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“Dancing With The Devil”: A arte de recomeçar leve e consciente

[tempo de leitura: 5 minutos]

Em “Dancing with the Devil”, tanto no álbum quanto no documentário homônimo, Demi Lovato mostra seu renascimento artístico e pessoal.


OO ano era 2018 e uma notícia surpreendeu o mundo no final de julho: Demi Lovato foi internada após sofrer uma overdose”. Foi um susto, uma mistura de emoções; angústia para uns, decepção para outros e o que parecia ser a última chance de Demetria Devonne Lovato.

Corta para 2021. Após ter os planos de seu retorno musical interrompidos no ano passado e os tabloides como ponte entre ela e o público, a artista nos surpreende de novo. Desta vez, ao escolher o documentário Dancing With The Devil e o álbum Dancing With The Devil: The Art Of Starting Over para contar os acontecimentos dos últimos dois anos, pela voz e olhar de quem sentiu na pele e tem muito para compartilhar.

Popularmente conhecida como Demi Lovato, suas letras e canções são marcadas pela carga emocional e a vivência com seus traumas em relação ao corpo, humor, relações afetivas e amorosas. Tudo isso potencializado pelos holofotes e a mídia desde 2002, quando começou a carreira ainda criança.

Agora, mais do que pelas notas altas, a artista se faz presente e toma o protagonismo da sua trajetória, seja para fazer as próprias escolhas ou se permitir um respiro necessário em meio a tantos desafios. Essa é a arte de recomeçar, para ela e para nós.

 

THE ART OF STARTING OVER

Demi Lovato não costuma economizar na profundidade quando o assunto são os seus trabalhos e na nova era não é diferente. Autenticidade e honestidade são as palavras de ordem dos atuais materiais e norteiam a narrativa dela, que, metaforicamente, já dançou com o diabo e está no caminho para se encontrar.

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A cantora já tinha adiantado que, ao ouvir todas as faixas do álbum Dancing With The Devil: The Art Of Starting Over, iríamos perceber a trilha sonora não autorizada do documentário disponível no Youtube em quatro episódios e não foi exagero.

Intimista e coerente com a trajetória a partir de 2018, o álbum serve como um guia emotivo que não apenas registra, mas incorpora as experiências de Demi com leveza e a consciência essencial para os próximos passos.

Em paralelo, o documentário tem o papel de base para esclarecer as movimentações, desde a overdose até o fim do noivado, e trazer os depoimentos de pessoas próximas que ultrapassam apenas as revelações da mídia.

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Sensibilidade. Essa é a maior riqueza da nova fase pessoal e profissional da artista, cheia de símbolos e detalhes importantes. Desde o corte de cabelo curto, que expõe mais o seu corpo e subverte o padrão estético comum feminino, e a imagem da borboleta em relação ao renascimento, vemos a esperança e identificação tomar conta. Isso vai além de prêmios apenas.

 

RENOVAÇÃO

 Se você espera ver um pouco da Demi Lovato sensual e “confiante” de 2015, abusando das roupas coladas, pode parar por aqui. O momento pede mais e ela, sem limitações e corajosa, entrega.

Esse era um momento muito esperado pelos fãs e a própria artista: o famoso retorno ao universo musical. Depois da espera de quase quatro anos desde o último álbum lançado, Tell Me You Love Me (2017), a expectativa era grande para como e o que a jovem artista, criada em Dallas, Texas, tinha para contar ao mundo.

O documentário tem um tom reflexivo e profundo que vai moldando a narrativa a cada episódio. Passeamos por uma linha do tempo em que exploramos, por exemplo, o momento da overdose e seus efeitos, os traumas sexuais e amorosos, até chegar a casa nova de Demi que reflete toda sua personalidade.

Ao fim do quarto e último episódio, percebemos uma mulher mais confortável com o que é, mais decidida para com suas escolhas e, sobretudo, aberta às vivências com a família e amigos. Se antes o refúgio eram as substâncias, agora parecem ser todos esses aspectos que tocam a liberdade, inclusive das cobranças da fama.

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Terminamos assim aliviados em ver que Demetria finalmente está se encontrando enquanto pessoa. Por outro lado, fica a dúvida de quão forte e firme ela está para continuar nesse caminho cada vez mais. Mas calma, isso são cenas dos próximos capítulos.

 

CRIATIVIDADE

Dancing With The Devil: The Art Of Starting Over começa pesado e nos faz lembrar da emocionante apresentação no Grammy 2020. Anyone e outras duas faixas formam a introdução do álbum, em um tom parecido ao do documentário, embalado em extensões vocais e letras fortes que não deixam escapar a personalidade artística de Lovato.

Eu perguntei se alguém poderia me ouvir, enquanto dançava com o diabo. E por causa disso, eu estava cega, mas agora eu vejo. Deixe-me te levar a uma jornada que tira a pele do meu passado e personifica a pessoa que sou hoje. Esta é a arte de recomeçar.”

Após a Intro, em que somos oficialmente convidados a experimentar a construção sonora, o clima muda e, apesar dos temas difíceis, a leveza, criatividade e sinceridade assumem posição de destaque.

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Os bolos falsos no aniversário com a antiga equipe, os 15 minutos de fama do antigo noivo, a sensação de estar sozinha, vários são os pontos colocados que, até aqui, foram sinônimos de dor, mas agora tornam-se ponte para o fortalecimento. É a potência de enfrentar os medos e dores com coragem, ditando os passos da dança, seja ela com quem for.

SUCESSO
Demi Lovato conquistou a melhor posição na parada de álbuns da Billboard desde 2015. Dancing With The Devil: The Art Of Starting Over estreou em segundo lugar, atrás de Justice, álbum de Justin Bieber que retornou ao primeiro lugar. Ainda, o álbum novo pegou a vice-liderança da parada britânica, ficando atrás apenas de “W.L.”, lançamento da banda escocesa The Snuts.

O álbum termina em um bom lugar, literalmente (na faixa Good Place), e nos comprova a reinvenção de Demi Lovato que, como as borboletas, se transformou e saiu ainda maior. Dancing With The Devil: The Art Of Starting Over comprova a sensibilidade da artista em fazer arte e nos faz acreditar no recomeço. Na dúvida, olhamos para os pulsos e lembramos: “Permaneça forte”.

mike faria

Conectado com a potência das narrativas e a sensibilidade social encontrou no Jornalismo o melhor lugar para se expressar, junto a prática de natação nas horas vagas e as distopias para lidar com a realidade.

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