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Um testemunho sobre insegurança e fragilidades

[tempo de leitura: 3 minutos]

Jão entrega um álbum de estreia sólido, e, com “LOBOS”, apresenta para o mundo o seu pop intenso de histórias tristes e pessimistas.


AAi meu Deus / Eu vou morrer sozinho / Se eu continuar nesse caminho“. Assim começa o primeiro álbum de estúdio de João Vitor Romania, profissionalmente conhecido como Jão. Com uma proposta pessoal e libertadora, o artista mostra o que o público ainda não sabia de si próprio.

“Todas as coisas que eu odiava em mim quiseram vir pra cima. Só que, em vez de suprimir tudo mais uma vez, eu resolvi botar para fora cantando. […] No meio dessa confusão de juventude e sofrimento, foi estranho perceber que essas coisas que um dia tentei esconder de mim por tanto tempo, mesmo que não tão bonitas assim, eram minha verdade mais pura e fazem parte do que realmente sou”.

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Capa do álbum

LOBOS traz um tom melancólico e dramático acompanhado de batidas empolgantes, combinação que domina em quase todo o disco do artista. Considerado um dos nomes mais promissores do cenário pop brasileiro para 2018, Jão aposta em músicas que trazem um som pop intenso por temas como tristeza, sarcasmo e pessimismo, porém com toques de diversão que equilibram o álbum e o tornam mais leve de certa forma.

Após lançar Imaturo, em janeiro deste ano, e um projeto paralelo ao álbum, composto por versões acústicas de quatro músicas, o cantor veio alcançando a admiração do público por seu trabalho original e destemido. Uma reflexão da sua personalidade; ‘‘muitas vezes crítico e pesado para certas situações’’, como conta o próprio Jão.

Durante as 10 faixas que compõe o disco, lançado pela Universal Music, o cantor expõe seus medos e experiências, aspectos marcantes em sua vida, em um relato honesto e corajoso sobre ser você mesmo e lidar com as dificuldades.

O álbum, composto todo por Jão, conta apenas com uma parceria, na faixa Aqui, ao lado de Diogo Piçarra. Em Lobos, a faixa-título, acompanhada de uma melodia mais comum, indica: “o cara estranho, que eu fingi não ser, já renasceu, talvez eu possa descansar”.

Em tempos onde se canta muito sobre ser forte, ter autoconfiança, estar por cima em uma relação, o jovem artista surpreende ao falar de forma aberta e genuína sobre os sentimentos dos quais não temos orgulho, apoiado nas sonoridades regionais brasileiras.

 

Quando a lua cheia cair sobre o sertão vazio, e iluminar a terra e seus corpos frios, anunciem em afoite, saiam das ruas todos, foi iniciado o expurgo da noite. É o arrebatamento dos desgraçados, malcriados, vagabundos, um a um, ainda que em medo, irão todos. Pois que uivem altos os perdidos. A alcateia saúda os novos lobos”, assim anuncia um testemunho na capa do álbum, uma verdadeira confissão sobre desafios e conquistas.

Para chorar e dançar ao mesmo tempo, o fato é que Jão ultrapassou definitivamente a timidez ao revelar um discurso pessoal e sincero sobre liberdade para ser você mesmo, independente da aceitação ou apoio dos outros. Assim, assuntos como problemas de autoestima e dificuldades de se relacionar conduzem a narrativa construída ao longo do trabalho.

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Às vezes inseguro, às vezes frágil, Jão se apropria da voz doce junto a elementos eletrônicos para falar (ou uivar) para quem quiser ouvir. Como um lobo, mal visto pela sociedade e reconhecido por conquistar seu território e o respeito no meio onde vive, Jão termina o álbum cantando “Bem nos olhos vejo os monstros / Que insistem em me encarar / Sempre me acharam louco / Por querer ser mais um pouco / Sei que eu tenho os meus monstros / Mas continuo a caminhar“.


Mike Faria

mike faria

Conectado com a potência das narrativas e a sensibilidade social encontrou no Jornalismo o melhor lugar para se expressar, junto a prática de natação nas horas vagas e as distopias para lidar com a realidade.

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