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Crítica: “Nasce Uma Estrela”

Crítica: “Nasce Uma Estrela”

Estrelado por Bradley Cooper e Lady Gaga, “Nasce Uma Estrela” discute os desafios e consequências da fama, em uma quarta versão da imortalizada história.


“Talento todos têm. A diferença está em quem tem algo a dizer”. Assim explica Jackson Maine, o personagem de Bradley Cooper, ao definir o que determina uma estrela. Ao lado de Lady Gaga, que dá vida a personagem principal Ally, os dois formam o casal principal do filme Nasce Uma Estrela, um longa impactante, intenso e cheio de reflexões, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (11/10). A produção vem de uma história já consagrada no cinema. A primeira versão estreou em 1937, com Janet Gaynor, como protagonista, a segunda em 1954, com Judy Garland como Ally, a terceira em 1976, com Barbra Streisand no papel principal, e agora, a adaptação de 2018. Este quarto remake da obra marca as estreias de Gaga como protagonista de um longa-metragem e de Bradley Cooper na posição de diretor.

Certamente, os momentos mais empolgantes se fazem presentes nos palcos, durante os duetos e canções, onde tem contato com a fama em sua forma mais aparente e atraente. Principalmente para Ally, uma artista em ascensão que vê na parceria com Maine uma possibilidade de também impulsionar sua carreira como cantora. Aliado a uma trilha sonora bem construída coerente com a proposta do filme, impulsionada pela voz inconfundível de Gaga, as músicas se revelam como a matéria-prima do longa: ricas e excitantes. Com certeza, constituem o ponto forte que vão fazer o público cantar depois de sair da sala de cinema.

O roteiro consegue sustentar um drama emocionante e propõe uma investida desafiadora que traz para os telões a discussão sobre os desafios e perigos da fama, e ainda, as perdas provocadas pelo universo do estrelato, resultantes de decisões que passam pela vida pessoal e ainda, amorosa. Assistimos, ao mesmo tempo, um artista que em decadência que encontra no alcoolismo o escape para lidar com as frustrações e com a sensação de incompletude diante a vida, mas também o crescimento profissional de sua parceira, uma cantora que encontra no sucesso repentino várias alternativas e a realização de um sonho desconhecido até mesmo por si própria.

Apoiado nos limites de uma história já contada, Bradley impressiona ao apostar em uma profundidade emocional singular, apresentada por meio da relação entre o casal protagonista, que dá o tom e conduz o observador durante todo o filme. Ele acerta ao combinar os efeitos de luz com a sensação dos momentos retratados, sejam eles os shows explosivos ou apresentações intimistas na casa de show de Drag Queens, local onde os dois se conhecem e que carrega uma carga dramática marcante.

Além da estrela que nasce no filme, vemos emergir dois artistas que impressionam e nos deixam esperançosos para o que ainda podem contribuir dentro da indústria cinematográfica, seja na direção ou atuação. Lady Gaga mostra uma Ally forte e determinada, que tem de lidar com a cobrança e o ritmo da vida espetacularizada dos holofotes e paparazzi, enquanto Bradley Cooper assume também os rumos da história nos bastidores. Apesar disso, parecemos ter a sensação que a passagem do tempo poderia ter sido explorada de uma melhor forma, acompanhando os acontecimentos e o desenrolar das ações.

Mesmo não sendo totalmente original por seguir uma história já contada, o longa consegue surpreender e se firmar como a nova adaptação que traz para a atualidade questionamentos sobre a vida pessoal, profissional e amorosa iluminada pela fama. Uma proposta adequada aos costumes contemporâneos em que a popularidade é cada vez mais desejada e incentivada na vida do indivíduo, ainda mais quando este sai do anonimato e conquista a imprensa, premiações, e finalmente, o reconhecimento dos outros. Dessa forma, a próxima edição do Oscar promete, afinal, Nasce Uma Estrela está pronto para conquistar a todos e se firmar como um dos mais bem-sucedidos remakes dos últimos tempos.

mike faria

aspirante a Jornalista, 20 anos, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar.

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