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Para além do romance

[tempo de leitura: 4 minutos]

“The Red Sleeve” entrega um drama histórico que vai além do romance e discute questões de gênero de forma simples e terna.


AAs vezes, se você tiver sorte, uma história de romance pode ir para muito além da sua superfície. E se os seus astros estiverem alinhados, você pode ganhar na loteria duas vezes e se deparar com uma narrativa simples contada do jeito certo, e que, mesmo sem reinventar a roda, consegue imprimir sua própria identidade e trazer algo que parece inovador e refrescante.

The Red Sleeve é uma produção de época da MBC, com panos de fundo na Dinastia Joseon e no romance entre o Príncipe Herdeiro Yi San/Rei Jeongjo (Lee Jun Ho, do grupo de k-pop 2PM) e a Dama de Corte Jung Deok Im (Lee Se Young). Dito isso, há uma sensibilidade tremenda no texto do dorama, que busca humanizar um batalhão de figuras que cerceiam as paredes do Palácio Real.

Baseado em fatos reais e adaptado de uma novel de mesmo nome, o romance é o catalizador para diversos obstáculos que irão ter impactos diretos na vida de todos os personagens. E ao focar principalmente nas perspectivas femininas, a produção apresenta ao público uma trama focada em protagonizar os desejos e anseios de mulheres que, naquela época, eram apenas vistas como peças meramente decorativas para o Rei.

ATRÁS DAS TELAS
O protagonismo feminino não fica apenas diante a ela. As cantoras Whee In, do MAMAMOO, Ben, Lucia, Lee Sun-hee e Lia, do ITZY, dão vozes a cinco das nove músicas que fazem a OST do drama.

 

Sonhos Próprios

Possivelmente por ser roteirizado e dirigido por mulheres, The Red Sleeve faz um excelente trabalho na construção de sua protagonista. Deok Im é, antes de qualquer coisa, uma jovem mulher com sonhos, vontades próprias e uma personalidade. O que acabar por tornar a sua jornada um tanto triste e melancólica ao mesmo passo que bela e apaixonante.

A Dama da Corte sonha por um livre arbítrio que a época e a sua posição não permitem. Tendo que seguir regras e tradições que prendem a sua vida pessoal à do Príncipe Herdeiro/Rei, ela constantemente se vê em uma encruzilhada entre os seus sonhos e as suas obrigações.

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Um ponto latente em toda a narrativa de The Red Sleeve é a consciência que Deok Im tem sobre a sua situação. Por não carregar o nome de uma família nobre e até mesmo esconder um segredo sobre quem é o seu pai, ela sabe que o seu romance com o Príncipe Herdeiro nunca terá os frutos que ela gostaria.

Yi San, que eventualmente será o Rei de Joseon, será obrigado a ter um casamento arranjado com uma jovem nobre, e a ela restará o papel de Concubina Real. Porém, este título significa uma sentença de prisão perpétua, uma vez que sua vida será para sempre confinada entre os muros do castelo.

 

Mente ou coração

Tal problemática adiciona em The Red Sleeve uma interessante dinâmica entre a razão e a emoção. O sentimento entre Yi San e Deok I.M está ali, porém o relacionamento é cheio de armadilhas que colocam a Dama em constante perigo e trazem desafios para o futuro dos dois. O amor é visível, e eles os expressam de formas diferentes em decorrência de suas posições sociais.

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Deok Im sabe que ao se declarar, ela terá que abdicar de sua liberdade, desistir de seus sonhos e dividir o seu grande amor. Isso faz com que ela renegue as constantes investidas de Yi San, que, mesmo tentando ser um cavalheiro, não entende completamente o tamanho do sacrifício que a Dama terá que fazer — mesmo que ele próprio tenha um código moral de impedir que seus sentimentos entrem no caminho de seu papel como governante.

É angustiante e doloroso ver o jogo de cintura de ambos, principalmente em uma história que tem tanto cuidado em desenvolver o romance e mostrar como a problemática que assola Deok Im não está restrita a apenas ela. Neste cenário há a mãe do Príncipe Herdeiro, a Rainha Viúva, as amigas e mentora Damas de Deok Im e a Senhora da Corte Real. Todas elas exercem papeis importantes para a trama e trazem nuances diferentes para a representatividade feminina da história — com algumas vindo a ter finais trágicos.

 

Trama Política

Dramas históricos tendem a serem carregados por tramas políticos que ajudam a enriquecer a narrativa e situar melhor o telespectador com aquele período. E o diferencial em The Red Sleeve é que o seu principal ponto político é protagonizado por mulheres.

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No dorama, um conto folclórico é o pontapé para o nascimento de um seita secreta envolvendo as Damas da Corte, que entendem suas posições na Dinastia e temem serem descartadas como foram há séculos. Assim, o jogo de poder ganha um jogador que está constantemente nas sombras, tornando todo o arco político mais interessante de acompanhar e levando Deok Im novamente ao centro de tudo.

 

Vida no Palácio

É inegável que The Red Sleeve acabe sendo um dos dramas mais fortes de 2021, seja em roteiro, direção ou atuação — os dois Lee são simplesmente imersivos em seus papeis. E a sua popularidade (e vitória em todos os prêmios que foram indicados) é a prova disso, gerando-lhe um episódio extra que é usado de forma belíssima para explorar ainda mais as camadas da história que cercaram o romance entre Deok Im e Yi San.

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Poesia pura, o 17º episódio mostra ao telespectador que eventualmente ambos tiveram que sacrificar seus respectivos livre-arbítrios e que, acima de tudo, este é um drama sobre as complexidades das emoções e o lado humano destes personagens.

É para aplaudir de pé, derramar lágrimas e se apaixonar.

É de 1995, virginiano, gay que atende por qualquer pronome e formado em Jornalismo com pós em Comunicação e Marketing. Criou a ZINT em 2017 — desde então, colabora com matérias sempre que tem uma boa pauta e cuida do visual do Colaborativo.

Em 2021, assistiu 69 Filmes e 133 Séries. Leu 1 Livro e desde que começou a quarentena já catalogou 620 álbuns reproduzidos (e contando!) enquanto dubla pelo seu legado. ✨

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