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Uma leitura surpreendente da literatura nacional

[tempo de leitura: 5 minutos]

Em “Quarto 22”, a jovem escritora Juliana Brandão surpreende os leitores com personagens bem construídos, fluidez narrativa e uma trama imprevisível.


LLançado em 2019, durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro, através da Rico Editora, o livro Quarto 22 marcou a estreia da autora Juliana Brandão no mercado editorial brasileiro. O livro se destaca por apresentar uma história surpreendente, que foge dos clichês já conhecidos pelo público literário.

 

Quarto 22

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Capa do livro

A trama do livro gira em torno de Valentina, uma acompanhante de luxo que é contratada por Rodolfo Furtado, um importante homem de negócios, para poder conquistar Nicholas Selbach, filho de Afonso Selbach, CEO de uma importante construtora do Rio de Janeiro. O plano de Rodolfo consiste em reunir provas e informações sobre Afonso, uma vez em que ele acredita que o CEO da empresa está ligado a um esquema de corrupção. Para o plano funcionar, Valentina deve se passar pela sobrinha de Rodolfo e arrumar um modo de se aproximar de Nicholas e sua família para, então, descobrir as informações que seu contratante tanto necessita.

O livro é narrado pelo ponto de vista de Valentina e Nicholas, intercalando a visão dos dois a cada capítulo que se passa. Esse método permite que o leitor tenha um olhar mais amplo sobre a história, além de poder aprofundar as psiques de cada um dos personagens. Aos poucos, à medida que a história vai fluindo, o leitor tem a oportunidade de descobrir sobre o passado de Valentina e o que a motivou a aceitar tal plano, ao passo que também é possível conhecer um pouco mais sobre Nicholas e a conturbada relação com seu pai.

Apesar do livro apresentar uma premissa que, num primeiro momento parece ser bastante previsível, Quarto 22 surpreende por contar uma história que foge dos clichês com os quais estamos acostumados. O livro ainda esconde uma reviravolta muito bem trabalhada, que arrebata os leitores e dá outro rumo a leitura.

 

Construção e Inspiração

Um dos pontos positivos do livro são os personagens muito bem construídos e desenvolvidos ao longo da narrativa, de forma que a autora compartilhou um pouco do seu processo criativo. “Lembro-me de falar dos personagens como se eles fossem pessoas reais. Falava com a minha irmã e amigas, coisa do tipo: ‘isso aqui é a cara da Valentina’ ou ‘Nicolas nunca falaria algo assim, o Rodolfo sim’. Isso me ajudou muito na hora de diferenciar e construir a personalidade de cada um.”, afirma.

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Como dito, outro fator marcante de Quarto 22 é o seu desfecho, que apresenta algo bem diferente com o que estamos acostumados. Segundo Juliana Brandão, desde o início da concepção da história ela tinha esse final planejado para Valentina, que não tinha como terminar a história de outra maneira. “Ela nasceu para viver essa história e eu para contá-la. Não consigo enxergar, para esse livro, outro encerramento possível”.

 

Além disso, segundo a autora, como alguns leitores pedem por uma continuação, ela está considerando e estudando essa possibilidade. “Quando comecei a escrever, não cogitava que ela [a história] pudesse ter uma continuação. Na minha cabeça, seria só isso e eu partiria para a escrita de outro livro. No entanto, quando estava perto de finalizar a escrita do Quarto 22, me deu um lampejo. E de última hora decidi inserir um gancho que não compromete o desfecho, mas que possibilita o desenvolvimento de uma possível parte dois, caso queira”, conta.

Com as adaptações audiovisuais de obras literárias permanecendo em alta desde o início do século XXI, como Para Todos Os Garotos Que Já Amei (2018), Bird Box (2018), Virgin River (2019), Adoráveis Mulheres (2019) e Por Lugares Incríveis (2020), aproveitamos para perguntar qual seria o elenco dos sonhos caso Quarto 22 ganhasse uma adaptação para as telinhas:

“Bem, meu diretor dos sonhos é Mauro Mendonça Filho. E pensando num elenco brasileiro, a Carol Castro ou Antônia Morais poderiam interpretar a Valentina. Já o Dan Stulbach ou Dalton Vigh seriam bons como Rodolfo, assim como o Marcos Pitombo, Bernardo Velasco e Ricardo Tozzi ficariam perfeitos com o Nicolas. E por último, o Thiago Fragoso, Rafael Cardoso ou Marco Pigossi poderiam dar vida ao Frederico. Agora, numa versão americanizada, só consigo pensar Richard Gere como Rodolfo, Joshua Bowman como Nicolas, Shay Mitchell como Valentina e Alfie Allen como Frederico.”.

Com uma adaptação para as telas ou não, o fato é que em Quarto 22, sua estreia literária, Juliana Brandão entrega uma história consistente, que foge da previsibilidade e que apresenta personagens bem trabalhados e desenvolvidos. Uma grata surpresa aos leitores!

 

CONHECENDO A AUTORA

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Juliana Brandão

Juliana Brandão tem 24 anos, nasceu e foi criada na baixada do Rio de Janeiro e, recentemente, se formou em psicologia pela UNIABEU. Em uma entrevista à ZINT, a autora contou um pouco sobre sua relação com a escrita e a literatura, a respeito do processo de publicação de Quarto 22 e sobre alguns pontos centrais da história, além de contar qual seria o elenco perfeito caso o livro ganhasse uma adaptação literária.

Segundo Juliana, escrever é uma de suas atividades terapêuticas favoritas e desde pequena ela cultiva esse hábito. “Por ser muito tímida quando criança, achava mais fácil me expressar através das palavras escritas. Lembro-me de pegar a agenda da minha avó para fazê-la de diário. Escrevia sobre o meu dia. O que gostava e o que não gostava”, conta.

Porém, a sua relação com a literatura surgiu de forma agridoce. Por mais que ela amasse ler, ela odiava quando tinha plateia por perto. De acordo com Brandão, toda vez que precisava ler um texto durante as aulas de literatura, era uma grande tortura.

A relação da autora com a literatura mudou quando ela ganhou um livro de seu pai. “Ali consegui ressignificar o meu relacionamento com a literatura. Não tinha TV a cabo na época e estava passando horário político. Era o livro com capa cor de rosa ou nada. Escolhi o livro e nunca mais parei”.

Durante sua adolescência, Brandão começou a escrever fanfics para a plataforma Tumblr, sempre utilizando pseudônimos já que morria de vergonha de ser reconhecida. Atualmente, a autora enxerga esse período como um momento importante de sua vida, já que foi através das fanfics que ela descobriu sua paixão por contar histórias. Foi inspirada por esse sentimento e vontade de contar histórias, e pela música The A Team, do cantor britânico Ed Sheeran, que Quarto 22 acabou surgindo.

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Desde a idealização da obra, da temporada de escrita até a publicação do romance, Juliana conta que o processo de publicação foi um dos mais burocráticos. E no caso de Quarto 22, a experiência foi um turbilhão de emoções para a autora.

“Disponibilizei a história – após registrá-la – em uma plataforma digital própria para colocar escritores em evidência e, uma editora entrou em contato comigo. Fiquei nas nuvens. Mas, algumas coisas me fizeram voltar para terra. Quando parei para questionar todas as vantagens oferecidas, vi que poderia me arrepender caso seguisse com essa primeira editora. Enfim, após, muito drama, conhecia outra editora, a Rico, que atendia as minhas expectativas do momento, que me acolheu muito, ofereceu um contrato que se encaixava na minha realidade e me deu de presente, um editor muito querido”.

O trabalho de Juliana Brandão pode ser acompanhado pelos Instagram da autora (@jubbsbrandao), pelo Skoob ou então pelo site da Amazon, onde o e-book de Quarto 22 pode ser adquirido.

Bruna Curi

bruna curi

tem 20 anos, é estudante de Jornalismo, mineira, capricorniana e blogueira nas horas vagas. apaixonada por Livros, Filmes e Séries. gosta de escrever, é uma de suas maiores paixões.

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