemplo, e isso que Shakira e Jlo quiseram passar: a tradução delas também.

DISCO VISUAL
A NFL lançou um álbum visual com as performances musicais da atual edição do Super Bowl. O projeto faz parte da parceria entre a empresa e a Roc Nation, gravadora de Jay-Z, e foi disponibilizado nas plataformas digitais Tidal, Spotify, Apple Music e YouTube.

Caminhando para o fim da apresentação, o palco recebeu um grupo de meninas, crianças, para engrandecer ainda mais a festa. Shakira voltou tocando bateria e Lopez, com uma bandeira de Porto Rico, introduziu Waka Waka, contagiando a todos e tomando o espaço através da dança para juntas, encerrarem a apresentação.

Por meio do espaço destinado a apresentação do intervalo, mostraram um pedaço da América Latina, com movimentos, danças, letras que nos unem à cultura de anos da nossa terra, além de levar a cultura latina ao horário nobre. É como se elas chamassem as pessoas, da arquibancada e dos televisores em todo o mundo, para ficarem à vontade no “palco”, que também passa a ser do público quando tem contato e conhece mais do que outros povos têm a ensinar.

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Shakira durante a apresentação solo no Halftime / (Foto: Timothy A. Clary / AFP / Getty Images)
DISCO VISUAL
No ano passado, os organizadores apostaram em musicais de Maroon 5, Travis Scott, Big Boi, uma banda consagrada e dois rappers desconhecidos para muita gente, e o risco assumido resultou em queda de audiência nos Estados Unidos, a menor em 11 anos. Desde 2015, quando registrou recorde de 114,4 milhões de telespectadores, o Super Bowl vê seu público cair ano a ano, revelando a escolha das duas artistas de peso para tentar reconquistar o público, além de se conectar com demandas sociais importantes em dimensão global.

JLo e Shakira certamente levaram todo o suingue latino para o estádio, e representaram a mulher contemporânea com sua própria linguagem, além de comprovarem, para quem ainda não tinha consciência, porque ultrapassaram as fronteiras.

Importante é que a performance desse ano não se resumiu a aspectos típicos de eventos espetacularizados, isto é, efeitos, cores e fogos como no ano passado. Em ano eleitoral, o Super Bowl conseguiu se reinventar e abrir os horizontes para as discussões sociais e políticas que tanto fazem parte do nosso tempo e nossa geração, para, enfim, exibir uma performance animada e capaz de atingir a audiência, feito não realizado desde 2017, quando o show do intervalo foi conduzido por Lady Gaga.

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O casaco dupla-face de Lopez com a bandeira de Porto Rico e EUA. / (Foto: Angela Weiss / AFP / Getty Images)

Afinal, muito do sucesso de grandes eventos se devem à música e, acima de tudo, da capacidade de assumir riscos e surpreender o público. Por via das dúvidas, dance, se expresse e tente com isso, como foi feito, mostrar suas raízes.

 

Demais atrações

Antes mesmo do intervalo ou do jogo em si, os atletas de Kansas City Chiefs e San Francisco 49ersprestaram uma homenagem a Kobe Bryant, atleta da NBA que morreu recentemente em um acidente de helicóptero.

Demi Lovato foi a responsável neste ano por interpretar o hino nacional norte-americano. Apostando nos vocais poderosos marcantes de sua carreira, a cantora mostrou talento e emocionou a todos os presentes e telespectadores ao exaltar o nacionalismo por meio da sua voz, uma semana após retornar ao mundo da música no Grammy.

Demi agora se junta a um time de artistas de peso que já interpretaram o hino nacional do evento, como Whitney Houston, Lady Gaga, P!nk e nos deixa esperançosos para o que ainda pode contribuir no cenário artístico.

Ainda, Yolanda Adams interpretou America, The Beautiful, canção de Barbra Streisand, acompanhada do coral The Children’s Voice.

Mike Faria

mike faria

Jornalista, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar.

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