Mulheres Que Matam

Mulheres Que Matam
[tempo de leitura: 7 minutos]

“Why Women Kill” é uma divertida série estrelada por três mulheres, em uma história que busca entender o que leva uma mulher a cometer assassinato.


Nota do Colab: este texto contém leves spoilers.

 

– É uma pergunta simples, sendo sincera.

– Por que uma mulher mataria?

– E quem ela mataria?

– O homem que a traiu?

– A outra mulher?

– Talvez um amigo? Culpado de traição.

– Para ter a resposta, você precisa ouvir a história da mulher.

– Descobrir os segredos dela.

– Só então você poderá entender as escolhas que ela fez.

– Você talvez a condene.

– Você talvez a perdoe.

– Você talvez ache que teria feito a mesma coisa.

– Mas para a mulher que mata… só uma pergunta realmente importa.

– Ela se safa disso?

 

AA premissa é simples. Três mulheres, três épocas diferentes, três casamentos na beira do colapso. Why Women Kill conta histórias tão antigas quanto o tempo. Mas é com interessantes reviravoltas que a série toma forma, na expectativa de desvendar para os telespectadores o que leva uma mulher (ou três, no caso) a cometer assassinato.

 

Conhecendo as Mulheres

A produção da CBS All Access, serviço de streaming da CBS, vai e vem no tempo para apresentar ao público o seu trio de protagonistas. Criado pelo responsável de Desperate Housewives, ao longo de 10 episódios a produção conta as histórias de cada uma delas, enquanto o público tenta desvendar porque as mulheres matam e se elas se safam disso.

 

Beth Ann

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Ginnifer Goodwin como Beth Ann

Ginnifer Goodwin, a Branca de Neve de Once Upon a Time, é Beth Ann, uma mulher dos anos 60. A sua história começa em 1963 quando, ao lado de seu marido, Robert (Sam Jaeger), ela se muda para uma bela mini-mansão no subúrbio de Pasadena, na Califórnia (EUA).

Assim como inúmeras mulheres de sua época, Beth Ann é devota às necessidades de seu marido, tendo abdicado de seus sonhos em prol da ascensão pessoal e profissional de seu cônjuge. A personagem de Ginnifer é a “dona de casa perfeita”: durante o dia, ela arruma o lar, faz compras e cozinha, e a noite, ela está de banho tomado, a espera de seu marido com um martini às mãos e o jantar servido, pronta para ouvir sobre o tedioso dia de trabalho de sua cara-metade.

A dinâmica da vida de Beth Ann muda quando ela descobre que seu marido está traindo-a com uma jovem garçonete. Acreditando que o problema nasceu com ela, Beth Ann entra em uma jornada para salvar o seu casamento – no processo, ela aprenderá que há mais no mundo do que os olhos encontram.

 

Simone

A segunda protagonista é Simone, interpretada por Lucy Liu. Em 1983, ela vive na mesma mini-mansão que Beth Ann, junto com seu marido Karl (Jack Davenport). Simone é o ápice do que uma mulher rica dos anos 80 pode ser: fofoqueira, com sua casa muito bem decorada e um estilo de vida exuberante e de aparências, sendo o motivo de inveja de todo mundo que lhe rodeia.

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Lucy Liu como Simone

A vida de Simone começa a ir ladeira abaixo quando ela descobre que seu marido está traindo-a. Mas, pior que isso, ele a está traindo com outro homem! É a partir daí que Simone fará de tudo para esconder esses affairs dos amigos, assim como o próprio romance com o vizinho Tommy (Leo Howard): um jovem garoto de 18 anos que ela viu crescer.

 

Taylor

Kirby Howell-Baptiste é a nossa terceira protagonista, Taylor. Em 2019, ela é uma importante advogada que está reformando a sua mini-mansão de Pasadena junto ao marido, Eli (Reid Scott). Como um casal de seu tempo, eles tem um relacionamento aberto de muitos anos, cuja única regra é não se aproximar de seus amantes nem se apaixonar por eles.

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Kirby Howell-Baptiste como Taylor

Tudo muda quando Taylor dá abrigo para um de seus casos, Jade (Alexandra Daddario), após a jovem garota ter uma tensa e preocupante briga com o namorado. O casal então torna-se um trisal, sem ninguém perceber que logo mais a nova dinâmica trará problemas para todos os envolvidos.

 

Entendo as Mulheres

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Poster individual de Beth Ann

Ao longo de sua jornada, Why Women Kill disseca a vida de seus personagens para o telespectador. Entendemos a fundo o que move cada um e os segredos que giram em torno dessas histórias. Nada é tão simples quanto parece e há segredos dentro de segredos. Mas, enquanto alguns arcos triunfam, outros caem no esquecimento.

Embora Lucy Liu seja o nome de maior peso do elenco, é Ginnifer quem rouba a cena. Sua personagem é complexa, cheia de nuances e camadas. Beth Ann caminha na beira da sanidade e da “insanidade”, tomando certas decisões que, embora cômicas, possam parecer a de uma mulher que está a um passo do colapso.

Beth Ann é a que mais cresce e se modifica no curso dos episódios. A protagonista começa jovem e inocente, ferida pela sua história pessoal e tentando, a todo custo, viver o casamento perfeito que sempre sonhou. Mas, direta ou indiretamente, ela é corrompida pela traição do marido, e responde da melhor forma que pode nas situações que lhe são apresentadas. Ao fim de Why Women Kill, seu caminho é turbulento e cheio de mágoas, mas a sua solução para seus problemas é um tanto genial e muito bem bolado.

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Ginnifer Goodwin e Sam Jaeger

Logo em seguida está Simone. Sua personagem não é tão complexa quanto Beth Ann, mas sua história é igualmente cheia de camadas. A traição do marido toca em um ponto mais profundo do que ela esperava, assim como as consequências desse segredo. Eventualmente, Simone se vê agindo de uma forma completamente inesperada. Se no começo tudo que lhe importava eram as aparências, ao final ela não poderia ligar menos.

Taylor é a que mais sofre e seu arco é um tanto tedioso, mesmo com uma reviravolta de grande potencial. Todo o desenvolvimento de sua história é previsível e seus personagens não conseguem vender o que se propõem, especialmente no que tange a personagem de Alexandra Daddario, com um atuação forçada que beira o caricato. No final, nenhum dos personagens parece ter crescido muito e a resolução ganha apenas uma palmadinha nas costas.

 

Acompanhando as Histórias

Embora Why Women Kill comece um pouco devagar ou “com potencial, mas muito caricato”, como apontam os críticos, a série vai prendendo seus telespectadores no desenrolar. E além de suas histórias, a produção triunfa em outras duas vertentes: seu constante humor e as quebras de expectativa. Mais uma vez, é Ginnifer e Liu que entregam personagens memoráveis e o seu próprio tipo de humor.

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Lucy Liu e Jack Davenport

Beth Ann é uma mulher que parece extremamente inocente e sem vontade própria, mas possui um gênio sem igual. Ela é engenhosa e sabe muito bem usar a sua cara de tapada para o próprio benefício, o que a coloca em situações cômicas e absurdas, como fingir um câncer e se tornar a melhor amiga da amante de seu marido. E, para somar a tudo isso, os carões de Ginnifer são certeiros com cada uma das situações. Pelo jeito, mulheres também matam de risos.

O humor de Liu se encaixa mais com a sua personagem. A ego de Simone é a sua fonte de graça: tudo gira em torno dela e tudo tem que ser sobre ela. Sua voz estridente em momentos de choque ou desespero são uma camada a mais, assim como a sua capacidade natural de não perder a oportunidade de um shade e responder sempre com frases certeiras (“Você acha que eu sou uma prostituta? Pelo amor de Deus, eu estou usando Yves Saint Laurent!“). E, para completar o seu look, Karl é o perfeito acessório para todo esse humor, e a cada episódio um dos pontos mais altos da série é a dinâmica de bate-rebate entre o casal.

E por falar em ponto alto, uma das cenas mais memoráveis de Why Women Kill é o episódio final, quando chegamos aos finalmente das três histórias. Após passar 10 episódios indo e voltando no tempo, a produção resolve reunir os três desfechos em um único espaço (a mini-mansão de Pasadena), como se eles estivem acontecendo simultaneamente – tudo dramatizado com um extenso slow motion. É de tirar o fôlego e elevar os nervos.

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Kirby Howell-Baptiste, Reid Scott e Alexandra Daddario

Ao final, Why Women Kill mostra que as mulheres matam por diferentes motivos. Algumas matam por vingança, outras por amor. Algumas matam por compaixão, algumas por obsessão, ou também por ciúmes. Há aquelas que matam por liberdade, e as que matam por auto-defesa. Mulheres matam pelos mais diversos motivos.

vics

tem 24 anos e é formado em Jornalismo pela PUC Minas, com um MBA em Comunicação e Marketing. é o Diretor de Arte da revista, sendo o responsável pela criação da identidade visual da zine. ainda, escreve matérias sempre que tem uma boa pauta.

ao todo, já assistiu o correspondente a 13 meses em Séries, três meses em Filmes e em 2017 foram dois meses em reprodução de Música.

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