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Ménage à Pabllo

[tempo de leitura: 5 minutos]

Com o “111”, Pabllo Vittar experimenta e entrega um álbum trilíngue, marcado pelo eletrônico e participações de peso como o de Ivete Sangalo.


ÉÉ Vittar, mainha. It’s Vittar, lil momma. Es Vittar, mamita. Em uma realidade que faz de Pabllo Vittar a drag queen com o maior número de seguidores no Instagram (+10 mihões), ultrapassando até mesmo RuPaul Charles (4 milhões), é inegável a força que a artista tem dentro e fora do Brasil. Pabllo continua indo além, expandido sua carreira para outros mercados e colocando seu nome na boca de um público que não se limita apenas ao brasileiro.

 

É Pabllo Vittar, mainha

É claro que Pabllo não é tão influente como RuPaul, por mais que parte de seus fãs queiram acreditar, mas a artista vem conseguindo algo que nenhuma outra drag queen além de Mama Ru conseguiu: uma carreira sólida e de grande sucesso na música. Se não fosse o boicote que sofre nas rádios brasileiras, Pabllo Vittar estaria constantemente no topo das mais tocadas. Na internet, a cantora triunfa com singles de sucesso e videoclipes que ultrapassam o milhão, navegando entre dezenas e centenas – K.O. possui 354 milhões de visualizações, sendo o mais assistido da artista, enquanto Clima Quente, lançado há quase um mês, é o menos executado, com “apenas” quatro milhões e meio.

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Pabllo Vittar em “Parabéns”

Ao todo, mais de 1 bilhão de reproduções no canal oficial no Youtube e cinco milhões de ouvintes mensais no Spotify marcam a carreira de Pabllo, nascida em São Luís, no Maranhão, eleita em 2019 uma das 10 líderes de sua geração pela revista norte-americana TIME. Vittar, que começou pequeno, hoje já é capaz não só de segurar uma turnê solo pelo país, mas também entrar na line-up de festivais como o Rock In Rio e o Coachella, além de colaborar com artistas de grande porte, sejam eles internacionais ou nacionais.

Agora, em março de 2020, Pabllo Vittar lança seu terceiro álbum de estúdio, 111, antecipando-o em resposta ao precoce vazamento do compilado. Ela, que lembra ter passado por muito pior, não deixaria o acontecimento quebrar com o seu reinado, colocando nas plataformas digitais o disco que já havia antecipado com o EP 111 1, em outubro de 2019.

 

111: O Álbum

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Capa do álbum

111 é um compilado de experimentos que dão certo até certa extensão. A começar pelo nome. 111 é 3, significando seu terceiro álbum. 111 é trilíngue, marcando as três línguas em que Vittar canta. 111 é 111, o aniversário da cantora (1/11/93). Dá até pra forçar que 111 é o múltiplo de 3, devido as nove faixas que constam no disco – embora Pabllo já tenha falado que, devido o adiantamento, há algumas faixas faltando no compilado, que deve ser relançado com pelo menos duas faixas extras.

No álbum, Pabllo Vittar sai um pouco do cenário que lhe deu os holofotes para sonoridades ainda mais voltadas para as pistas de dança. Fica claro que, diferente de seus dois Platinas anteriores, marcados pela pureza da musicalidade brasileira em ritmos e gêneros nacionais, o 111 é o resultado de uma Vittar que, por exemplo, testa adicionar ao brasileiro camadas de EDM puro e o electropop.

Flash Pose, primeira prova da nova era, é uma música marcada por esse ritmo eletrônico e dance, que ainda traz a presença da britânica Charli XCX, famosa por músicas voltadas para esse gênero musical. Ainda que meio vazia na composição, mas referenciando o Vogue e a cultura LGBTQIAP+, Flash Pose é uma dosagem promissora do que Pabllo Vittar é capaz de fazer, em uma batida marcante, um refrão meio chiclete e um videoclipe esteticamente pop perfection.

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Mas, entre todas as faixas, Parabéns, com participação de Psirico, é a que caiu no gosto do público. Colocada como a nova Parabéns Pra Você, Vittar esbanja carisma com um ambiente todo azul e muita sensualidade para cantar um parabéns não muito inocente, em um brega funk divertido e regado por uma coreografia simples e eficaz.

O amor do público se estende para Amor De Que, uma continuação quase que natural para Corpo Sensual, música de seu primeiro álbum, Vai Passar Mal. Na faixa, Pabllo Vittar revisita o forró, adicionando a camada eletrônica para falar que ela é muito nova para se prender a apenas um homem. Arretada, a bixinha! Mas é a Vittar, mainha.

Com o lançamento do 111, o público tem a oportunidade de duas músicas que rapidamente se tornarão favoritas do público. A primeira é Lovezinho, faixa que conta com a participação de Ivete Sangalo. Cheia de identidade, o arrocha romântico é uma ótima união entre duas gerações de cantoras que continuam relevantes no cenário musical nacional, que entregam uma música dançante melódico que faz qualquer um querer um lovezinho aconchegante no cangote.

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Pabllo Vittar em “Amor De Que”

A segunda é a inesperada Rajadão. Na faixa, Pabllo Vittar aposta na músicas gospel, em uma letra que é um clamor de glória e de superação facilmente relacionados a dor e sofrimento vivido pela comunidade LGBTQIAP+, que terão os “inimigos caídos ao som desse trovão”. O que choca (e casa muito bem) é a união imediata a um EDM pesado, natural das festas de rave e de festivais como o Tomorrowland ou o Ultra Music – públicos que dificilmente se associariam com Pabllo Vittar. E após a melancólica Indestrutível, do álbum Vai Passar Mal, nada mais justo que uma poderosa música pras gays dançarem enquanto celebram suas identidades.

111 é ainda completado com Tímida, um pop latino com participação de Thalía, Salvaje e Ponte Perra, as duas músicas em espanhol e que são meio as esquecidinhas da festa, e Clima Quente, uma parceria com Jerry Smith e parte de uma campanha publicitária da Coca Cola – e, de acordo com os fãs, a pior música do disco. E com faixas que não cativam tanto quantos outras, o compilado acaba parecendo ainda mais curto do que já é, o que dá ao álbum um ponto negativo que gera um ruído muito mais perceptível.

Mesmo que não seja o melhor álbum de Pabllo Vittar, o 111 é apenas o primeiro passo de uma cantora drag queen que tem muito a oferecer – e um público cada vez maior e cada vez mais internacional. E considerando que em apenas 24h sete das nove faixas já figuravam entre as 50 mais ouvidas do país, com o álbum aparecendo nas paradas digitais de alguns países, Pabllo vai continuar indo longe demais!


PLAYLIST

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Vics

vics

tem 24 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas, com um MBA em Comunicação e Marketing. gerencia a revista e, ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta.

ao todo, já assistiu um total de 18 meses em Séries, cinco meses em Filmes e em uma década foram cerca de 25 meses em reprodução de Música.

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