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O renovado looping temporal de “Palm Springs”

[tempo de leitura: 3 minutos]

Em “Palm Springs”, Hulu acerta em sua nova produção e traz um frescor para os clichês das comédias românticas no cinema.


PPalm Springs é a mais nova aposta da Hulu para os amantes de uma boa comédia romântica. A obra é o primeiro longa-metragem de ficção do diretor Max Barbakow e a temática abordada não é nada nova. Na verdade, ela já foi trabalhada repetidas vezes em produções ao longo dos anos, mas, mesmo assim, Barbakow consegue trazer um frescor para um tema tão saturado.

No enredo, Nyles (Andy Samberg) é um jovem comum que está em Palm Springs para o casamento da melhor amiga de sua namorada. Durante a festa ele acaba se envolvendo com Sarah (Cristin Milioti), a irmã da noiva, mas tudo muda quando os dois são atacados por um homem misterioso. Durante o ataque eles são separados, mas Sarah o segue e sem saber, acaba se intrometendo em um problema de Nyles e fica presa em um loop temporal.

Em definições muito simples, um loop temporal é quando alguma pessoa fica presa no tempo e começa a viver o mesmo momento várias vezes, todos os dias. No âmbito cinematográfico, normalmente o personagem precisa de uma redenção para se provar justo e merecedor para conquistar o direito de sair daquela situação. Muitas vezes esse loop é visto como um limbo ou purgatório, conceitos esses que são satirizados no filme.

A proposta de Palm Springs não é promover um debate ou reflexão sobre como ou porque esse looping acontece, mas sim buscar entender e desenvolver as relações entre os protagonistas e suas reações perante a eles mesmos e um ao outro. É muito interessante perceber as diferenças na forma como os dois lidam com o problema e observar que essas diferenças estão diretamente ligadas com a personalidade de cada um, causando uma catarse no final do filme.

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A produção não se leva tão a sério, constantemente zombando com a triste realidade dos protagonistas – o que, talvez seja o ponto mais alto da narrativa. O fato de que os personagens abraçam a situação em que estão e simplesmente tentam viver ao máximo já vai contra as premissas de várias outras obras e traz um frescor não só para esse tema, mas também para os clichês das comédias românticas.

A escolha do elenco de Palm Springs  também é outro grande acerto da plataforma. Andy Samberg e Cristin Milioti apresentam uma ótima química em cena e parecem estar bem confortáveis em seus papéis. A comédia é certeira e ambos criam muito bem um equilíbrio entre o teor cômico e cenas que pedem um pouco mais de seriedade, profundidade e uma certa melancolia de seus personagens.

Nyles e Sarah funcionam muito bem em todos os quesitos, sejam como amigos, namorados ou dupla dinâmica, e isso faz com que o enredo ganhe uma carga dramática maior e uma credibilidade por parte do público.

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Sobretudo, essa boa energia dos atores, a energia divertida e o carisma de Palm Springs fazem toda a diferença, criando situações absurdas causadas pelos protagonistas que se relacionam de certa forma com os dias repetidos que o público está vivendo durante a quarentena. Temos um divertido filme para fugir da mesmice do dia a dia e, porque não, da saturação do gênero.

Laísa Santos

laísa santos

Cineasta, Fotógrafa e pseudo Cozinheira. apaixonada por queijo quente, fotos preto e branca e claro, Tim Burton. fazendo arte em Los Angeles desde 2019.

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