The hype in Lebron James is real

The Hype In Lebron James Is Real
[tempo de leitura: 5 minutos]

“The Shop” é um talk-show criado e protagonizado por Lebron James, que evidencia o carisma e engajamento político-social do astro do basquete.


QQuando LeBron Raymonde James Sr. ainda nem imaginava o tamanho que teria para o mundo, ele frequentava barbearias em Akron, Ohio, sua cidade natal. Localizada no interior do modesto estado no centro-oeste americano, o pequeno Lebron ali ouvia, segundo ele mesmo, os adultos conversando sobre esportes, roupas, política e música, dentre outros tópicos. Agora, já consagrado dentro e fora das quadras, ele está de volta a barbearia para o talk-show The Shop, uma produção realizada em parceria com a HBO. Idealizada por James, seu amigo de infância e empresário, Maverick Carter, e Paul Rivera, o programa volta inserir LeBron na barbearia, renovando o ambiente como um espaço íntimo de conversas que falam de tudo.

 

BELIVE THE HYPE

É importante situar o impacto de LeBron James no cenário global. Símbolo de uma geração, tinha apenas 17 anos quando foi capa da Sports Illustrated, uma das mais conceituadas revistas de esporte dos Estados Unidos. A manchete destacava Belive The Hype, algo como “acredite na empolgação“, já que LeBron era um dos assuntos mais comentados do país graças as suas atuações dentro de quadra.

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Além da grande influência no esporte, LeBron tem contratos de patrocínio com grandes empresas como Coca-Cola, Nike, McDonald’s e Beats by Dre. Ele foi responsável não só por mudar o jogo dentro de quadra, mas também pela maneira como os atletas negociavam seus contratos – o que o tornou figura presente nas listas de atletas mais bem pagos do mundo. James foi o terceiro homem e, o primeiro negro, a estampar a capa da Vogue, já apresentou o Saturday Night Live e protagoniza o vindouro filme Space Jam: O Novo Legado – franquia outrora encabeçada por ninguém menos que Michael Jordan, o maior jogador de basquete da história.

Ao longo de sua carreira, o jogador de basquete raramente fugiu dos debates. Sendo mais um atleta negro de imensurável sucesso, LeBron escolheu seguir o caminho trilhado por nomes como Muhammad Ali, Kareem Abdul-Jabbar, Jim Brown e Bill Russell para utilizar de sua visibilidade para ecoar pensamentos críticos acerca da sociedade estadunidense.

Usando da sua influência, James amplifica debates diversos, especialmente os que tocam no racismo estrutural que marca seu país. Em 2014, Eric Garner foi asfixiado até a morte após uma abordagem da Polícia da Nova Iorque. Homem negro, Garner é mais uma vítima da violência policial nos Estados Unidos. Na noite seguinte a decisão do júri que evitou a acusação contra o policial, LeBron (e outros muitos atletas da NBA) usaram uma camisa preta com a frase “Eu Não Posso Respirar” durante o aquecimento e quando não estavam em quadra jogando. Fora do seu ambiente de jogo, James foi das vozes mais críticas a atuação da polícia à época.

Ao longo da carreira, esse posicionamento presente em questões sociais importantes foi uma constante por parte do astro do basquete. Em 2018, meses antes da estreia de The Shop, após uma das várias entrevistas em que LeBron falava sobre suas opiniões, a jornalista Laura Ingraham, da Fox News americana disse que o atleta deveria “se calar e driblar’”. A frase, em inglês, virou título de uma série documental criado por LeBron e Maverick Carter, mostrando como o papel de um atleta pode ir muito além da atuação dentro das quadras, no contexto em que vivemos.

 

SEM DRIBLAR TABUS E CALANDO O PRECONCEITO

The Shop é mais uma iniciativa de LeBron para fomentar o debate sobre racismo, riqueza, influência, política, entretenimento e esportes. Dividida em sete episódios de 30 minutos cada, que são apresentados por ele e Carter, a produção se aproveita de um lado mais pessoal tanto dos apresentadores quanto dos convidados.

Estes, são nomes influentes dos mais variados espectros da cultura pop americana como outros atletas relevantes de esportes variados (Odell Beckham Jr., Patrick Mahomes, Dryamond Green, Candace Parker, Elena Delle Donne), artistas e músicos (Snoop Dogg, Mary J. Blidge, Drake, Travis Scott), comediantes (Tiffany Haddish, Seth Rogen, Jimmy Kimmel, Jon Stewart) e atores (Lena Waithe, Jamie Foxx, Don Cheadle).

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Uma boa jogada de The Shop é o intimismo e a dinâmica das conversas com os convidados, que foge de monólogos estendidos e prioriza a interação entre os participantes, que é essencial para o clima leve alcançado para tratar dos temas espinhosos debatidos. No episódio que participa, Drake fala sobre seu desentendimento com Kanye West e Pusha T, e a respeito de sua paternidade que, até então, não era pública. Já Draymond Green, três vezes campeão da NBA, opina que nem sempre os atletas devem se posicionar sobre questões políticas e ideológicas. São apenas dois exemplos do que mais interessa em The Shop: a possibilidade de acompanhar as reflexões pessoais de figuras relevantes que são trazidas a tona e colocadas em cheque durante os episódios.

O próprio LeBron James, ao compartilhar situações pessoais, é despido da aura de super-herói que lhe acompanha há tanto tempo. Ao longo da produção, ele conta como conversou com seus filhos após ter sua casa pichada com xingamentos racistas antes do primeiro jogo das finais da NBA, em 2017, além de abordar como lidar com a forte ansiedade antes de jogos e compartilhar sua preocupação em não pressionar seus filhos a sentirem que devem seguir os passos do pai.

Outro ponto positivo de The Shop é o ambiente intimista criado para os debates. Ao fazer o espectador se sentir parte da atração, ele se entretém e busca saber mais sobre a vida de quem está o tempo todo diante das câmeras e dos holofotes. A informalidade está nas próprias atitudes dos convidados: alguns de fato têm seus cabelos e barbas aparados, outros estão bebendo ou fumando e dizendo palavrões como de fato fazem as pessoas quando se reúnem entre amigos.

No fim das contas, The Shop é uma excelente experiência para quem quer descobrir um pouco mais sobre a opinião de quem está em cena. O programa contribui para formar uma imagem que os artistas vão muito além do que apresentam nas suas obras. Apesar de não falar por todo o tempo, LeBron é o centro das atenções – como é em praticamente todas as situações que está envolvido.

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Michael Bennett, jogador de futebol americano, deixa em um dos episódios uma reflexão importante que capta a essência do que The Shop reafirma: o poder que atletas – e figuras públicas admiráveis como Lebron James – podem exercer.

“Quando eu era criança, sempre esperava que Michael Jordan falasse algo. Ele nunca falou. Agora, as crianças que estão crescendo podem falar ‘Eu sei que o LeBron disse'”.

Leonardo Parrela

leonardo parrela

um grande bobão que não entende de nada que escreve de tudo.

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