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O apelo social de “Halloween Kills: O Terror Continua”

[tempo de leitura: 2 minutos]

Embora diante de um texto um pouco fraco, “Halloween Kills: O Terror Continua” não economiza e acaba sendo um divertido desfecho.


ÉÉ interessante que Halloween Kills: O Terror Continua, mais recente longa da franquia dirigido por David Gordon Green, existe como uma sequência pro Halloween de 2018 e para o filme original de 1978. Há um resgate de personagens do primeiro filme e, em certo sentido, uma reciclagem de ideias de vários filmes da franquia até então (as fantasias de Halloween 3, o olhar para a origem do Michael Myers, o questionamento da imortalidade/do sobrenatural naquele corpo humano), sendo um longa que funciona bem — especialmente pela forma como Gordon Green encontra sequencias de horror divertidas e chocantes no meio desta estrutura.

Mesmo que praticamente todos os novos e também os reintroduzidos sejam descartáveis, servindo apenas como vítimas no caminho de Myers, o diretor consegue dar alguma função temática pra eles. A ideia de resgatar os personagens do original de 78 dá certo porque adiciona um tema de discurso social pro longa: a cacofonia de tempos de crise e cisão que funcionam para alimentar um sistema social falho infestado por pessoas que acreditam ser possível buscar a vingança com as próprias mãos. Um retrato até bem direto dos “EUA Trumpista” (e porque não, do Brasil bolsonarista).

É até curioso que essa ideia seja trabalhada ao reverter a lógica para que o Myers seja caçado durante Halloween Kills: O Terror Continua. E é também bem curioso que o protagonista praticamente só invada e mate pessoas minorizadas (o casal de negros na simplicidade da própria casa ou o casal de gays que vive na antiga residência do assassino). Por outro lado, os personagens que representam “o branco de classe média dos EUA” (white working class) entoa os cânticos e se torna favorável as ações justamente pelo ideal de integridade no rebanho e na violência. Uma verdadeira milícia que só faltou a roupa da KKK.

No fim das contas, mesmo que ache o texto um pouco fraco e algumas escolhas meio inúteis de narrativa, o Gordon Green encontra um jeito uma solução interessante para decupar e enquadrar a posição ameaçadora do Michael Myers, além da admiração dele pelo mal. Tem uma certa homenagem na forma de emular a direção como algo do John Carpenter (um movimento muito natural pra franquia), mas com um apelo ao gore e à violência mais expressivo e mórbido.

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É ai que entra a maior virtude do filme. Halloween Kills: O Terror Continua não economiza em nada: é gore, é violento, é uma obra de carnificina que, mesmo com suas falhas, segue dando sequência a franquia pro vindouro desfecho.

joão dicker

com 24 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha com Assessoria de Imprensa e Mídias Sociais. é o Editor de Conteúdo da ZINT. Segue um estudo e exercício constante como Crítico de Cinema, mantendo sua paixão pela Sétima Arte.

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