Alma e versatilidade em “You”

Alma E Versatilidade Em “You”
[tempo de leitura: 4 minutos]

Novo álbum de James Arthur mescla singles clássicos, ao passo que explora de outros gêneros.


OO terceiro álbum de James Arthur, You, é um pouco diferente de seus trabalhos anteriores. O cantor britânico se aventura em alguns estilos musicais diferentes, variando das baladas que o consagraram. Do rap ao soul music,  Arthur reúne em 17 faixas uma viagem por diversos sentimentos e histórias.

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Capa do álbum

A primeira música, que dá nome ao álbum, traz uma mensagem importante: não deixe de ser quem você é. You une o pop ao rap de Travis Barker para lembrar ao ouvinte que não há nada de errado em sermos nós mesmos. A canção lembra ainda que, em um mundo de mentiras, devemos sempre evoluir e seguir nosso caminho, mantendo nossa identidade. Inclusive, ainda nessa reflexão, a versão física do álbum vem com um espelho na capa, refletindo a imagem de quem o olha.

A coletânea conta também com faixas que exaltam a capacidade vocal de James Arthur. Em Marine Parade, que resgata o soul music, o cantor mostra a versatilidade de sua voz e a habilidade para explorar estilos musicais. Finally Feel Good também apresenta influências do soul, mas em uma roupagem mais moderna e associada a batida do pop, que parece funcionar bem para o cantor.  From Me To You I Hate Everybody é sobre odiar todos ao redor, em um mundo de mentiras, e querer sair desse ambiente tóxico – novamente misturando o soul com o pop.

Há ainda canções em que James se reinventa. Em If We Can Get Through This We Can Get Through Anything, o artista mescla rap e pop em uma letra ousada sobre um romance que enfrenta problemas, mas que ainda tem esperanças. A sensualidade da voz do cantor é bem aproveitada e explorada. Outra canção em que o rap marca presença é Treehouse, parceria com Ty Dolla $ign e Shotty Horroh. A canção também apresenta uma reflexão importante, lembrando que todos precisam de um lugar para descansar e se esconder as vezes, e que ninguém consegue segurar o peso do mundo o tempo todo.

No entanto, é claro que You não deixa de fora as clássicas baladas e canções emotivas de fora. Car’s Outside é um exemplo de que a essência de James Arthur ainda está intacta, na letra profunda e melodia viciante que despertam a vontade de amar. Também é preciso destacar a saudosista Quite Miss Home, que fala sobre a saudade de casa e a sensação de vazio fora dela, totalmente tocada no piano. Essa faixa é tão profunda e a letra possui tantos detalhes que parece ser a experiência pessoal do cantor.

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Falling Like The Stars é uma balada que desperta o coração dos apaixonados e a tristeza dos corações partidos, marca registrada do artista. Maybe também pode entrar nesse grupo de músicas amorosas, talvez sendo a mais bela, e com a melodia mais profunda: é sobre encontrar um amor verdadeiro e querer passar o resto da vida com ele.

Homicide Love também é um exemplo de balada mais voltada ao pop que explora a capacidade vocal de James, mas vai na direção oposta das baladas românticas. Trata-se de uma história triste sobre um relacionamento que já não é mais saudável.

Na calma e revigorante Breathe, são muitas as semelhanças com as músicas de Michael Bublé. A forma de cantar, a melodia e a letra se assemelham bastante ao estilo do cantor canadense, se aproximando do easy listening, fácil e gostosa de ouvir. Sad Eyes também é calma, mas com a melodia mais robusta, em uma declaração de amor com a promessa de que a tristeza vai acabar e que tudo vai ficar bem.

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Unconditionally, parceria com Adam Lazzara, também é uma canção mais intimista e chama a atenção pela reflexão dos sentimentos nos vocais de James. A música segue as emoções do artista, tendo seu pico e alcance de tom mais alto no refrão, quando o cantor indaga: “Por que é tão difícil de ver? / Apenas me ame incondicionalmente“. Fall também é intimista, refletindo a luta do cantor contra o vício e a ansiedade, mostrando que James ainda enfrenta as dificuldades desses empecilhos com o trecho “Às vezes ainda quero cair“.

E, claro, não podemos esquecer dos singles: Naked e Empty Space, que estouraram ao longo desse ano. Naked, que foi até mesmo trilha sonora de novelas brasileiras, aborda um amor em que o ego e o medo são empecilhos, diante dos quais James Arthur se entrega, “nu”, sem medo de amar. A faixa merece o destaque que teve, refletindo toda a essência do cantor.

Empty Space é a negação da saudade de alguém e a procura por conforto em outras pessoas. A faixa, mesmo com a batida mais animada, reflete sentimentos profundos e a sensação de estar perdido após uma separação. Apesar da negação ao longo da música, o refrão entrega “Só você pode preencher esse espaço vazio”.

O britânico tem um grande diferencial, marcado por sua voz rouca e única, que o destacou na indústria musical e o fez ganhar o The X Factor, em 2012. Por vezes, seu nome já é automaticamente associado a músicas tristes, ao piano e ao jazz. Em You, o cantor revela – ou comprova – que sua capacidade ultrapassa as clássicas baladas e se estende muito além da visão simplista de que é um cantor de baladas. James Arthur é, de fato, um artista, que consegue se aventurar por novos estilos e direções. E o resultado é You, unindo sua versatilidade e alma.


PLAYLIST

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Sylvia Amorim

sylvia amorim

estudante de Jornalismo, ariana e apaixonada por Séries. ama escrever e é viciada em Rock e histórias de amor.

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