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A sátira caótica e fraca de “Não Olhe Para Cima”

[tempo de leitura: 2 minutos]

“Não Olhe Para Cima” não dá conta de organizar o caos do mundo contemporâneo e acaba como uma fraca sátira social.


Faz muito sentido que Adam McKay e Netflix tenham se juntado em Não Olhe Para Cima. Enquanto o cineasta passou a ser conhecido por seus filmes que agradam a ala progressista de Hollywood (A Grande Aposta e Vice), a gigante do streaming segue gozando de uma falsa posição de outsider na indústria – mesmo que ela mesma seja um dos maiores players da cena contemporânea.

Não Olhe Para Cima atesta esse encontro e as duas posições porque tem um encontro de elenco estrelar que só é possível dentro do suposto filme de prestígio, ao mesmo tempo em que tenta se debruçar no estilo de McKay para fazer um filme socialmente relevante (algo que a Netflix certamente têm se interessado). É fácil constatar que este filme repete a proposta de satirizar alguns grupos de poder, como os trabalhos antecessores do diretor fizeram com a elite financeira de Wall Street e a cúpula política de Washington, mas falta a Não Olhe Para Cima uma coesão capaz de dar conta de tudo o que o filme quer fazer.

Em outras palavras, existe um esforço grande de Adam McKay para capturar a cacofonia social contemporânea e abordar diversos temas presentes na sociedade ocidental (a exposição midiática e o efeito enganoso dessa dinâmica na sociedade; a guinada do mundo para governos e políticas autoritárias; a legitimação de ideologias reacionárias, etc), mas em meio a todo o caos que é apresentado falta a consistência necessária para não tornar Não Olhe Para Cima raso e óbvio.

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É verdade que o filme tem sim bons momentos (a primeira uma hora ou quase, são bem fluidas e envolventes), ótimas atuações e uma caricatura bem precisa da nossa condição espalhafatosa como sociedade do espetáculo (especialmente dos absurdos que tem sido legitimados nas últimas décadas), mas falta mesmo a potência crítica de um discurso mais maduro ou a urgência de um filme apocalíptico que é lançado justamente após o espectador ter sobrevivido ao fim do mundo (a pandemia do COVID-19).

Em certo sentido, o desordenamento de ideias e acontecimentos lembram Dr.Fantástico (1964) de Stanley Kubrick, mas essa comparação até bem natural só serve para atestar negativamente a Não Olhe Para Cima. Existe um motivo pelo qual Kubrick consegue articular uma crítica caótica, engraçada e pungente em seu filme e há também uma justificativa pelo qual McKay dá vida a um filme que opera na lógica do meme “acho que a esquerda vai gostar”.

com 24 anos, é formado em Jornalismo pela PUC Minas e trabalha com Assessoria de Imprensa e Mídias Sociais. é o Editor de Conteúdo da ZINT. Segue um estudo e exercício constante como Crítico de Cinema, mantendo sua paixão pela Sétima Arte.

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