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Uma teia de narrativas

[tempo de leitura: 6 minutos]

Em sua segunda temporada, “The Umbrella Academy” revela uma dinâmica de histórias variadas mantendo o mesmo enredo central da primeira.


Nota da Colab: este texto contém spoilers.

 

NNão importa a década ou o século, a família Hargreeves está sempre tentando – não necessariamente conseguindo – impedir o fim do mundo. Seja em 2019, em 1989 ou até mesmo nos anos 60, os integrantes do The Umbrella Academy sabem que precisam salvar a humanidade. Mas, enquanto isso não acontece, enfrentam os seus conflitos internos e problemas familiares, que se entrelaçam revelando um jogo de narrativas surpreendente.

A segunda temporada de The Umbrella Academy (2019–) estreou conquistando imediatamente o público por, além de manter as histórias de cada personagem muito bem entrelaçadas com a narrativa central, continuar apresentando elementos surpresas e mistérios. Parecia que a primeira temporada tinha esgotado todos os clímax e reviravoltas, mas a segunda revelou que não.

 

Ano II

A nova trama começa a partir do final da anterior: o número Cinco (Aidan Gallagher) salva os seus irmãos, Luther (Tom Hopper), Diego (David Castañeda), Allison (Emmy Raver-Lampman), Klaus (Robert Sheehan), Ben (Justin H. Min) e Vanya (Ellen Page), do fim do mundo ao teletransportar todos no tempo.

Mas há dois grandes problemas: cada irmão caí em um zona de tempo dos anos 60 em Dallas, Texas. O Cinco é o último a chegar na linha do tempo e se depara novamente com outro fim do mundo. Assim, a Umbrella Academy tem, novamente, aproximadamente uma semana para salvar a todos do apocalipse.

Mantendo o mesmo enredo da primeira temporada, com o personagem Cinco como fio condutor da trama principal, o segundo ano apresentou mais aprofundamento nas narrativas individuais de cada personagem, não caindo na monotonia. The Umbrella Academy ainda precisa se reunir e impedir o apocalipse, mas a história se renova com as mudanças nas narrativas paralelas de cada um.

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Klaus, Ben, Cinco, Vanya, Luther. Diego e Allison, respectivamente

Enquanto a primeira temporada foi mais lenta não à toa, afim de apresentar a história de cada um dos personagens, a segunda renova as narrativas com mais rapidez no desenvolver da trama. Os arcos de cada um eles é mais desenvolvidos nesta segunda parte, e até mesmo do pai das crianças, Reginald Hargreeves (Colm Feore) e Ben, o irmão falecido, ganham espaço nessa teia.

 

Um ao Sete

Começando pelo primeiro, Luther, o número 1, que continua querendo aprovação de uma figura mais velha e com um ar paterno. Mesmo sendo o mais forte fisicamente, o número 1 é, por dentro, a pessoa mais sensível e vulnerável dos sete irmãos. Diferente da primeira temporada, o arco deste personagem se desconecta do pai e principalmente da sua missão de ser o líder da trupe. Desta vez, Luther não se importa mais com a posição de líder, e sua narrativa se desenvolve com a máfia dos anos 60.

Diego, o número 02, mantem a sua vontade de ser o herói solitário, como se fosse um Batman na versão “piorada” (comentário realizado por Cinco no começo da segunda temporada). O número 2, mesmo conseguindo arremessar qualquer coisa para o lugar que deseja, acabou parando em um manicômio justamente por querer impedir, heroicamente, a futura morte do presidente Kennedy. Por outro lado, o personagem não mantém as brigas regulares com o seu irmão, Luther, como acontecia na primeira temporada.

Allison, a número 03, desenvolve uma história mais profunda. Ao se deparar com o racismo intenso dos anos 60, ela se envolve com o ativismo da época, se casa com um dos militantes e, detalhe importante, nunca usa o seu poder de convencer qualquer pessoa a fazer o que ela deseja. O detalhe é bastante diferente da narrativa da primeira temporada, em que a personagem conseguia tudo o que desejava em sua vida por meio de seu poder.

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Klaus muda quase que por completo. O número 04 tem o falecido irmão, Ben, como seu fiel companheiro, já que o seu poder é se relacionar com os mortos. Diferente da primeira temporada em que Klaus permanece dopado a maior parte do tempo, na nova temporada ele fica sóbrio por anos e desenvolve uma espécie de culto espiritual. Já Ben, o falecido número 06, ganha mais espaço na segunda temporada e até se apaixona na trama.

Por fim, Vanya, a número 07, ao chegar nos anos 60 é atropelada e esquece completamente tudo o que viveu até ali, não sabendo nem o seu próprio nome. Ela é resgatada pela mulher que a atropelou e vive em uma fazendo no interior de Dallas, Texas, como babá de uma garoto, Harlan (Justin Paul Kelly), que aparenta portar autismo.

 

Número 5

Os irmãos vivem as suas vidas fora de sua linha do tempo original (o ano de 2019) e precisam se adaptar à nova realidade sozinhos, sem saber o paradeiro de seus irmãos e acreditando que eles ou faleceram ou vão aparecer, por milagre, em algum momento. Mas os anos se passam para cada um até que o personagem de Aidan Gallagher aparece.

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O Número 5, ao perceber que o fim do mundo acontece novamente, mas nos anos 60, decide voltar no tempo, assim como fez na primeira temporada, para encontrar todos e impedir que o apocalipse aconteça. Só que, desta vez, ao encontrar os irmãos tão diferentes e mantendo objetivos tão distintos, fica cada vez mais difícil reunir a família Hargreeves – como se antes já não fosse fácil.

Assim, mesmo que The Umbrella Academy permaneça com a trama central idêntica, a produção consegue não cair na monotonia. Com novas narrativas, o arco central da série entrelaça os acontecimentos históricos, como a Guerra Fria e o assassinato do presidente Kennedy, com cada uma das vidas dos personagens.

 

Produção Técnica

Paralelo à reunião dos Hargreeves, os mistérios de The Umbrella Academy continuam com algumas respostas vagas. Sem mencionar que a nova temporada supera a segunda em questão de trilha sonora. Desta vez, os produtores não economizaram na diversidade de músicas como para plano de fundo para as lutas e explosões.

Ao assistir a segunda temporada é possível desfrutar de Frank Sinatra (My Way), Kiss (I Was Made For Lovin’ You) e até da boyband The Backstreet Boys (Everybody). Assim, as cenas ficam sincronizadas com as músicas, lembrando muito o que é feito em Baby Driver (2017).

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Além da parte estética musical, há o cenário e a paleta de cores. Quando os personagens estão na década de 60, a fotografia passa a ser voltada aos tons pastéis; já quando estão nos anos 2.000, a saturação muda para tons mais pesados e o cenário fica até mais escuro.

 

Mistérios Revelados?

Com o novo ano de The Umbrella Academy, teorias sobre quem é realmente pai das crianças, o Reginald, aumentou, já que a trama apresenta mais sobre a narrativa do personagem, revelando que ele não é apenas um milionário excêntrico que quis adotar sete crianças especiais. Além disso, a aparição de Pogo (Adam Godley) filhote e a apresentação de Grace (Jordan Claire Robbins), humana desta vez, recheiam o jogo de narrativas construído nesta temporada, o que também instiga novas perguntas aos telespectadores e até sutis respostas acompanham as histórias. Com um ritmo mais rápido e mantendo os elementos surpresas, os episódios passam tão rápido que não parece que têm de 45 minutos a 1h de duração.

A segunda temporada de The Umbrella Academy estreia apresentando mais reviravoltas, mistérios e novidades do que a primeira. Ao manter a mesma técnica narrativa e sem perder os elementos surpresas, a produção da Netflix desenvolve uma teia de narrativas bem entrelaçadas, renovando as histórias paralelas e assegurando a escolha do fio condutor repetido.

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Por fim, além de Reginald, Grace e Pogo ganharem mais espaço na história, o personagem Ben entra e desenvolve mais sua narrativa até o último episódio, o que provoca mais uma ponta solta para ser respondida na próxima season. Nesta segunda temporada, será que os integrantes do The Umbrella Academy conseguem se reunir de novo e impedem o fim do mundo? Se fosse apenas esse o problema deles, seria fácil de resolver. Ao entregar um final repleto de elementos inesperados, a série promete uma terceira temporada que responda as pontas soltas das narrativas que, desta vez, não estão mais centradas no apocalipse.

Giovana Silvestri

giovana silvestri

tem 18 anos. escorpiana viciada café e amante de gatos. estuda jornalismo na Unesp e escreve muito desde que se entende por gente. tem um jeito doce mas gosta de boteco e de cerveja de garrafa. escuta mais MPB e pagode do que a voz da razão.

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