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Crítica: “Venom”

Crítica: “Venom”

  • Crítica

É inegável que com o desenvolvimento do gênero de super heróis nas duas últimas décadas, alguns personagens acabaram ganhando adaptações para as telas de cinema que não condizem com o peso que possuem nos quadrinhos. Quando apareceu pela primeira vez em Homem-Aranha 3 (2007), o Venom deixou a sensação de que poderia retornar as telonas em uma oportunidade que lhe desse a devida notoriedade que possui como um dos maiores vilões do teioso.

Depois de mais três filmes do herói que não trabalharam com o antagonista, chegou a vez do simbionte ganhar sua chance como estrela de um longa-metragem que, em sua campanha promocional, se vendia como um refresco para os filmes de heróis. O triste é que na contra-mão de Deadpool (2016), Logan (2017), Guardiões da Galáxia (2014) e Thor: Ragnarok (2017), filmes que fogem do senso comum do gênero apresentando particularidades marcantes, Venom (2018) perde seu potencial devido a um roteiro bagunçado e a uma direção sem personalidade.

Por se tratar de uma versão que trabalha com o personagem como um anti-herói, somos apresentados a um Eddie Brock (Tom Hardy) falho, porém mais virtuoso que o vivido por Topher Grace em Homem-Aranha 3. Desta vez, Brock é um jornalista investigativo que, na tentativa de trazer a tona os podres da Life Foundation, instituição de pesquisas científicas e tecnológicas eticamente duvidosas, acaba perdendo tudo aquilo que havia construído de mais prazeroso. Já no primeiro ato o roteiro falho estabelece as bases para todo o longa: diálogos clichês vazios e cheios de frases de efeito que acabam transformando o filme em uma aberração de tom. Os poucos momentos em que o humor funciona são destinados a dinâmica de dupla entre Brock e o próprio simbionte, mas que acabam ofuscados pelas pífias tentativas de adicionar qualquer drama a narrativa, seja nos riscos que o protagonista corre em sua vida pessoal ou no péssimo senso de perigo que o longa falha em construir.

Dentro da aberração de tom que Venom tem, torna-se claro que os atores tentam tirar o melhor de um roteiro fraco. Riz Ahmed até tenta trazer personalidade para o vilão tosco e datado, vislumbrado com as possibilidades científicas que o desconhecido traz, mas as falas com que é obrigado a trabalhar são tão esdrúxulas que o ator parece ter assumido a galhofa de seu personagem. Michelle Williams é desperdiçada como interesse amoroso de Eddie Brock, principalmente graças a uma construção de relacionamento apressada e por uma falta de química romântica entre ela e Hardy. Conhecido por se entregar de corpo e alma em suas interpretações, Tom Hardy consegue dar mais fôlego a um filme sem ritmo narrativo graças ao seu carisma e a tentativa de dar profundidade aos dilemas de Eddie, especialmente no que diz respeito as reações que o personagem tem frente as ações do parasita que está hospedando.

A bagunça narrativa de Venom é elevada a outra potência nas sequências de ação. Ruben Fleischer não repete a inventividade na direção do bem humorado e hilário Zumbilândia (2009), deixando que o filme do simbionte sofra de problemas de montagem e de percepção nos momentos mais importantes da ação. O clímax é uma grande sequência espalhafatosa de dois monstros se batendo freneticamente, fazendo com que o espectador se perca nos acontecimentos e não se envolva devidamente. Falta personalidade para trabalhar com as possibilidades visuais e estéticas de um personagem marcante dos quadrinhos, que pelo menos tem um visual interessante e imponente. Méritos para a equipe de direção de arte e design de produção.

De forma trágica, as duas cenas após os créditos são mais impactantes e provocantes do que qualquer sequência do longa em si, deixando a triste e agridoce sensação de que a melhor parte de Venom é, justamente, quando o filme acaba. Mesmo que com um trabalho esforçado de Tom Hardy na atuação e de uma tentativa de dar fôlego a um possível universo paralelo às histórias do Homem-Aranha, a falta de personalidade do longa e, principalmente, do roteiro fraco, tornam Venom um filme que, assim como o hospedeiro de um parasita, está fadado ao fracasso.

joão dicker

com 22 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha na A Dupla Informação, especializada em assessoria de imprensa e produção de conteúdo em Cultura, Arquitetura, Gastronomia, Design e Criatividade. é o Editor de Conteúdo da ZINT e escreve, majoritariamente, sobre Cinema (sua paixão ao lado de Futebol e Gastronomia).

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