Pelo Coração de Etéria

Pelo Coração De Etéria
[tempo de leitura: 4 minutos]

A quinta e última temporada de “She-Ra e As Princesas do Poder” encerra uma divertida, profunda e interessante série animada.


Nota da Colab: o texto contem spoilers.

 

SShe-Ra e as Princesas do Poder (2018-2020) estreou em meio a muita expectativa devido ao histórico da poderosa guerreira, que nasce na versão original de 1985. A nova produção provocou burburinhos ao trazer a guerreira como uma adolescente, desagradando os antigos fãs do desenho. Além disso, os visuais das personagens também foram alterados: a imagem mais sexualizada das figuras femininas foram descartadas e a animação serviu com destreza uma representatividade adorável, capaz de juntar a família e amigos na sala para maratonar cada temporada.

O desenho da Dreamworks chamou a atenção com um enredo cativante, contando acontecimentos de personagens que são fáceis de associar a qualquer momento de nossas vidas. A construção da história nessas cinco temporadas seguiu a fio a coerência, tratando de assuntos considerados tabus com a devida naturalidade.

Assim, a quinta e última temporada de She-Ra e as Princesas do Poder chegou na Netflix no dia 15 de maio de 2020, contando com treze episódios que retratam a amizade das princesas e seres mágicos do reino de Etéria e a união deles contra as forças do mal do Mestre da Horda (Keston John). O novo ano dá continuidade a jornada de Adora/She-Ra (Aimee Carrero), Arqueiro (Marcus Scribner), Ventania (Adam Ray) e seus companheiros na missão de salvar a princesa Cintilante (Karen Fukuhana) do poder do antagonista, capaz de controlar seus seguidores com uma espécie de chip, tornando-os “fanáticos” que entoam o coro sinistro “expulse as sombras” e “todos os seres devem sofrer para se purificar”. O foco em manter Cintilante prisioneira é atrair a guerreira She-Ra para que, assim, o poder das forças do mal seja fortalecido e o Coração de Etéria seja dominado, ficando sob o total controle do Mestre da Horda.

A temporada conta com o desenvolvimento e evolução de personagens como a Felina (AJ Michalka) e Scorpia (Lauren Ash), que mostram algumas condições como insegurança e baixa autoestima, causados por traumas e abandonos, possíveis de reconhecermos em nós mesmos e criar uma conexão com as mesmas. Felina cresceu ao lado de Adora, mas como conta a série, sempre se comparou com a personagem principal e se sentiu diminuída ou insegura mesmo Adora deixando claro que sempre esteve ao lado de sua amiga e seria seu suporte. Felina não baixava a guarda e não permitia se entregar a amizade na mesma proporção que Adora, ainda sendo muito subestimada por Sombria. A personagem de AJ Michalka segue a trama como uma personagem insensível e motivada por sentimentos de ódio até que se viu frente a possibilidade de seguir um caminho diferente, tratando de seus traumas e deixando de seguir o caminho como a antagonista digna de pena.

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She-Ra e as Princesas do Poder segue uma história que valoriza personagens e resolve seus núcleos secundários, engatando em um ritmo desenvolvido onde os laços são bem dados e narrativas se desenrolam com naturalidade e coerência – algo que poderia ser difícil manter devido a quantidade de histórias e arcos adicionados ao decorrer das temporadas anteriores. As relações dos personagens são muito valorizadas e o foco para cada acontecimento é bem dosado, levando a um final incrivelmente adorável onde sentimos vontade de seguir acompanhando o futuro de cada personagem.

É bom frisar que o seriado animado definitivamente não agrada aos preconceituosos de plantão – e isso é ótimo! Afinal, há tempos somos bombardeados por produções de conteúdo heteronormativo, dominado por personagens brancos e que seguem um padrão de gêneros imposto pela sociedade. She-Ra e as Princesas do Poder chegou para agradar toda a comunidade que tem orgulho de ser quem é. A representatividade está na construção de uma narrativa onde tem casal gay, casal lésbico e uma amizade como ela é (pura, com alguns maus entendidos, mas repleta de respeito e companheirismo). Ainda, há a pluralidade e o conforto de que podemos assistir percebendo que muita gente está ali sendo representada e ganhando visibilidade, além de mostrar também inseguranças e questões psicológicas que devem ser tratadas em nós humanos.

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Um desenho que em cinco temporadas maravilhosas trouxe personagens profundos, com questões reais em um mundo mágico e fantasioso, foi capaz de colocar numa das maiores plataformas streaming uma deliciosa aventura com personagens protagonistas e princesas de fato poderosas. O misto de sentimentos e humor encerra a produção deixando um exemplo a ser seguido, que humaniza personagens e se adapta às questões que devem ser tratadas, mostrando ideias a serem desconstruídas na atualidade. She-Ra e as Princesas do Poder cativou e acaba nos deixando a nostalgia e melancolia com aquele desejo de seguir acompanhando as aventuras de cada personagem nesse novo mundo de Etéria.

Melissa Vitoriano

melissa vitoriano

tem 20 anos. estudante de jornalismo na UNESP Bauru. filha da Lua em sagitário e do Sol em leão, não deixa de curtir as coisas boas da vida, seja uma cerveja com os amigos naquele rolê de cada dia, ou uma boa série no conforto de casa. com gostos bem variados, é a própria admiradora de Amy Winehouse e Rihanna.

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