Os 50 anos do álbum que revolucionou uma rua e a forma de ouví-la

Os 50 Anos Do álbum Que Revolucionou Uma Rua E A Forma De Ouví-la
[tempo de leitura: 8 minutos]

O álbum que consagrou a Abbey Road para além de apenas uma rua comemora os 50 anos, desde o seu lançamento, como um marco da revolução não armada do quarteto na cultura mundial.


Seja pelas construções melódicas inovadoras, as letras bem colocadas, as roupas fora do comum, ou os cortes de cabelo inconfundíveis, o fato é que os The Beatles foram e continuam sendo referências quando o assunto é inovação e símbolo em projeção mundial. O grupo britânico ultrapassou a indústria musical e revolucionou a moda, o comportamento e o discurso, trazendo a paz e o amor em uma época em que a guerra estava presente para ditar também o ritmo.

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Uma prova disso é o disco Abbey Road, que completa neste ano 50 anos do seu lançamento, sendo o último álbum gravado pelo grupo, entre fevereiro e agosto de 1969. Publicado pela primeira vez em 26 de setembro do mesmo ano, Abbey Road foi o disco final produzido pelos The Beatles, mas não o último a ser lançado. Let It Be, embora gravado em janeiro de 1969 foi finalmente divulgado em maio de 1970, juntamente com o filme de mesmo nome.

Certamente, a genialidade e o grande cuidado com o trabalho que caracterizaram a trajetória do grupo alcançou além das músicas. Carros, pessoas andando, ônibus apressados, pássaros sossegados, em 69 o ritmo mudou em uma das avenidas mais famosas de Londres, a Abbey Road, trajeto ao qual eles passaram 10 anos indo e vindo para gravar seus discos na Apple Records. Ganhava vida na capa do disco ao ser imortalizada oficialmente na história da banda, deixando claro para o público, um pedaço do caminho que eles ainda não tinham contado e aquele disco iria explorar.

O 12º CD de estúdio encerrou a carreira dos quatro integrantes enquanto grupo agradando os fãs e ao mesmo tempo, deixando um gosto de quero mais àqueles que, esperançosos, ficavam com a sensação que os The Beatles tinham muito ainda a contribuir no cenário musical, principalmente. Porém, é interessante que John Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison pensaram bem até nesse momento, pois tiveram a honestidade de não se levar pela fama e saber parar quando o clima já não era favorável e o relacionamento agradável.

 

Impacto Social

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Fato é que seria muito difícil entender os anos 1960 não fosse os The Beatles com suas canções, letras e influência. O quarteto democratizou a juventude, trazendo para os jovens, em especial britânicos, um novo sentido baseado em independência, liberdade e harmonia. As cores tomaram conta do figurino da banda, deixando para trás o preto e branco dos ternos alinhados, enquanto a moda foi invadida pelas tendências do colorido. Novas perspectivas passaram a ser consideradas e a tomar conta do imaginário coletivo, para além dos muros das fábricas e do conservadorismo.

O último disco gravado pelos garotos de Liverpool em 1969 reflete por que eles são uma revolução na indústria musical, promoveram o movimento de contracultura nas letras e vocais, causando histeria principalmente entre as fãs adolescentes. Inovaram também ao usar o estúdio como instrumento e não apenas o local de gravação, incorporado de forma experimental no arranjo e batidas das canções, aspectos que comprovam sua relevância, complexidade e espaços conquistados.

No auge da década de 60, inspirados pelo movimento de contracultura, temáticas como a experiência com drogas psicodélicas e a liberdade nos relacionamentos sexuais e amorosos ganharam um discurso consistente nas letras e no estilo que fugiam do convencional, criticando, muitas vezes, o padrão musical estabelecido pela cultura de massa. Apoiados também no movimento hippie, mostraram haver múltiplos caminhos e formas de expressão da cultura, e não apenas a única colocada como dominante pelo capitalismo.

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Além disso, mostraram que contracultura também era cultura, uma maneira de viver e relacionar com seu meio, como forma de confrontar e contrariar os padrões elitistas da sociedade. As letras ganhavam agora um tom de protesto, como também aconteceu com o rock, atingindo um novo nível artístico e social.

 

Montagem e Conquistas

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A parceria entre Johh Lennon e Paul Mccartney, em especial, além de Ringo e George, formou uma sintonia que ultrapassou os palcos e revela a harmonia que conquistou gerações e ditou tendências na música, na moda e, sobretudo, na sociedade da época em que se desenvolveram. Porém, nos últimos tempos antes de encerrarem seus trabalhos juntos, período que compreende a montagem do Abbey Road, o clima não era tão tranquilo entre os quatro, marcado por problemas como brigas, ciúmes, disputa de espaços e drogas, fatores que não os impediram de produzir um material específico e objetivo, deixando os holofotes com essa sensação.

O “lado A” do álbum foi criado segundo as vontades de Lennon, composto de músicas independentes entre si, cada uma com força particular específica, enriquecida pela personalidade de seus compositores, pois cada integrante tem pelo menos uma música neste lado. Para abrir, Lennon apostou em uma de suas canções mais consistentes, Come Together, e para fechar, a escolha foi a mais diferente, I Want You She’s So Heavy.

O “lado B” é a parte mais grandiosa de Abbey Road, por uma ideia de McCartney, co-executada por George Martin. A proposta era juntar músicas inacabadas criadas por ele e Lennon em um enorme pout-pourri, uma investida ousada que logo revelou uma das grandes criações de Paul dentro dos The Beatles. Ao ouvir percebemos uma construção que surpreende por ser adequada e envolvente.

Também foi neste trabalho que George Harrison se estabeleceu como um compositor forte e preparado. Após anos em uma espécie de segundo plano, atrás de Lennon e McCartney, ele finalmente emplacou dois grandes sucessos com este álbum, Here Comes the Sun e Something. Ambas foram regravadas incessantemente ao longo dos anos, sendo que a última chegou a ser apontada como a segunda música mais interpretada no mundo, atrás somente de Yesterday.

ROCK MUNDIAL
O álbum conta com mais de 90 mil cópias vendidas em todo o mundo e é um dos mais icônicos do rock mundial, sendo que depois dele, Led Zeppelin, Black Sabbath, Pink Floyd e tantos outros grupos surgiram de vez na música. Além disso, ele está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock And Roll Hall Of Fame, tendo como técnico de som Alan Parsons.

O grupo influenciou os artistas posteriores com sua relação descontraída e próxima da imprensa, haja vista suas entrevistas sinceras, autênticas e sempre com o teor de humor característico dos quatro jovens de cabelo esquisito que mudaram o mundo.

Você sabia? Este disco foi marcado pelo uso de novos recursos tecnológicos que estavam surgindo na época. Um deles foi o sintetizador Moog, que começava a ser utilizado em maior escala dentro do rock. Ele possibilitava que virtualmente qualquer som fosse gerado eletronicamente. O dispositivo pode ser notado claramente em músicas como Here Comes the Sune “Because”. Por seu trabalho em Abbey Road, os engenheiros de som Geoff Emerick e Phillip McDonald ganharam o Grammy.

Houve uma separação oficial entre os The Beatles, com assinaturas de contratos paralelos pelos integrantes. As gravações do álbum Abbey Road chegaram a ser suspensas no mês de maio de 1969 por causa disso e os The Beatles quase acabaram ali mesmo. O grupo retornou às sessões um mês e meio depois, mas nunca mais seria o mesmo.

Um álbum reconhecido pela despedida de umas das maiores bandas da história da música, se não a maior em termos gerais, continua atual. Quando ouvimos todas as 17 faixas, a sensação é de que os recursos utilizados permanecem muito modernos em meio a evolução da indústria fonográfica. Um material que deixou saudade e legado para nenhum fã, admirador ou profissional da música botar defeito, aliás o disco seguiu sua trajetória de sucesso mesmo com o quarteto separado.

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Era o fim de uma união transformadora e radical no mundo da música, mas o jeito de se produzir, ouvir e se relacionar com esta ultrapassou as relações dos garotos de Liverpool. Afinal, mais do que enquadrar a Abbey Road, os The Beatles a lançaram para o mundo e os ouvidos deste!


Sucessos que nunca ficam velhos (Reprodução: Portal Terra)

Lado A

Come together

A música que abre Abbey Road é uma das marcas registradas de John Lennon. A inspiração veio de uma canção de Chuck Berry, da qual John copiou inclusive parte de um verso. No entanto, o arranjo dos The Beatles é mais arrastado, onde o baixo se sobressai, com toques marcantes de guitarra. Anos depois, Lennon admitiu a “influência” e foi levado à Justiça, mas a ação acabou em um acordo.

 

Something

A famosa balada de George Harrison é o ponto alto do primeiro lado do disco. Ela representou a maturidade de George como compositor. Something foi regravada por Frank Sinatra, que a considerava uma das grandes canções de amor da segunda metade do século 20. Já Michael Jackson, que nos anos 80 comprou os direitos das músicas Lennon/McCartney, confidenciou a Harrison que gostaria de ter a balada em seu catálogo.

 

Oh! Darling

Esta canção de Paul é mais uma brincadeira ao estilo dos anos 50 do que uma composição a ser levada a sério. Toda a banda parece se divertir, e a qualidade dos The Beatles como músicos fizeram de Oh! Darling um número famoso. Para poder realizar o vocal gritado e rasgado que caracteriza a música, McCartney realizava apenas uma gravação dela por dia, no início da manhã, para que sua voz tivesse a força necessária.

 

Lado B

Here Comes the Sun

Este é um grande sucesso de George Harrison, regravado inúmeras vezes ao longo dos anos. O clima cheio de otimismo desta música tem uma explicação: ela foi composta no jardim da casa de Eric Clapton, em um dia que Harrison tirou para descansar dos problemas vividos na gravadora Apple. Na letra, o “longo e frio inverno” representa a empresa. Aqui pode se notar a presença forte do sintetizador Moog, muito usado em Abbey Road.


E os números não deixam mentir…

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Em apenas quatro meses, Abbey Road vendeu mais de 4 milhões de unidades, sendo o álbum de maior sucesso dos The Beatles em sua carreira até hoje. No Reino Unido, ele foi direto para o primeiro lugar das paradas, ficando por 11 semanas seguidas no número um até cair para a segunda colocação em favor do disco Let it Bleed dos Rolling Stones na segunda semana de dezembro. Porém, na semana seguinte, do Natal, Abbey Road retornou ao número um por mais seis semanas, totalizando, assim, 17 semanas em primeiro lugar. Sua queda definitiva se deu para o disco Led Zeppelin II.

Nos EUA, o álbum ficou 12 semanas em primeiro lugar do ranking da revista Billboard, transformando-se no álbum mais vendido de 1969 e o quarto mais vendido de 1970. Segundo a rede CNN, Abbey Road foi o disco de vinil mais vendido de 2011.

PRIMEIRA VEZ
Pela primeira vez em um álbum dos The Beatles, a capa não continha nem o nome do grupo nem o título do álbum, apenas a foto icônica tirada na passagem de pedestres, perto da entrada dos estúdios em Londres, em agosto de 1969.

O adolescente da época, com os The Beatles, não necessariamente seguia os passos do pai, usando o mesmo uniforme e trabalhando na mesma fábrica. Agora os jovens ganhavam seu próprio dinheiro e queriam gastar este, passando a ter sua própria moda e comportamento.

Ainda, em meio à ascensão do rock americano, os quatro alcançaram o sucesso principalmente por escrever as próprias músicas, uma inovação grande na época, que surpreendeu muita gente. A partir daí, as bandas começaram a também escrever ou tentar compor as próprias músicas.

#1
Abbey Road entrou na parada de álbuns britânica no número 1 em outubro e ficou lá por um total de dezessete de suas 81 semanas no gráfico. Nos Estados Unidos, passou onze semanas em primeiro lugar durante o período inicial de 83 semanas.

PLAYLIST

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mike faria

aspirante a Jornalista, apaixonado pela liberdade da escrita e poder da leitura. praticante de natação nas horas vagas, encontrou na Cultura o melhor lugar para se expressar.

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