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De volta a Arendelle

[tempo de leitura: 4 minutos]

“Frozen 2” estreia com uma história mais adulta, em um filme mais obscuro e uma jornada ainda mais desafiadora para suas protagonistas.


JJá faz alguns anos desde que a Walt Disney Animation começou a mudar a prerrogativa de que as Princesas, para serem salvas, precisavam do beijo do amor verdadeiro de um Príncipe. Embora o beijo continue firme e forte, o conceito foi ampliado para histórias em que a forma de carinho não precisa vir só de homens, mas de qualquer membro familiar. E Frozen: Uma Aventura Congelante (2013) é a prova viva disso.

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As irmãs Anna e Elsa

Quando chegou aos cinemas, em 2013, a animação musical da Disney rapidamente se consolidou como um estrondoso sucesso, em uma bilheteria que ultrapassou a casa do US$ 1 bilhão. Atualmente como a segunda animação mais lucrativa da história, Frozen colocou duas mulheres a frente da história, dando-lhes independência e fazendo desnecessário o uso de um homem para salvá-las. Ao final do filme, o beijo de amor verdadeiro vem de Elsa (Idina Menzel), que salva sua irmã, Anna (Kristen Bell), do congelamento.

Em 2019, as duas retornam para mais um longa, dando continuidade a narrativa do Reino de Arendelle. Em Frozen 2, três anos após a coroação de Elsa, a película dá as boas vindas ao outono com uma festa de solstício. Durante a celebração, Elsa começa a ouvir uma voz chamando-a, ao mesmo tempo em que seu reino encontra-se mais uma vez em perigo. Tentando descobrir a origem da voz e salvar Arendelle, Elsa, Anna, Olaf (Josh Gad), Kristoff (Jonathan Groff) e Sven partem em uma nova aventura, agora na Floresta Encantada das histórias de ninar que as duas irmãs ouviam de sua mãe.

Frozen 2 é uma dessas raras ocasiões em que a sequência mantem-se consistente em relação ao seu filme original. Embora o novo capítulo do conto talvez não seja tão memorável quanto o primeiro, a história continua apostando (corretamente) na ideia da força que o amor entre irmãs tem e que, mesmo com a presença de Kristoff, por exemplo, elas não precisam que um homem exerça o papel de salvador.

Com quase duas horas de duração, o longa demora um pouco para engatar em seu ritmo, trazendo um início que pode parecer um pouco longo demais. Mas é ao adentrar a aventura da vez que o filme logo acha o caminho, prendendo o telespectador e levando-o à uma jornada para descobrir a misteriosa voz e o que ela representa. E é através desta jornada que a película faz interessantes escolhas afim de forçar o público a criar algumas teorias e certas expectativas de resolução, afim de despista-lo.

Mais sombrio que o original, Frozen 2 carrega uma atmosfera bastante adulta e, sobretudo, misteriosa, com florestas cobertas por névoa, um mar furioso e grutas isoladas, escuras e úmidas. É uma escolha curiosa, uma vez que lembramos que supostamente deveríamos estar no outono, e não no inverno – ainda que muito marcado pelo laranja, a fotografia encaixaria melhor no clima gélido do capítulo anterior.

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Sven, Olaf, Kristoff, Elsa e Anna

No que tange a construção de personagens, podemos ver que, mesmo após Uma Aventura Congelante, Elsa ainda possui receios em incluir sua irmã em seus planos, o que a leva a carregar o peso do mundo nas contas e sentir-se no dever de se sacrificar por todos. Anna, por outro lado, é uma aventureira de coração e determinada a estar sempre ao lado de sua irmã, por mais perigoso que a viagem possa ser. Essa diferença acaba criando certa disparidade entre as duas e colocando-as diante de uma outra visão da dinâmica entre irmãos: as constante brigas.

Mas por mais que Elsa e Anna se encontrem neste momento mais adulto de suas vidas, o longa tenta amenizar o peso das coisas com piadas, magia e animais fofos – como Bruni, a salamandra. O principal responsável dessa amenização é o boneco de neve Olaf, que continua roubando as cenas com seu humor inocente e a dublagem de Fábio Porchat que brinca um pouco com algumas referências brasileiras. Mas o fã #1 do verão não está sozinho nessa empreitada, ganhando reforços de Kristoff, que tenta, constantemente sem sucesso, pedir a mão de Anna – uma outra dinâmica de destaque.

Por fim, é claro, não podemos esquecer da trilha sonora, parte fundamental da franquia. Se Frozen: Uma Aventura Congelante tinha Livre Estou (ou Let It Go, no inglês) para marcar sua trilha sonora, Frozen 2 tem a bela e poderosa Minha Intuição (Into the Unknown) – ambas com vocais da jovem cantora norueguesa AURORA. Mas também vale citação a emocionante e arrepiante faixa Vem Mostrar (Show Yourself), música cantada em um momento crucial da narrativa do novo filme, quando Elsa desvenda o mistério da voz e se depara com uma revelação que mudará sua vida e a de sua irmã para sempre.

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Se Frozen 2 é ou não tão bom quanto Frozen: Uma Aventura Congelante, fica a critério de quem assistir. Mas uma coisa é certa: nesta cativante jornada de auto-descobertas, os personagens não falham em emocionar e divertir. E com a força que a franquia representa (o filme já é a quarta animação mais lucrativa da história, em apenas um mês em cartaz), não é difícil imaginar a revisitação deste universo como um terceiro capítulo – talvez na estação favorita de Olaf?

Vics

vics

tem 24 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas, com um MBA em Comunicação e Marketing. gerencia a revista e, ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta.

ao todo, já assistiu um total de 18 meses em Séries, cinco meses em Filmes e em uma década foram cerca de 25 meses em reprodução de Música.

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