Viagem conceitual

Viagem Conceitual
[tempo de leitura: 5 minutos]

As pessoas costumam dizer que idade não é documento, e talvez esse seja o caso de Paul McCartney. Aos 76 anos de idade, o músico demonstra ter o fôlego de um jovem, sempre procurando inovar e sair de sua zona de conforto. No início do mês, o artista lançou o seu 17º álbum de estúdio solo: Egypt Station, cinco anos após o lançamento de New.

Gravado pela Capitol Records e produzido por Greg Kurstin (produtor renomado que também já trabalhou com nomes como Adele, Beck e Foo Fighters), o novo álbum de McCartney apresenta vitalidade jovial, com uma pitada de modernidade, mas sem deixar de lado sua conhecida genialidade. Além disso, Egypt Station mostra diversas facetas de Paul: uma alegre, uma que adora experimentações e até mesmo uma mais introspectiva, que pode ser observada na música I Don’t Know.

A inspiração para o nome do álbum veio de uma das pinturas de Paul. “Gostei das palavras ‘Egypt Station’. Elas me lembram dos discos em vinis que costumávamos fazer. O álbum começa na primeira música em uma estação e a cada faixa visitamos uma nova. Foi essa a ideia que seguimos para criar cada música do álbum. Acho que ela veio de um sonho, mesmo lugar de onde as músicas surgem”, revelou em um comunicado à imprensa publicado pelo site NPR.

 

Egypt Station

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O álbum é composto por 16 faixas que viajam por quase uma hora de duração. Opening Station abre o disco em uma música instrumental de 42 segundos. De acordo com o Kurstin, a ideia partiu de fazer uma montagem com vários sons que remetesse à ideia de uma viagem de trem (esse mesmo conceito se aplica a faixa Station II, que está localizada mais no final do álbum).

Em seguida, a introspectiva I Don’t Know se assemelha a uma balada à moda antiga e fala sobre as dúvidas pessoais que podem surgir ao longo de nossas vidas. Em uma entrevista para a revista MOJO, o cantor explicou a mensagem que a música passa: “Às vezes, em sua vida, você não é um deus no Olimpo. Você é uma pessoa real andando pelas ruas. Sou avô, pai, marido e, nesse pacote, não há garantia de que cada minuto vai dar certo. Na verdade, muito pelo contrário. E houve uma ocasião particular que me fez cair”.

Come On To Me é uma música alegre, marcada por bateria e riffs de guitarra, que tem um refrão fácil de acompanhar. A letra remete a juventude de McCartney, por volta da década de 60, em que o cantor se imagina chegando em alguém durante uma festa. A canção Happy With You também mostra o ex-Beatle feliz, apresentando o atual momento de sua vida.

A faixa Fuh You foi a única do álbum produzida por Ryan Tedder, podendo ser considerada como a “faixa-chiclete”, por possuir um refrão um pouco repetitivo e fácil de decorar. A canção se aproxima mais de um pop atual e o cantor até utiliza alguns efeitos eletrônicos. No quesito inovação, essa é a música que mais se destaca em Egypt Station e é a prova viva de que Paul McCartney não tem medo de ousar.

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Em forma de homenagem, temos a música Back In Brazil, marcada por alguns estereótipos, como o som dos passarinhos e pessoas gritando “futebol” ao fundo. A letra fala sobre uma garota brasileira que sonha com um mundo melhor no futuro. No dia 7 de setembro, em que se comemora a independência do País, McCartney lançou, na sua página do Facebook, o clipe da música, em um vídeo que mostra a história de uma garota e de um rapaz que se conheceram em Salvador e combinaram de ir ao show do ex-Beatle. Porém, o rapaz fica no trabalho até mais tarde e não pode acompanhar a garota. Apesar deste contratempo, a garota decide ir ao show sozinha e acaba sendo convidada para subir ao palco (essa parte, gravada durante o show de Paul McCartney, na Arena Fonte Nova, em 2017).

A canção Despite Repeated Warnings começa com um tom melancólico e é possível perceber o piano bem marcante, sofrendo uma mudança para um tom mais roqueiro. Essa troca de melodia causa a impressão de que Paul está viajando, passando por diversos lugares e incluindo cada um deles em sua música. Além disso, a faixa faz uma crítica em relação aos que negam a existência da mudança climática – “Trump está lá”, revelou em uma entrevista para a MOJO, embora a mensagem seja para qualquer pessoa que seja renegue o fato.

O álbum termina com Hunt You Down/Naked/C-Link, que novamente é marcada pela experimentação. A música contém três mini canções e se estabelece entre elas uma profunda conexão. A primeira parte é mais voltada para o rock, a segunda é um pouco lenta e sentimental, e por último tem o solo da guitarra.

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O nome Egypt Station traz ainda a ideia de uma viagem para um lugar exótico e, no fim, Paul McCartney conseguiu colocar isso em suas músicas, que fazem as pessoas viajarem por uma série de experimentações, além de passarem por lugares que dão uma sensação de serem velhos conhecidos. O disco é a prova viva de que o cantor ainda sabe inovar e de como continuar relevante mesmo depois de tantos anos.

 

Grand Central Terminal

Na quinta-feira, dia 6 de setembro, começaram a rodar rumores de que Paul McCartney faria um show em Nova York para promover o seu novo álbum. O local onde seria feita a apresentação permaneceu em segredo e só foi revelado algumas horas depois, na sexta-feira (7). Porém, o nome do disco já entregava uma pista: o show iria acontecer em uma estação.

O cantor disse que pensou “qual a estação mais legal para se fazer um show?”, então marcou a apresentação no Grand Central Terminal. O espetáculo começou com algumas palmas, um “oh oh” e com o artista cantando alguns versos da canção Hey Jude, do The Beatles, e em seguida por um coro de pessoas o acompanhando. A primeira canção do repertório foi A Hard Day’s Night, também do grupo britânico.

Entre as pessoas que estavam assistindo o show do britânico, estavam Meryl Streep, Nancy Shevell (esposa do músico), Jon Bon Jovi, Steve Buscemi, Amy Schumer, Jimmy Fallon e até mesmo Sean Lennon, filho de John Lennon. Além disso, também estavam alguns fãs que tiveram a sorte de conseguir uma entrada.

Entre clássicos dos Beatles e seu próprio trabalho solo, Paul mostrou que, assim como o álbum Egypt Station, ele é capaz de emocionar e inovar. Em um dos pontos mais chamativos do show surpresa, o cantor usa um megafone para cantar My Valentine. Em seu twitter, o artista contou que inicialmente a ideia era ter um piano de acompanhamento, como sempre fez em shows anteriores, ideia esta que o diretor do show achou melhor trocar pelo uso do curioso instrumento.

Outro momento marcante do show é durante a apresentação da música Blackbird, quando ele sai do palco onde estava e caminha pelo público. Ali, no meio das pessoas, em um pequeno palco, Paul se cerca de fãs e, utilizando apenas seu violão, cria um momento mais intimista.

 

Mais McCartney

Uma semana após o lançamento de seu novo álbum, o Spotify lançou uma playlist com versões exclusivas de músicas de McCartney, gravadas em um show que o músico realizou no lendário Abbey Road Studios, no Reino Unido. A lista conta com grandes clássicos da época dos Beatles e alguns de seus sucessos mais recentes, como Fuh You e Come On To Me, presentes em seu novo álbum.

Para as gravações, cerca de 150 fãs do ex-Beatles foram convidados. Vindo de todos os cantos do mundo, os público também incluía alguns amigos próximos como Amy Schumer, Johnny Depp, Kylie Minogue e Orlando Bloom.


Bruna Curi

bruna curi

tem 20 anos, é estudante de Jornalismo, mineira, capricorniana e blogueira nas horas vagas. apaixonada por Livros, Filmes e Séries. gosta de escrever, é uma de suas maiores paixões.

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