O legado de Mac Miller

O Legado De Mac Miller
[tempo de leitura: 8 minutos]

O setembro amarelo foi triste para os fãs de Mac Miller. O rapper, que havia acabado de lançar um álbum falando sobre os recentes últimos meses de sua vida e estava se preparando para um turnê, faleceu na sexta-feira (7) de uma suposta overdose.

O artista foi encontrado morto ao meio-dia em sua residência após uma ligação de emergência vinda de sua própria casa em San Fernando Valley, nos Estados Unidos. Miller morreu de ataque cardíaco decorrente de uma overdose. Segundo o áudio gravado e divulgado pelo TMZ, a ligação era um pedido de resgate para um caso de parada cardíaca. Não se sabe quais substâncias o cantor usou, mas o exame toxicológico sai entre quatro e seis semanas após a data do falecimento.

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Ainda segundo o TMZ, amigos estiveram na casa do rapper na noite anterior, para uma festa, deixando o local na madrugada. Suspeita-se que um dos amigos de Miller realizou a ligação. O rapper nunca escondeu dos fãs sua luta, há anos, contra o abuso de drogas, com suas produções musicais contemplando o tema – a mixtape de 2014, Faces, autobiográfica, revela a relação do artista com as drogas.

 

Linha do Tempo

O capriconiano Malcolm James McCormick, conhecido artisticamente como Mac Miller, nasceu no dia 19 de janeiro de 1992 em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos. Desde criança apresentava vocação para a música – no clipe de Best Day Ever é possível ver vídeos da infância de Mac onde ele canta, dança e rima. Filho de Karen Meyers, fotógrafa e judia, e Mark McCormick, arquiteto e cristão, Miller foi criado judeu, teve um Bar Mitzvah e devido sua religião se descrevia como “o rapper judeu mais legal”.

Iniciando aulas de piano aos 6 anos, Mac Miller era um músico autodidata, tocando piano, guitarra, bateria e baixo. Durante o ensino médio, aos 14 anos, começou a produzir seus próprios conteúdos e a se dedicar ao estilo hip hop, se identificando e levando a seguir carreira no gênero. Com 15 anos, sob o pseudônimo EZ Mac, ele lançou a mixtape But My Mackin’ Ain’t Easy (2007) e How High, em 2008, ao lado do grupo de rap The III Spoken. Logo depois, vieram mais duas mixtape, The Jukebox: Prelude to Class Clown e The High Life, além de um lugar, em 2009, entre os finalistas da Rhyme Calisthenics, a competição do MC no Shadow Lounge.

Em 2010 assinou com a Rostrum Records, uma gravadora independente de Pittsburgh, sua cidade natal. Em 2011 veio o seu quinto projeto, agora sob o selo da gravadora: a mixtape Best Day Ever trouxe singles como Donald Trump, Wear My Hat All Around the World. No mesmo ano, anunciou o título de seu primeiro álbum de estúdio, Blue Slide Park, em seu canal no YouTube. Lançado em novembro do mesmo ano, a coletânea estreou no topo da Billboard 200, vendendo na primeira semana 144.000 cópias, sendo a primeira estreia distribuída de forma independente a ocupar o primeiro lugar na parada, desde o lançamento de Dogg Food, do grupo Tha Dogg Pound, em 1995.

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Miller lançou sua própria gravadora, a REMember Music, e seu segundo álbum de estúdio, Watching Movies with the Sound Off, em 2013, desfazendo seu contrato com a Rostrum Records em 2014. Em outubro do mesmo ano, o rapper entrou para o catálogo da Warner Bros. Records, passando a atuar como produtor de discos com o pseudônimo Larry Fisherman.

Larry também é o pseudônimo que Miller adota para o projeto You, um EP exclusivo lançado no iTunes. No projeto, asinado como Larry Lovestein & The Velvet Revival, aposta no jazz, gênero musical presente na mixtape Faces.

Em trabalhos mais recentes, como o disco Swimming, o artista mostra uma nova configuração na forma de produzir. Com uma maturação em suas produções, tanto na parte musical quanto em suas letras, as músicas revelam uma nova fase nas produções musicais de Miller, vista de forma positiva pela crítica e pelos fãs.

 

Faces

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Faces é a maior produção musical em peso numérico de Mac Miller, com um total de 24 faixas. A décima mixtape solo do artista é também a última a ser lançada. Lançada gratuitamente, o projeto foi lançado de forma independente e online no Dia das Mães, 11 de maio de 2014, sendo um marco na carreira de Miller ao expor e explorar a luta do rapper contra o abuso de drogas. A coletânea é a continuação do seu segundo álbum de estúdio, Watching Movies with the Sound Off, sendo considerada por muitos fãs como o melhor trabalho do artista.

Classificado como o 18º melhor álbum de rap de 2014, pela revista Rolling Stone, o disco tem uma exploração sombria, íntima e reveladora da luta de Miller com a toxicodependência, abordada através de temas de psicose, vício e mortalidade. Aqui, o rapper deixa um pouco o trap e o rap de lado para realizar uma produção mais voltado para o jazz, criando instrumentais psicodélicos. Faces inclui várias palavras faladas e amostras de filmes que foram intercaladas ao longo do álbum, assim como um relacionamento de longo prazo que o rapper teve com uma mulher que conheceu no ensino médio e que durou quatro anos, até abril de 2013.

 

O vício

Mac Miller disse que se tornou toxicodependente com uma combinação de prometazina e codeína em uma bebida. A chamada Purple Drank é um exemplo dessa mistura, que visa associar a codeína com anti-histamínico, como a prometazina, um antialérgico. A codeína, um opioide, é derivado da morfina e causa efeito de euforia em altas doses. Além disso, os opioides estão entre as drogas que mais causam dependência tendo em visto os fenômenos de abstinência que a droga causa, como contrações musculares, náuseas, mal-estar, cólicas intestinais e até crises convulsivas.

O problema de associá-la a prometazina é o aumento da toxicidade da mistura, podendo causar reações no corpo como dificuldade respiratória, sonolência, vômitos, vertigens e alucinações, além da toxicidade proporcionar uma forte dependência química. Miller relatou que começou a usar a Purple Drank quando passava a enfrentava um estresse durante sua turnê Macadelic em 2012. Em janeiro de 2013, Mac fez um relato estranho a revista masculina Complex, assustando muitos fãs:

“Eu amo a Purple Drank, é ótima. Eu não estava feliz e agora estou. Eu estava ferrado e o sempre era ruim. Meus amigos nem conseguiram olhar para mim da mesma forma. Eu estava perdido.”.

Na época do vício de Miller, seu amigo de infância, Jimmy Murton, disse:

“Eu o vi com essa mentalidade, que estava ferrado porque sentia que precisa daquilo. Ele estava tentando ficar longe de tudo enquanto ele estava bebendo (Purple Drank), é inacreditável que ele parou de beber. É definitivamente uma das coisas mais impressionantes que ele já fez”.

O artista deixou de tomar a mistura em novembro de 2012, antes de começar a filmar seu reality show Mac Miller and the Most Dope Family.

 

Pelos olhos de Craig Jenkins

Poucos dias antes de falecer, Mac Miller deu sua última entrevista para a revista Vulture, em agosto. Para poder trazer um pouco da personalidade, vida e sentimentos do rapper, o crítico de música Craig Jenkins fez um perfil do artista chamado O perfeccionista Mac Miller está finalmente fazendo a música que ele sempre quis fazer. O jornalismo literário produzido pelo crítico, após dois longos dias de conversa, revela um lado exigente, lírico, pessoal e intenso de Mac Miller, que segundo o crítico, é uma pessoa detalhista, paciente, modesta, humana e, principalmente, perfeccionista.

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Ao caminharem durante uma tarde nublada após uma tempestade nas ruas de Nova York, Mac ainda pensava sobre a apresentação que tinha feito no dia anterior, ponderava sobre seu desempenho, se analisava e imaginava o que poderia ter mudado e feito melhor. Por mais que a crítica tivesse o elogiado, Miller ainda pensava em como poderia melhorar:

“Eu tenho uma mania, meio que penso sobre coisas e continuo cozinhando isso por um tempo. Eu vou acordar e apenas sentar aqui e pensar sobre isso por horas”.

 

Comoções

Alguns amigos próximos, colegas de trabalho e admiradores se comoveram com a morte inesperada de Mac Miller aos 26 anos de idade. Segue algumas das declarações feitas pelas redes sociais.

 

“Desde a primeira vez que ouvi falar dele, ele foi gentil, inteligente e perspicaz. Mac lidou com mais, e ele lutou de volta com mais força. Eu me relaciono e sempre me convenço de que outras pessoas que me parecem ter passado por dificuldades como ansiedade e depressão são construídas para durar. Eu caio limpo e duro quando as coisas acabam de forma diferente. Sou grato por Mac Miller, o compositor, cuja música sempre me fez sentir como se eu tivesse um espírito afim no mundo em busca de significado, e por Malcolm McCormick a pessoa, que me convidou para sua vida e sempre teve tempo para conversar, mesmo quando milhões de outras pessoas queriam sua atenção. Se você quer honrar sua memória, trabalhe em seus sonhos e ouça seus sentimentos. Seja uma força que une as pessoas. Procure e incentive a grandeza. Arrisque em pessoas que merecem uma pausa. Deixe rumores infundados sozinhos. Malcolm era hilário e genuinamente empenhado em brilhar amor e luz sobre qualquer um que precisasse. Eu queria que o universo desse mais de volta

– Partes do depoimento de Craig Jenkins sobre a última
entrevista que Mac Miller concedeu para a imprensa e seu falecimento.

 

“Eu não sei o que dizer. Mac Miller me levou para a segunda turnê da minha vida. Mas além de me ajudar a lançar a minha carreira, ele era um dos caras mais doces que eu já conheci. Um grande homem. Eu o amava de verdade. Eu estou completamente destruído. Deus o abençoe. Isso é muito doido porque o Earl (Sweatshirt) me ligou hoje de manhã e ele e o Vince (Staples) são amigos de verdade que eu conheci por causa do Mac. Essa m*rda doi demais; se você ama alguém faça questão de dizer isso a eles”

– O rapper Chance The Rapper,
amigo íntimo de Miller escreveu em seu Twitter.

 

“Nós íamos para o Ohanas semana que vem. Eu ia vir nesse final de semana, nós íamos gravar nosso clipe na semana que vem. Nós tínhamos que terminar nossa série preferida. Não, não, não, não. Você fez a tatuagem de saturno depois que eu fiz seu mapa astral. Isso é demais. Isso está de cabeça para baixo. NÃO. EU VOU SENTIR TANTA SAUDADE. EU TE AMO CARA. O MELHOR DE TODOS.”

 Kehlani (cantora).

 

“Meu Deus. Você era uma pessoa tão incrível. Você mudou tantas vidas. Tinha tanto amor no seu coração. Você inspirou durante o colegial e eu não estaria onde estou hoje sem você. Nunca existiu alguém tão bondoso, sincero e lindo como você. Eu te amo, Mac”

– Post Malone (rapper).

 

“Mac, eu te amo! Você foi uma grande inspiração enquanto eu crescia. Obrigado pelas incontáveis horas divertidas ouvindo suas músicas com os meus amigos! Isso me deixa confuso. Você fará muita falta e será sempre lembrado”

– Logic (rapper).

 

“Muito triste. Mac Miller era um cara incrível. Quando eu comecei a minha carreira ele se esforçou para falar comigo no telefone e me dar conselhos. Um incrível artista e ser humano.”

– Lil Dicky (rapper).

 

“Eu te amei desde o dia em que te conheci quando eu tinha dezenove anos e eu sempre vou te amar. Eu não posso acreditar que você não está mais aqui. Eu realmente não consigo envolver minha cabeça nisso. Nós conversamos sobre isso, tantas vezes. Estou tão brava, estou tão triste, não sei o que fazer. Você era meu amigo mais querido, por tanto tempo, acima de qualquer outra coisa. Me desculpe, eu não pude consertar ou tirar sua dor. Eu realmente queria. A alma mais gentil e doce com demônios que ele nunca mereceu. Eu espero que você esteja bem agora. descansar.”

Ariana Grande (cantora e ex-namorada).

 

Herança

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A fortuna do rapper foi destinada, segundo o testamento que ele fez em 2013, para seus pais. Mark e Karen McCormack são nomeados como beneficiários, enquanto seu advogado David Byrnes é nomeado como o administrador. O site menciona que há a possibilidade de vários beneficiários, mas os pais de Miller receberão a maior parcela.

O irmão do rapper, chamado Miller, também é nomeado administrador do estado no caso de Byrnes não cumprir sua obrigação. O total da fortuna do cantor não foi revelada.

A morte do rapper foi divulgada por Mark e Karen em um comunicado para a mídia.

“Malcolm McCormick, conhecido e adorado pelos fãs como Mac Miller, faleceu tragicamente com 26 anos de idade. Ele era uma luz brilhante neste mundo para sua família, amigos e fãs. obrigado por suas orações.”


giovana silvestri

tem 18 anos. escorpiana viciada café e amante de gatos. estuda jornalismo na Unesp e escreve muito desde que se entende por gente. tem um jeito doce mas gosta de boteco e de cerveja de garrafa. escuta mais MPB e pagode do que a voz da razão.

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